OE2021: breve balanço
Estamos na semana decisiva do debate em torno do Orçamento de Estado para 2021. Quando o Avante! desta semana chegar à mão de cada um ainda não versará sobre o desfecho final desse processo. Por isso, a abordagem que aqui se faz terá apenas em conta o tratamento do debate orçamental pela comunicação social.
Um debate marcado, na sua preparação e início, por ter os holofotes mediáticos mais virados para chantagens, amuos, novelas e polémicas do que pelo essencial: a situação do País. Passada a votação na generalidade e entrando na apreciação na especialidade, ofuscado e secundarizado por outros temas mais mediáticos mas que dizem menos ao futuro do País, como por exemplo as eleições dos EUA.
Uma proposta que no espírito da mensagem que passa é apresentada pela Comunicação Social um pouco como o Governo a apresenta, ou como o Presidente da República a apresenta, a melhor proposta, boa, intocável com uma obrigatoriedade de ser aprovada a todo o custo porque o País não compreenderá se tal não se verificar, sem direito a qualquer alteração. Tanto é assim que quem apresenta soluções e propostas o que faz é apresentar um longo caderno de encargos e uma pesada factura para o Governo pagar. As propostas são analisadas pelo que custam, pela influência que vão ter no sacrossanto e divino critério do défice imposto pela adorada União Europeia, não são analisadas e escrutinadas pelo seu mérito e pelo que podem contribuir para a resolução dos problemas graves que o País atravessa.
Uma discussão que é seguida apenas, não pelo que está no Orçamento e pelo que este deve responder, mas pelo que tal evolução poderá representar em futuras eleições, daí o quem ganha e quem perde, quem conta e não conta, quem se quer meter no bolso, quem é o amigo preferido e quem se quer que se pense que é a oposição de esquerda.
A juntar a isto, ataca-se sempre que possível quem preocupado com a grave situação que vivemos não desiste da dura batalha que tem pela frente e vai a combate com alternativas, soluções, propostas que rompam com a dependência e os constrangimentos e resolvam os problemas do povo e dos trabalhadores. Exemplo do que aqui se refere é a Festa do Avante! e o Congresso como moeda de troca para uma hipotética aprovação do Orçamento, ou o «calculismo» eleitoral, as eleições autárquicas, para a sua possível rejeição. Bom, apresentam este Partido no encaixe de pensamento da forma oportunista de proceder de outros.
Pois não é nem nunca foi assim. Este Partido consciente da responsabilidade do momento que vivemos, não se deixando influenciar por nada de tudo o que aqui se referiu, concentrado única e exclusivamente na resolução dos problemas dos trabalhadores e do povo, guiará a sua acção de forma coerente e consequente, tomará as decisões de forma independente e autónoma como sempre tomou, e no dia a seguir ao desfecho do debate orçamental, independentemente do seu resultado, da dificuldade das condições mais ou menos difíceis que poderá ter que enfrentar, preparado para tudo, estará onde sempre esteve, de rosto erguido, junto do povo a esclarecer, a organizar e a mobilizar para a luta que é cada vez mais tão necessária.