A força do Trabalho dá força à CDU
APOIANTES Mil setecentos e cinquenta e um dirigentes e membros de organizações representativas de trabalhadores apoiam a coligação PCP-PEV ao Parlamento Europeu, ficou expresso anteontem.
«Os trabalhadores têm todas as razões para votar CDU», sublinhou João Ferreira
Na sessão realizada ao final da tarde de terça-feira, 14, numa unidade hoteleira em Lisboa, estiveram muitos daqueles 1751 que subscreveram o seu apoio à candidatura da CDU, e cujos postais que o atestam foram entregues ao primeiro candidato da coligação, João Ferreira.
Estiveram na assistência, reafirmando um apoio «natural, necessário, idispensável à força que em todas as circunstâncias defende os interesses de classe dos trabalhadores», como sintetizou Francisco Lopes, dos organismos executivos do Comité Central, que dirigiu a iniciativa, e estiveram na mesa, onde, para além de João Ferreira e Jerónimo de Sousa, se encontravam os candidatos e dirigentes sindicais Rui Higino, Zoraima Prado, Tiago Aldeias e Isabel Camarinha, e os membros da Comissão Executiva da CGTP-IN Libério Domingues, Graciete Cruz, Deolinda Machado e Arménio Carlos.
O Secretário-Geral da Intersindical Nacional, depois de Isabel Camarinha ter considerado que «votar CDU no próximo dia 26 é também uma acção de luta», deixou aliás bem vincado o carácter de classe da União Europeia, ao denunciar que esta e os seus senhores «levam o dinheiro» e «impõem o modelo» de «harmonização do retrocesso», deixando o nosso povo e País «cada vez mais amarrados aos interesses das grandes potências e do capital estrangeiro».
Arménio Carlos deixou ainda um apelo à memória para que, na hora de votar, não se esqueça «quem subscreveu e executou o programa da troika», o qual «para manter os banqueiros e os “berardos” a viver acima das suas possibilidades, pôs o povo a viver abaixo das suas necessidades». Uma situação que «podia ser alterada com a actual correlação de forças se o PS acompanhasse o PCP e o PEV», por exemplo «na exigência da revogação das normas gravosas do Código do Trabalho», acrescentou.
Opção de classe
À alteração para ainda pior da legislação laboral, proposta pelo PS em conluio com o grande patronato e a UGT, referiu-se igualmente o Secretário-geral do PCP já no encerramento da sessão.
Lembrando o conjunto de iniciativas apresentadas pelo PCP, na Assembleia da República, «visando a revogação das normas gravosas do Código do Trabalho e da legislação laboral da Administração Pública», Jerónimo de Sousa denunciou a convergência de PS, PSD e CDS para as chumbarem, considerando que o facto «atesta os fortes laços de classe que unem PS, PSD e CDS quando se trata de optar pelos interesses do capital».
Além do mais, prosseguiu, «tal confirma os limites do Governo do PS e da sua política em matéria de valorização do trabalho e dos trabalhadores». Valorização que constitui «um eixo essencial de uma política alternativa, objecto e condição do desenvolvimento», e que convoca, por isso, ao «reforço da CDU, para relançar e avançar com determinação no caminho de ruptura com as políticas do passado, de exploração e empobrecimento», salientou.
No lado oposto ao PS, PSD e CDS, com um «compromisso exclusivo que nos define, sempre ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País», encontra-se a CDU, notou João Ferreira. Prova disso é que «agimos no PE enfrentando linhas de ataque aos trabalhadores e aos seus direitos» e «asseguramos uma ligação regular e intensa aos trabalhadores, aos seus problemas e às suas lutas no nosso país», o que, a juntar ao conjunto de propostas que a candidatura do PCP-PEV comporta para a valorização do trabalho e dos trabalhadores, referenciadas por João Ferreira (ver caixa) , levou-o a concluir que «os trabalhadores têm todas as razões para votar CDU».
Compromisso de aço
«Os deputados eleitos pela CDU defenderão os direitos, interesses e aspirações dos trabalhadores, o direito ao trabalho com direitos». Este foi o compromisso reafirmado por João Ferreira, que na sua intervenção precisou que os deputados eleitos nas listas do PCP-PEV se vão bater por:
-
O aumento geral dos salários, do Salário Mínimo Nacional e das pensões e reformas;
-
A estabilidade no emprego e a prevenção e compensação do trabalho por turnos, e combaterão todas as formas de trabalho precário;
-
O combate à desregulação dos horários de trabalho e defenderão a sua redução para as 35 horas semanais para todos os trabalhadores, assim como pela negociação e contratação colectivas e o respeito pelos direitos dos trabalhadores na contagem do tempo de serviço e valorização das carreiras;
-
O princípio de salário igual para trabalho igual e a igualdade salarial entre homens e mulheres, assim como o emprego para a juventude, com direitos, estabilidade, perspectiva de uma carreira profissional e salários dignos;
-
A Segurança Social pública, combatendo a intenção de desviar recursos para fundos privados de pensões, e pelo desenvolvimento tecnológico ao serviço dos direitos e condições de vida dos trabalhadores;
-
A elaboração de um Pacto de Progresso Social e pelo Emprego que vise o pleno emprego na Europa, a defesa e reforço dos direitos dos trabalhadores e de outros direitos sociais, a promoção da convergência social no progresso, com a instituição do princípio da não regressão.