Venezuela acusa EUA de crimes contra a humanidade
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, atacou a decisão dos EUA de vetar um empréstimo do FMI ao país sul-americano, em plena pandemia de COVID-19. Qualificou essa e outras medidas ilegais de crimes contra a humanidade.
Washington bloqueou empréstimo do FMI a Caracas para combater a COVID-19
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está a bloquear a entrega de um empréstimo necessário para combater a COVID-19 na Venezuela, disse no dia 6 a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez.
«O FMI recusa-se a conceder ao nosso povo os cinco mil milhões de dólares que correspondem ao nosso país para combater a pandemia. A razão: o veto expresso dos EUA contra a Venezuela», relatou a alta responsável num discurso por vídeo na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês). «Fomos alvo de mais de 430 medidas coercivas unilaterais que bloquearam o nosso comércio externo e privado, contra todos os princípios legais de imunidade soberana», denunciou. Especificou que as sanções custaram ao sector petrolífero da Venezuela 63 mil milhões de dólares, «uma drástica redução de 99% das receitas».
«Estas medidas são crimes contra a humanidade e violam o sistema internacional de garantia dos direitos humanos», acrescentou Delcy Rodríguez.
Contra a ingerência da UE
A Venezuela rejeitou ainda as declarações de cariz intervencionista do alto representante para os Assuntos Exteriores da União Europeia (UE), Josep Borrel, sobre as eleições de 21 de Novembro. O chefe da diplomacia da UE afirmou que a missão de observação enviada por Bruxelas, no quadro das próximas eleições regionais e autárquicas, tem por objectivo acompanhar a oposição venezuelana e que o seu relatório final «legitimará ou deslegitimará» o escrutínio.
O governo da Venezuela denunciou as pretensões de utilizar a delegação de observadores em benefício de uma das partes, rompendo o acordo assinado entre o Conselho Nacional Eleitoral e a UE e violando o direito internacional.
Destacou que uma vez mais a UE perde a oportunidade de ser um actor respeitável, imparcial e independente em relação à Venezuela, para posicionar-se como uma peça subordinada à política externa dos EUA e de sectores da extrema-direita venezuelana.
Ratificou que não aceitará qualquer ingerência no processo eleitoral, cuja legitimidade e legalidade «não depende, nem dependerá, de nenhum actor estrangeiro, mas unicamente da soberania popular». Além disso, exigiu aos representantes da UE absterem-se de manipular politicamente a missão de observação e exortou Bruxelas a manter uma estrita conduta de imparcialidade e objectividade nas eleições.