Delírios e provocações

As comemorações populares do 47.º aniversário da Revolução de Abril foram mais uma prova de quão funda é a identificação do povo português com os seus valores. Se há um ano houve quem tivesse apostado – para diminuir o que Abril representa – no destilar de ódio em torno da sessão solene na Assembleia da República e do 1.º de Maio da CGTP-IN, em 2021 as razões foram outras, mas a polémica mediática voltou a estar presente.

Fazendo tábua rasa de todos os argumentos que usaram em 2020 para atacar estas datas, a Festa do Avante! ou o Congresso do PCP, aos comentadores de serviço bastou um comunicado da Iniciativa Liberal para lançarem a tese de que «o COVID não pode ser desculpa para tudo», a propósito da suposta exclusão deste partido do desfile na Avenida da Liberdade. Os factos tornaram evidente que a operação não passou de uma provocação com intuitos que nada têm que ver com Abril: a IL, como é hábito, fez um número mediático e a comunicação social foi atrás.

A este propósito, entre tanta asneira que se disse, destacaram-se alguns personagens que, entre a alucinação, o ódio anticomunista ou a ignorância, usaram e abusaram da mentira para alimentar uma polémica estéril. Na TSF, Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS (partido que integra a comissão promotora), aproveitou a oportunidade para se atirar ao PCP, explanando a tese delirante de que a comissão promotora é integrada por «satélites do PCP» como, espante-se, a Renovação Comunista – entidade criada contra o PCP e com quem o partido de Sousa Pinto assinou um acordo de apoio para as eleições para o Parlamento Europeu de 2014.

Luís Campos Ferreira, ex-deputado do PSD, escreveu no Correio da Manhã que não deve ser necessária «militância comunista, bloquista ou socialista para poder participar activamente nas comemorações populares». Uma verdade indesmentível, não só pelo facto de na comissão promotora estarem muitos sem militância partidária que se conheça, como pela evidência de que qualquer um pode dinamizar comemorações populares do 25 de Abril, como acontece por todo o País, com a participação de milhares de pessoas e organizações muito diversas.

Eis como se foi criando, a propósito de uma provocação, a tese de que haverá quem se julgue «dono de Abril». Para além do rol de mentiras, importa ainda registar que aqueles que mais animaram esta polémica nunca quiseram comemorar Abril mas, pelo contrário, na sua prática política, se revelaram como inimigos dos valores, das conquistas e dos direitos de Abril: dos ex-dirigentes do CDS Francisco Mendes da Silva e António Lobo Xavier ao ex-presidente do PSD Marques Mendes, passando pelo ministro que simbolizou o ataque à Reforma Agrária, António Barreto.

Certamente movidos pelo que lhes foi sugerido vindo dos lados do Observador ou do deputado do CDS Telmo Correia, lembrando à IL que o desfile do 25 de Abril não é lugar que se recomende a gente como eles, os liberais acabaram por lhes dar razão. Na verdade, celebrar Abril implica não o pretender destruir.



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