Avante com a Festa!

FUTURO A Festa do Avante! comprova-se como a mais importante realização político cultural do País. Ao longo dos anos, os sectores reaccionários e obscurantistas sempre conviveram mal com a sua realização, tudo fizeram para a impedir ou denegrir.

A Festa do Avante! constitui-se como uma realização fundamental da afirmação da liberdade, da democracia, dos direitos

Recusas sucessivas de espaço para a realizar conduziram a sucessivas mudanças de local e num ano, 1987, impediram mesmo a sua realização. A partir de 1990, com terreno firme na Atalaia, não foi mais possível usar a negação de espaço para impedir a sua realização, mas foram sendo usados os mais diversos meios para tentar ocultar ou distorcer o seu conteúdo e significado ímpares. No entanto, por contacto e vivência directa, gerações de portugueses têm a percepção real do que é a Festa do Avante!.

Este ano, a coberto da epidemia e da estratégia do medo, tentaram condicionar a sua realização. Não por razões de protecção sanitária, que estão mais salvaguardadas na Festa do que em qualquer praia, espaço comercial ou rua, numa área de cerca de 300 mil metros quadrados ao ar livre. Mas sim porque querem impedir a associação das medidas de protecção sanitária à fruição da vida nas suas várias dimensões, para as pessoas de todas as idades, vital para a sua saúde e o seu bem-estar.

Gostariam de se aproveitar do vírus para pôr em causa os direitos políticos, sindicais e sociais alcançados com o 25 de Abril. Querem impedir que se faça ouvir a voz, com a força da participação, daqueles, com destaque para o PCP, que criticam a situação dum País dominado pelo grande capital e pelas imposições da União Europeia, que denunciam a situação criada aos trabalhadores, aos reformados, aos jovens, aos micro, pequenos e médios empresários. que apontam a perspectiva e assumem o compromisso da luta por uma vida melhor e uma sociedade mais justa.

E esta pulsão antidemocrática mal disfarçada fica completamente à vista, quando, ao mesmo tempo que tudo fazem para impedir a realização da Festa, mentem insistindo na ideia que os festivais estão proibidos e fingem não ver o que se passa, e bem, no País: dezenas de festivais e espectáculos que se estão a realizar, ao ar livre ou em espaços fechados como o Campo Pequeno; praias cheias, incluindo com turistas estrangeiros; centros comerciais a funcionar; as actividade religiosas retomadas, nomeadamente a peregrinação de Agosto em Fátima com muitos milhares de participantes. Como fingem não ver o que se perspectiva em termos de desenvolvimento das diversas actividades, a começar pelo início do ano lectivo de forma presencial e continuando com provas de automobilismo e motociclismo.

Nos últimos dias voltou a intensificar-se esta campanha, com os mais diversos protagonistas reaccionários, nomeadamente o presidente do PSD, Rui Rio, utilizando as comparações mais ridículas de estádios em que se realizam actividades desportivas e culturais 8 a 20 vezes mais pequenos que o terreno onde se realiza a Festa do Avante!, numa acção que prossegue, orquestrada e articulada a vários níveis e que envolve transformar as estruturas administrativas sanitárias, a quem cabe pronunciar-se sobre questões de saúde, em entidades que carimbem a propaganda, a calúnia e a discriminação, violando a lei e a Constituição, numa linha que aliás já levou o Tribunal Constitucional a revogar decisões arbitrárias tomadas invocando mal a protecção da saúde.

A Festa do Avante! de 2020 tem o relevo de todas as Festas anteriores, mas assume agora, quer a Festa em geral, quer o seu principal acto político – o comício de domingo, 6 de Setembro – uma importância acrescida. Tem a dimensão política, cultural, de convívio, amizade e solidariedade e, quando se desenvolvem estas acções discriminatórias e antidemocráticas, quando se incentivam e valorizam as acções de grupos de extrema-direita, a Festa do Avante! constitui-se como uma realização fundamental da afirmação da liberdade, da democracia, dos direitos sociais, laborais e políticos, do direito a ter voz sem que a calem, que são valores comuns aos comunistas e a muitos outros democratas.

Face às campanhas em curso e às iniciativas provocatórias que se poderão ainda seguir, com a responsabilidade que decorre de uma História de quase 100 anos de luta pela liberdade e a democracia, pelos direitos dos trabalhadores e do povo, resistindo hoje a intimidações e chantagens, abrindo o caminho que Portugal precisa, o PCP, os seus militantes e amigos vão construir a Festa.

Para a semana, com mais espaço, segurança e confiança, lá estaremos, do Cabo à Atalaia, com Abril, pelo futuro.




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