CGTP-IN exige prioridade às crianças sobre o teletrabalho
DIREITOS Deve ser alterada a legislação, para garantir a remuneração na íntegra e a dispensa de teletrabalho, quando encerram os estabelecimentos de ensino e os equipamentos de apoio à infância.
Nas medidas de apoio, o Governo deixa fragilizados os trabalhadores
«Depois da experiência traumática verificada em 2020, eis que, com o novo confinamento, o Governo insiste em manter um regime que deixa os pais e as mães entre a espada e a parede», protestou a CGTP-IN.
Por um lado, o valor insuficiente do apoio aos trabalhadores que são obrigados a ficar em casa para cuidar dos filhos provoca a redução do seu rendimento mensal. Por outro lado, ao serem forçados a acumular o teletrabalho com a assistência às crianças, colocam-se numa situação que «provoca stress laboral, instabilidade emocional e intranquilidade familiar».
Num comunicado de imprensa, emitido a 29 de Janeiro, a Comissão da CGTP-IN para a Igualdade entre Mulheres e Homens sublinha tratar-se de «uma questão essencial que exige uma resposta urgente do Governo».
Neste «quadro de tamanha dificuldade», a Intersindical considera inaceitável que o Governo, «chamado a decidir sobre medidas de apoio aos trabalhadores e às famílias, continue a pecar por defeito, deixando-os fragilizados nos seus rendimentos e impossibilitados de conciliar a prestação de teletrabalho com os cuidados a prestar às crianças».
Para a confederação, «é inadmissível que, depois dos impactos que o teletrabalho teve no seio das famílias, remeta as crianças para segundo plano, no preciso momento em que mais necessitam de atenção, assistência e acompanhamento dos pais».
Estas «questões objectivas» que a CIMH/CGTP-IN coloca «são suportadas por dezenas de apelos, nomeadamente de mulheres trabalhadoras, em particular de atendimento permanente ao público», que se vêem numa situação de «perda total de rendimentos, face à necessidade de terem de optar pelo cuidado dos filhos».
A CGTP-IN defende uma alteração legal «que permita a dispensa de teletrabalho para cuidar das crianças, com direito à remuneração total».
Além disso, «é urgente garantir que, no caso de um progenitor se encontrar em teletrabalho, o outro tenha direito a receber o apoio à família, que hoje lhe é negado».
«Mais do que falar dos efeitos da pandemia na acentuação das desigualdades, é hora de assumir alterações legislativas que assegurem uma justa distribuição de rendimentos, garantam a solidariedade, protejam os direitos das crianças e promovam a justiça social», conclui a Inter.
«Mãe, mãe...»
Com o comunicado da CIMH/CGTP-IN, foi divulgado um depoimento.
Rita Fidalgo, em teletrabalho numa linha de atendimento telefónico, «com chamadas umas atrás das outras, oito ou mais horas por dia», não tem com quem deixar a filha, de dois anos. «Tenho de cuidar da minha filha, fazer comer, dar-lhe de comer, não é uma criança independente, precisa de atenção e ajuda», diz Rita, que pede solução para um problema que sabe ser também de outros pais.
Em seguida, mostra um momento em que, enquanto diz a um cliente «podemos então efectuar um pequeno teste, para ver se volta a ficar com energia na habitação», a filha se aproxima, a chorar, «mãe, mãe». Como a mãe mantém a ligação, «preciso que desligue tudo», a bebé afasta-se. Depois, vê-se Rita, no posto de trabalho, com a filha ao colo, a chorar, «não, filha, não podes ficar aqui ao colo da mãe, vai ali para o sofá, vai...».
Por enquanto, não há nenhuma chamada.