Os censurados do costume

Desde que o processo de aprovação, compra e administração das vacinas contra a COVID-19 se iniciou, no final do ano passado, que o tema tem ocupado lugar de destaque em quase todos os espaços noticiosos. A vacinação é determinante para o combate à epidemia, justificando o escrutínio dos vários problemas surgidos no processo, e em particular nos últimos dias.

«Vacinar é urgente!», escreve um jornal há semanas, diariamente, numa das suas páginas. É uma afirmação indesmentível. Mas é também incompreensível que a esta atenção ao processo de vacinação e aos problemas a este associados, plenamente justificada, praticamente não surja referência à intensa intervenção do PCP em torno do tema.

Foi o PCP que levou o tema à Assembleia da República, através de um projecto de resolução debatido no passado dia 8 – à excepção da Antena 1, ignorado por toda a comunicação social que, fazendo tábua rasa do que se passou, não só não deu expressão à iniciativa do PCP como escondeu os votos contra de PS, PSD, CDS e IL quando estava em causa pôr a salvaguarda da saúde à frente dos lucros das farmacêuticas e da submissão à União Europeia.

Já no dia anterior, a visita do Secretário-geral do PCP ao Centro de Vacinação do Seixal foi amplamente ignorada em quase todos os principais noticiários das televisões, nomeadamente da televisão pública. Uma opção que contrasta com a assumida no dia seguinte, que deu espaço não apenas num mas em ambos os noticiários da RTP1 (13h00 e 20h00) a uma visita do BE abordando tema idêntico.

Resumindo: em dois dias, o PCP realizou uma iniciativa e fez discutir um projecto de resolução em torno do processo de vacinação e das medidas necessárias à sua rápida efectivação; mas, aos espectadores da RTP, só chegou a cara de quem chegou depois a este combate.

Nessa altura já as atenções mediáticas se começavam a virar para a decisão do processo de instrução da Operação Marquês, proferida no dia seguinte. Sobre esta operação mediática e a forma como foi montada também importa um registo.

A gravidade dos factos e dos crimes em causa justificam o escrutínio e a atenção dispensada: a corrupção é um dos traços que caracterizam a realidade económica nacional, associada à promiscuidade e subordinação do poder político ao poder económico. No entanto, este foi um elemento ausente de toda a análise prévia e após a leitura da decisão. De facto, o tempo de antena foi usado para caracterizar juízes ou o Ministério Público, avaliar cada expressão utilizada na leitura da decisão ou, o mais comum, exprimir o choque com o seu conteúdo.

Os envolvidos no caso (com Sócrates e Salgado à cabeça) foram, cada um no seu papel, protagonistas da política de exploração e empobrecimento que tanto deu a ganhar a uns quantos. Mas quando os comentadores, por estes dias, se esforçam por lhes atribuir toda a responsabilidade pelos males do País fazem-no procurando ilibar essa política e os que continuam a tentar concretizá-la e sobretudo passar ao lado dos que, derramando lágrimas de crocodilo, se têm oposto a todas as medidas quer de combate ao enriquecimento ilícito quer ao do reforço de meios de investigação que o PCP ao longo de anos tem proposto.




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