«O caminho dos povos é a resistência ao imperialismo»
O representante da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) na Europa, Faez Badawi, falou ao Avante! sobre a luta do povo palestiniano pela concretização dos seus direitos. Aproveitando a presença da FPLP na 45.ª edição da Festa do Avante!, agradeceu ao povo português a solidariedade com o povo palestiniano e ao Partido Comunista Português o compromisso internacionalista com as causas justas.
Quando o imperialismo fala de paz, há que ter cuidado: para o imperialismo, paz quer dizer rendição
Qual a situação da luta do povo palestiniano?
Sofremos desde há 73 anos a agressão e ocupação do colonialismo sionista, chamado Estado de Israel. Israel age de forma impune e leva a cabo ataques contínuos contra os direitos do povo palestiniano. Metade do povo vive na diáspora e a outra metade vive sob ocupação em toda a Palestina histórica. E, com o mundo a olhar para o outro lado, existe ali o maior campo de concentração da História – chama-se Gaza.
Pedimos ao mundo solidariedade face aos crimes de guerra de Israel, perpetrados uma vez mais nos últimos tempos. Em Maio deste ano, Israel atacou a Faixa de Gaza, destruiu bairros palestinianos em Jerusalém, assassinou nos controlos militares na Cisjordânia e reprimiu o nosso povo no chamado Estado de Israel, na Palestina histórica de 1948, tendo havido detenções em Haifa, na Galileia, em Neguev, em Lydda.
Se não fosse a cumplicidade da «comunidade internacional», encabeçada pelo imperialismo norte-americano e europeu, Israel seria incapaz de assassinar o nosso povo, como o faz.
Damos resposta a esses crimes de guerra, a esses assassinatos que todos os dias estão a ser cometidos. Destruíram Gaza mas não destruíram a resistência de um povo que quer viver. Recorremos à resistência porque não nos resta outra solução. A História confirma que onde intervêm os EUA e Israel implanta-se o caos.
Quais as perspectivas da resistência palestiniana?
Asseguramos a todo o mundo que a Palestina vencerá e que vamos conseguir um único Estado, onde não haja espaço nem para o fascismo nem para o sionismo, um Estado que traga algo à humanidade.
Rejeitamos oferecer um único centímetro do nosso território nacional às potências coloniais. Esta é a realidade: hoje, o nosso povo está a morrer nos controlos militares, não há medicamentos em Gaza, faltam alimentos, destruíram habitações, há actualmente 50 mil famílias sem casa. Temos as fronteiras de Gaza fechadas. A nossa gente em Jerusalém sofre diariamente ataques por parte dos colonos. Em Ramala há detenções, há assassinatos.
Quando o imperialismo fala de paz, há que ter cuidado: para o imperialismo, paz quer dizer rendição. O povo palestiniano nunca se vai pôr de joelhos e nunca vai aceitar a rendição. Continuaremos a resistência até que o meu povo consiga os seus direitos nacionais, o direito à autodeterminação e à liberdade.
O «novo» governo em Israel muda alguma coisa?
A nossa orientação é muito clara. Fazemos parte do campo da paz, que enfrenta um campo formado pelo imperialismo, dirigido pelos EUA e que integra também as forças reacionárias árabes. É neste quadro que enfrentamos o sionismo e o seu Estado fabricado.
Em relação a esse Estado de Israel, há uma linha clara – não fazemos quaisquer concessões. Se realizarmos os nossos direitos desaparece o sionismo, cuja política é a eliminação completa do povo palestiniano.
Para a FPLP, são iguais os governos passados de [Benjamin] Netanyahu, futuros de [Yair] Lapid ou o actual de [Naftali] Bennett. Os três governos têm a mesma política. Não temos ilusões.
Os EUA têm também nova administração…
Com a política norte-americana passa-se o mesmo: é igual que seja Biden ou Trump, que seja o Partido Democrata ou o Partido Republicano. Fazem ambos política imperialista, política de guerra, política de exploração dos trabalhadores. Fazem a política do Fundo Mundial Internacional, do Banco Mundial. A política da NATO, a política de um poder mediático que está ao serviço do imperialismo. Não esperamos nada da nova administração dos EUA. E mais: não esperamos nada tão-pouco do imperialismo europeu.
Vemos isto no Médio Oriente, no Afeganistão: aonde chega o imperialismo, chega o caos. Quem faz a guerra no Iraque, na Síria, na Líbia? Quem está a assassinar crianças no Iémen? É a barbárie imperialista contra os povos! Mas os povos, com a sua resistência, deitarão por terra o orgulho imperialista. Temos exemplos inspiradores: a história do Vietname ou a história da Argélia, que depois de 132 anos expulsou os colonialistas franceses.
Este é o caminho dos povos – resistência frente ao imperialismo!