Protestos anti-governamentais no Líbano continuam apesar de governo de «peritos»
Quatro meses depois do início do levantamento popular no Líbano, continuam com vigor as manifestações contra as elites governantes e o sistema político, apesar da recente instalação de um executivo de «peritos independentes».
O governo de Hassan Diab, professor universitário que se tornou primeiro-ministro, não responde às expectativas dos manifestantes libaneses, que exigem mudanças radicais no sistema político confessional (com quotas para os representantes das diferentes confissões religiosas) e pedem eleições parlamentares antecipadas.
Embora o actual parlamento tenha aprovado na semana passada um voto de confiança à equipa governamental de Diab, de cerca de duas dezenas de «especialistas», os protestos populares recusam apoiar tal solução e prosseguem sob o lema «Sem confiança, sem legitimidade: pagarão o preço».
«Nós é que pagamos. Não temos trabalho, não podemos viver», disse um manifestante a um canal de televisão, aludindo à crise económica e financeira libanesa. «A verdadeira revolução começou. A revolução de 17 de Outubro terminou, esta é a segunda fase. Demos-lhes uma oportunidade», afirmou outro participante de um protesto anti-governamental, no domingo, 16, em Beirute.
Todos os dias, dezenas de manifestantes concentram-se em vários pontos da capital e procuram chegar às proximidades do palácio do governo e do parlamento para expressar o seu descontentamento e ira pela situação em que vive a maioria dos libaneses.
O executivo de Diab enfrenta a pior crise social, política e económica do país desde há décadas e o novo primeiro-ministro diz que para a resolver são necessárias «medidas dolorosas».
Um dos primeiros passos do governo foi dirigir um pedido de assessoria técnica ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que em geral recomenda «austeridade» e «cortes» no sector público para «sanear» as finanças públicas, uma «receita» bem conhecida pelos povos de todo o mundo.
O Líbano tem uma dívida pública de 90 mil milhões de dólares, equivalente a 150 por cento do seu Produto Interno Bruto, e a 9 de Março próximo terá de pagar uma parcela de 1200 milhões aos seus credores.