Transdev suspende mais de mil
Em nove das empresas que detém em Portugal, a multinacional francesa Transdev decidiu colocar em lay-off (suspensão dos contratos de trabalho), por um período de seis meses, 1275 trabalhadores, revelou a Fectrans/CGTP-IN, a 27 de Janeiro, remetendo para as situações conhecidas até ao final do dia anterior.
No número divulgados pela federação constam as empresas Caima (112 trabalhadores em lay-off), ETAC (296), Rodoviária da Beira Litoral (101), Transdev Interior (246), Auto Viação Aveirense (73), Transdev Expressos (42), Minho Bus (153), Rodoviária de Entre Douro e Minho (113) e Transdev Norte (139).
«Repete-se novamente a situação do ano passado», comprovando que «estas empresas não conseguem sobreviver sem os dinheiros públicos, do Governo e das autarquias», comenta a Fectrans. Esta situação «reforça aquilo que temos vindo a afirmar, de que o País precisa de uma forte empresa pública para o transporte público de passageiros, que tenha como objectivo um serviço público de qualidade, voltado para a necessidade das pessoas».
Neste período, «a empresa vai transferir para a Segurança Social, paga por todos que trabalham, uma parte significativa dos custos com os trabalhadores» e, «ao mesmo tempo, deixa milhares de portugueses sem transporte público».
Na segunda-feira, dia 1, também a administração da empresa TUVR Urbanos de Vila Real comunicou aos trabalhadores que iria recorrer ao lay-off parcial, reduzindo o período normal de trabalho em 33 por cento, entre 2 e 28 de Fevereiro, informou a Fectrans.
Na mesma data, no seu site, a empresa informou os utentes de que, a partir de dia 2, passava a «efectuar nos dias úteis os horários dos serviços de sábados», não avançando qualquer explicação para esta redução.
Medidas
complementares
A Fectrans renovou as propostas de medidas complementares de combate à COVID-19, que apresentara em 23 de Outubro ao primeiro-ministro e aos ministros das Infra-estruturas e do Ambiente. «Para protecção de utentes e trabalhadores dos transportes e comunicações», exige-se, por exemplo, «a colocação de dispensadores de gel dentro dos veículos de transporte de passageiros e instalações de acesso», e a realização de «testes aos trabalhadores, de forma maciça».
«Sendo este sector considerado necessário para assegurar o funcionamento de outros sectores de actividade que são imprescindíveis no actual momento, é necessário considerar estes trabalhadores nos critérios de vacinação», defende ainda a federação.