Evocar o assalto aos céus e projectar o exemplo da Comuna

O PCP as­si­nalou, no dia 15, o ani­ver­sário da ins­tau­ração da Co­muna de Paris, com a sessão pú­blica «150 anos da Co­muna de Paris – lutar pela eman­ci­pação dos tra­ba­lha­dores», na Voz do Ope­rário, em Lisboa, em que par­ti­cipou Je­ró­nimo de Sousa.

A causa da Co­muna não morreu, ela con­tinua viva em cada um de nós

O PCP é o Par­tido da classe ope­rária e de todos os tra­ba­lha­dores por­tu­gueses, da li­ber­dade, da de­mo­cracia e do so­ci­a­lismo, in­tei­ra­mente ao ser­viço do povo por­tu­guês e de Por­tugal. Um Par­tido pa­trió­tico e in­ter­na­ci­o­na­lista, que per­so­ni­fica a causa da eman­ci­pação so­cial dos tra­ba­lha­dores e dos povos de todo o mundo e o ideal e pro­jecto co­mu­nistas. É por tudo isto, como afirmou Je­ró­nimo de Sousa logo ao início da sua in­ter­venção, que «o PCP não podia deixar de co­me­morar esse acon­te­ci­mento me­mo­rável da luta do mo­vi­mento ope­rário que foi a Co­muna de Paris».

«Os acon­te­ci­mentos da Co­muna de Paris ti­veram lugar há 150 anos, mas a força do seu exemplo e dos seus ideais per­dura até ao pre­sente, man­tendo toda a ac­tu­a­li­dade», sa­li­entou o Se­cre­tário-geral, aju­dando-se das pa­la­vras de Lé­nine como exemplo: «a causa da Co­muna não morreu, ela con­tinua viva em cada um de nós», «a causa da co­muna é a causa da re­vo­lução so­cial, é a causa da total eman­ci­pação po­lí­tica e eco­nó­mica dos tra­ba­lha­dores, é a causa do pro­le­ta­riado mun­dial. E neste sen­tido é imortal».

No sé­culo que se se­guiu à pro­cla­mação da Co­muna, em 1871, as­sistiu-se, com a Re­vo­lução de Ou­tubro, à cons­ti­tuição de um Es­tado em que, pela pri­meira vez, o poder foi exer­cido pelos ope­rá­rios e cam­po­neses.

Avanços e der­rotas

«Ma­te­ri­a­li­zando as as­pi­ra­ções pelas quais he­roi­ca­mente lu­taram os par­ti­dá­rios da Co­muna de Paris, os países so­ci­a­listas em­pre­en­deram a cons­trução de uma nova so­ci­e­dade livre da ex­plo­ração e da opressão», disse Je­ró­nimo de Sousa, acres­cen­tando «uma nova so­ci­e­dade que as­se­gu­rando a de­mo­cracia nas suas ver­tentes eco­nó­mica, so­cial e cul­tural, tem como ob­jec­tivo o bem-estar dos tra­ba­lha­dores e do povo».

Com o fim da URSS e de ou­tros países so­ci­a­listas na Eu­ropa, os cen­tros ide­o­ló­gicos do ca­pi­ta­lismo pro­cla­maram o fim da His­tória e o im­pe­ri­a­lismo lançou-se numa vi­o­lenta ofen­siva para re­cu­perar as po­si­ções per­didas e impor o seu do­mínio he­ge­mó­nico mun­dial. No en­tanto, «a evo­lução da si­tu­ação in­ter­na­ci­onal com­prova que grandes pe­rigos de re­tro­cesso co­e­xistem com reais po­ten­ci­a­li­dades de avanços», es­cla­receu o di­ri­gente co­mu­nista.

Je­ró­nimo de Sousa re­alçou ainda que o ca­pi­ta­lismo, com a sua na­tu­reza ex­plo­ra­dora, opres­sora, agres­siva e pre­da­dora, com a agu­di­zação das suas in­sa­ná­veis con­tra­di­ções, com o apro­fun­da­mento da sua crise es­tru­tural e com a sua in­ca­pa­ci­dade para dar res­posta aos pro­blemas da hu­ma­ni­dade, «de­monstra que não é o der­ra­deiro sis­tema da His­tória e que se co­loca com re­do­brada ac­tu­a­li­dade e ne­ces­si­dade a sua su­pe­ração re­vo­lu­ci­o­nária e a cons­trução de uma nova so­ci­e­dade, do so­ci­a­lismo».

Co­mu­nistas trans­portam o exemplo da Co­muna

«As­si­na­lamos os 150 anos da Co­muna de Paris, no mo­mento em que co­me­mo­ramos o Cen­te­nário do PCP», ob­servou Je­ró­nimo de Sousa. Se a cri­ação do PCP cor­res­pondeu a uma ne­ces­si­dade his­tó­rica da classe ope­rária por­tu­guesa, os seus 100 anos de his­tória estão mar­cados pelo cum­pri­mento dos com­pro­missos que sempre as­sumiu para com os tra­ba­lha­dores e o povo do País e para com a causa uni­versal da eman­ci­pação so­cial, pela qual, há 150 anos, a Co­muna de Paris lutou.

«Ao evo­carmos a Co­muna de Paris e o seu ideal eman­ci­pador, é justo sa­li­entar o sig­ni­fi­cado e o al­cance da Re­vo­lução de Abril em Por­tugal», su­bli­nhou também o Se­cre­tário-geral. A Re­vo­lução de Abril, que também re­sultou na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa e em todos os avanços e con­quistas que nela estão ins­critos, afi­gura-se como o mo­mento mais sig­ni­fi­ca­tivo da his­tória na­ci­onal dos úl­timos 100 anos.

Aux armes, ci­toyens

Um mo­mento cul­tural in­tro­duziu a sessão pú­blica. Maria Anadon, acom­pa­nhada por Luís Lapa e Vítor Paulo, pre­sen­te­aram o pú­blico com a Mar­seil­laise, Que mais querem de mim, um ori­ginal da can­tora, e, de José Afonso,Os Vam­piros e Canta Ca­ma­rada. André Levy leu também um ex­certo de um poema de Ber­tolt Brecht.

Antes destas duas ac­tu­a­ções, 12 mi­li­tantes da JCP en­traram na per­so­nagem de com­mu­nards e acla­maram, da va­randa do grande salão, vá­rias rei­vin­di­ca­ções que mos­traram o pro­gres­sismo dos 72 dias da Co­muna de Paris. Na sala ouviu-se, entre ou­tras pro­cla­ma­ções: «A Co­muna pro­clama: am­nistia para todos os presos po­lí­ticos; Os pro­pri­e­tá­rios estão proi­bidos de des­pejar as fa­mí­lias dos tra­ba­lha­dores com as rendas em atraso; Sub­sídio aos po­bres para acabar com a fome».

Do povo e para o povo

Apesar de não fal­tarem lo­cais his­tó­ricos pelo País fora, onde a luta dos tra­ba­lha­dores pela sua eman­ci­pação atingiu ní­veis ele­vados, a ta­refa de en­con­trar um local mais apro­priado do que A Voz do Ope­rário para a evo­cação do 150.º ani­ver­sário da Co­muna de Paris seria par­ti­cu­lar­mente com­plexa: a Co­muna foi pro­cla­mada em 1871 e, em 1883 – num pe­ríodo em que a força do mo­vi­mento ope­rário por­tu­guês es­tava em as­censão e em que o mo­vi­mento so­ci­a­lista co­me­çava a obter apoio sig­ni­fi­ca­tivo da classe ope­rária e do povo –, nasceu a So­ci­e­dade Co­o­pe­ra­tiva A Voz do Ope­rário, que mais tarde al­te­raria a sua de­sig­nação para a ac­tual So­ci­e­dade de Ins­trução e Be­ne­fi­cência A Voz do Ope­rário.

«Há 150 anos, em 18 de Março de 1871, pela pri­meira vez na His­tória, a classe ope­rária – com os seus ali­ados – con­quistou o poder, pro­cla­mando a Co­muna da Paris e ins­tau­rando um go­verno novo, do povo e para o povo», disse Je­ró­nimo de Sousa, ao re­cordar aquele que foi um do mo­mentos mais ful­crais da his­tória da luta dos tra­ba­lha­dores.

Pese em­bora as con­di­ções des­fa­vo­rá­veis e a sua bre­vi­dade, a Co­muna adoptou im­por­tantes me­didas nos planos la­boral e so­cial, e me­didas es­tru­tu­rantes de um poder po­lí­tico novo, de­mo­crá­tico e po­pular, como a subs­ti­tuição do exér­cito per­ma­nente pelo ar­ma­mento do povo, a se­pa­ração da Igreja do Es­tado e a lai­ci­zação do en­sino, a re­a­ber­tura e gestão pelos ope­rá­rios das ofi­cinas aban­do­nadas pelo pa­tro­nato, a re­mu­ne­ração do go­verno e de todos os fun­ci­o­ná­rios da ad­mi­nis­tração pelo sa­lário médio dos ope­rá­rios.



Mais artigos de: PCP

Salvar o desporto popular na retoma da actividade

«É ur­gente a de­fi­nição de cri­té­rios pra­ti­cá­veis, o es­ta­be­le­ci­mento de normas sa­ni­tá­rias para cada mo­da­li­dade e si­tu­ação em con­creto e a rá­pida atri­buição dos apoios pro­me­tidos», rei­vin­dica o PCP.

Defesa da Saúde e da Cultura em Coimbra

Uma delegação do PCP acompanhou a deputada comunista Ana Mesquita numa reunião, no final de Março, com o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC). No encontro foram abordadas as dificuldades trazidas pela pandemia, mas também aquelas que eram já sentidas muito antes do surto epidémico,...

PCP contacta na TSF-Madeira

Ricardo Lume e Edgar Silva, deputado do PCP na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e responsável pela organização do Partido, contactaram, dia 14, com trabalhadores da TSF-Madeira, onde está em curso um despedimento colectivo. Na ocasião, os membros do Comité Central do PCP denunciaram que é «no mínimo...

Situação dos MPME debatida em Castelo Branco

«O PCP e a luta dos Micro, pequenos e médios empresários»(MPME) foi o mote para um debate promovido, a semana passada, pela Organização Regional de Castelo Branco do PCP. Na iniciativa, promovida no âmbito das comemorações do centenário do Partido, coube a Cláudia Lopes a primeira intervenção....

Faleceu o camarada Alexandre Rodrigues

Alexandre Cortes Rodrigues, membro da Direcção da Organização Regional de Évora (DOREV) do PCP e do seu Secretariado, faleceu dia 12 de Abril, aos 68 anos, informou aquele organismo executivo da DOREV, que manifestou a sua consternação e endereçou à famílias sentidas condolências. Natural de...

Venda das barragens é negócio ruinoso

«A venda das bar­ra­gens é um ne­gócio rui­noso para o País e o Go­verno tem a obri­gação e os meios para o im­pedir», con­si­dera a Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Bra­gança (DORBA) do PCP, que em nota de im­prensa cri­ticou o re­cente ne­gócio da venda das bar­ra­gens da EDP no rio Douro e os con­tornos fis­cais as­so­ci­ados, os quais, re­fere-se, tem de ser ca­bal­mente es­cla­re­cido.

«Como o PCP tem in­sis­ten­te­mente de­nun­ciado, a pri­va­ti­zação, seg­men­tação e li­be­ra­li­zação do sector ener­gé­tico é con­trária aos in­te­resses da re­gião e dos por­tu­gueses», é «le­siva da so­be­rania ener­gé­tica do País», sa­li­enta a DORBA, para quem «a opção do Go­verno em per­mitir a venda de bar­ra­gens pela EDP a um con­sórcio francês vem de­gradar as con­di­ções para a gestão do Do­mínio Pú­blico Hí­drico, com­pro­meter o po­ten­cial de ar­ma­ze­nagem de água doce e acen­tuar os pre­juízos dos trans­mon­tanos».

De resto, caso a venda se con­cre­tize, ao con­trário do que de­fende o Par­tido, o mí­nimo é que as po­pu­la­ções dos dis­tritos de Vila Real e de Bra­gança sejam de­vi­da­mente com­pen­sadas, afirma-se ainda.