Novo Banco impede Venezuela de comprar vacinas

O Novo Banco está a obstruir a compra pela Venezuela de 30 milhões de seringas e 15 milhões de vacinas contra doenças como a poliomielite, a difteria ou o sarampo. Não é a primeira vez que aquele banco – detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star – apoia as sanções económicas ilegítimas impostas pelos EUA.

Depois da apropriação de 1,7 mil milhões de dólares pertencentes ao Estado venezuelano, verba que o banco mantém refém, foi agora a vez de ser bloqueada uma encomenda no valor de 12,7 milhões de dólares, feita pelo Banco de Fomento da Venezuela.

O presidente do Banco de Desenvolvimento Económico e Social da Venezuela (Bandes), Héctor Andrés Pérez, enviou uma missiva, no dia 15 de Setembro, ao presidente do Novo Banco, António Ramalho, a pedir que dê andamento à transferência do pagamento à Organização Pan-Americana de Saúde, realizada a 23 de Julho.

À falta de resposta por parte do Novo Banco, que se escusou a explicar por que razão ignora as deliberações judiciais e continua a impossibilitar cuidados médicos à população venezuelana, 37 deputados do Parlamento Europeu subscreveram um texto, enviado ao Novo Banco, em que exigem que esta instituição bancária aja «de acordo com a lei internacional e que abra mão dos fundos para proteger a vida e a saúde das crianças venezuelanas». Apenas dois deputados portugueses – João Pimenta Lopes e Sandra Pereira, eleitos pelo PCP – assinaram a missiva. Os eleitos do PSD, CDS-PP, PS, BE e PAN não tomaram posição.

No comunicado em que dá conhecimento desta iniciativa, os deputados do PCP no PE repudiam uma vez mais as «ilegais sanções impostas pelos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela e o povo venezuelano» e suas consequências para o povo venezuelano, como também para a comunidade portuguesa naquele país.

Os deputados comunistas lembram que a própria relatora especial da ONU, Alena Douhan, instou «os governos de Portugal, Reino Unido e Estados Unidos, e os bancos correspondentes a descongelar os activos do Banco Central da Venezuela para a compra de medicamentos, vacinas e alimentos, equipamento médico e de outro tipo, peças de reposição e outros bens essenciais para garantir que sejam satisfeitas as necessidades humanitárias do povo venezuelano».

Para o PCP, o Governo português «deveria dissociar-se da acção de desestabilização e de bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pelos EUA contra a Venezuela e o seu povo» e, enquanto accionista do Novo Banco, de «agir resolutamente para impedir a continuação do ilegal bloqueio de verbas pertencentes ao Estado venezuelano».




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