Preparativos de ataque à Venezuela a partir do Brasil, denuncia Maduro

MANOBRAS O presidente Nicolás Maduro acusou o seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, de apoiar ex-militares venezuelanos que desertaram para o Brasil e que estão a preparar um ataque armado contra a Venezuela.

Mais de 2,3 milhões participaram no exercício «Escudo Bolivariano»

O presidente Nicolás Maduro denunciou que está em preparação no Brasil um ataque contra a Venezuela por ex-militares venezuelanos desertores. Num encontro com representantes da imprensa internacional, no Palácio de Miraflores, em Caracas, na sexta-feira, 14, o chefe do Estado venezuelano explicou que os ex-militares fugiram para o Brasil, onde circulam livremente e armados, depois de atacarem um batalhão fronteiriço.

Maduro acusou o seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, de «estar detrás desses grupos terroristas» para promover incursões militares na Venezuela. Revelou que há provas desses intentos desestabilizadores e recordou como o governo brasileiro se negou a extraditar os desertores que se refugiaram no Brasil depois de participarem num assalto armado a um quartel, em Gran Sabana, no Estado de Bolívar, a 22 de Dezembro de 2019.

Bolsonaro procura arrastar os militares brasileiros para um conflito armado com a Venezuela e, embora eles não o queiram, acabarão cedendo, advertiu Maduro.

O presidente venezuelano questionou a comunidade internacional, que não se pronunciou sobre este caso «nem o dos embaixadores que andam a violar todas as normas da diplomacia participando em actividades de apoio ao deputado opositor Juan Guaidó».

Exercício militar
«Escudo Bolivariano»

A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) realizou no fim-de-semana, 15 e 16, os exercícios militares «Escudo Bolivariano 2020» com o objectivo de preparar todas as tropas para o caso de uma agressão armada do exterior. Foram mobilizados mais de dois milhões e 300 mil combatentes venezuelanos em todo o território nacional, para «a defesa da integridade territorial, da independência e da soberania nacional».

Estas manobras foram as primeiras após a aprovação recente da Lei Constitucional das Forças Armadas, que dá ênfase à união cívico-militar e decreta a inclusão das milícias nacionais como braço armado do corpo defensivo do país. Nas manobras tomaram parte todas as componentes da FANB: o Exército, a Guarda Nacional Bolivariana, a Marinha e a Milícia Bolivariana.

O anterior exercício das componentes da FANB tinha decorrido em 2019, denominou-se «Soberania e Paz» e teve como objectivo principal a defesa das fronteiras venezuelanas.

Investigação sobre
«irregularidades» da TAP

A Venezuela condenou as «irregularidades» cometidas pela companhia aérea TAP no voo TP173 do passado dia 12, com destino a Caracas, «violadoras das disposições de segurança» da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI).

De acordo com um comunicado emitido no dia 14 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, no referido voo «facilitou-se o embarque do deputado Juan Guaidó, com uma identidade falsa, num claro desprezo pelas directivas da OACI» sobre identificação de passageiros.

As autoridades venezuelanas revelaram que outro passageiro, familiar e acompanhante do cabecilha oposicionista, «transportou materiais proibidos e substâncias de natureza explosiva, numa grave violação das normas de segurança aeronáutica».

Segundo a nota, citada pela Prensa Latina, o governo venezuelano exigiu às autoridades de Portugal explicações e a abertura de uma rigorosa investigação, uma vez que os factos descritos só puderam ter lugar com a anuência dos organismos de segurança portugueses.

«A Venezuela rejeita e considera ligeiras e sem fundamento» as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros português, «ao pretender minimizar tão grave situação e desconhecer os riscos para a segurança dos passageiros e para a paz do povo venezuelano», conclui a nota.




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