Síria denuncia acordo petrolífero entre EUA e seus aliados curdos
ROUBO A Síria qualificou como «roubo» e «contrato entre ladrões» o acordo sobre petróleo sírio estabelecido pelos EUA e as denominadas Forças Democráticas Sírias (FDS), de maioria curda. «Um contrato entre ladrões que roubam e ladrões que compram», acusa o governo de Damasco.
«Um contrato entre ladrões que roubam e ladrões que compram»
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria denunciou um «acordo assinado pela milícia das FDS e uma companhia petrolífera norte-americana para roubar petróleo sírio (…) com o apoio da administração dos EUA», em comunicado do dia 2, citado pela agência noticiosa SANA.
O texto da nota denuncia «um acordo entre os ladrões que roubam e os ladrões que compram» e considera o negócio «um atentado à soberania síria». O comunicado fustiga também «a abordagem norte-americana hostil à Síria», através do «roubo das riquezas do povo sírio» e dos entraves «aos esforços do Estado visando a reconstrução».
A declaração síria considera o acordo nulo e sem efeitos legais, e adverte novamente que tais «actos desprezíveis» reflectem o papel das FDS como «lacaias que aceitaram ser marioneta do ocupante norte-americano». Essas forças mercenárias, sublinha o documento, devem ter em atenção que «a brutal ocupação dos EUA terminará inevitavelmente e será derrotada pelo Estado sírio, como o foram os grupos terroristas».
Os EUA instalaram, na zona nortenha das províncias de Deir Ezzor, Raqqa e Hasaka pelo menos 13 bases militares, dão apoio em armamento e logística às FDS e controlam, em conjunto, jazidas de petróleo e reservas de gás natural nessas regiões.
Operações encobertas
Foram, entretanto, revelados novos pormenores sobre mais este saque das riquezas naturais da Síria.
A Crescent Energy Service, uma empresa «cortina» ligada à Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, foi a subscritora do acordo sobre a exploração petrolífera em território sírio.
Num artigo publicado na terça-feira, 4, o sítio web Red Voltaire confirma que o contrato entre a empresa norte-americana e as FDS, integradas maioritariamente por curdos, é ilegal e carece de base jurídica.
O contrato estabelece que as receitas da produção de 60 mil a 380 mil barris diários serão repartidas a meias entre a transnacional norte-americana e a milícia. Servirão, além disso, para financiar operações encobertas sem passar pelo Congresso em Washington.
As negociações para o acordo, com o aval do secretário de Estado Mike Pompeo, foram levadas a cabo pelo senador republicano Lindsey Graham e pelo cabecilha máximo das FDS, Mazlun Kobani.