É preciso romper com as imposições da União Europeia e do euro
AVANÇOS O Secretário-geral do PCP participou, sábado, em iniciativas em Benavente e Santiago do Cacém, nas quais defendeu o voto na CDU a 26 de Maio para dar efectivo combate às desigualdades e injustiças.
A CDU foi a força determinante para recuperar e conquistar direitos
Jerónimo de Sousa almoçou, sábado, em Benavente, no distrito de Santarém, rumando depois a sul, para um jantar em Santiago do Cacém, no Litoral Alentejano. Foi aqui que reafirmou a certeza de que a CDU é a «grande força que tem estado e está na primeira linha do combate às desigualdades e injustiças sociais e na luta em defesa do direito de soberania do nosso povo».
Recordando o intenso e valioso trabalho realizado nos últimos anos pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu, o Secretário-geral sublinhou que ele «faz a diferença no pantanoso consenso comunitário das políticas da direita e da social-democracia». Também neste aspecto, garantiu, «fica clara a diferença entre os que, como a CDU, trabalham em favor do País e os que, em Bruxelas, legitimam decisões contrárias aos interesses nacionais».
Também no País, a CDU é a força que «conta e decide a favor dos trabalhadores e do povo», afirmou, lembrando não haver «medida positiva nestes últimos quase quatro anos da nova fase da vida política nacional que não tenha tido a intervenção decisiva do PCP e da CDU». Se não se foi mais longe, acrescentou, foi porque as «opções do PS e do seu Governo minoritário, de submissão ao grande capital, à União Europeia e aos critérios constrangedores do euro», assim o determinaram.
Ambientalistas de «última hora»
Com Jerónimo de Sousa em Santiago do Cacém estiveram, entre outros, o presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, o mandatário regional da candidatura da CDU, Vítor Proença, e a candidata Mariana Silva, do PEV. Esta, na sua intervenção, acusou PS, PSD e CDS de terem descoberto, à «última da hora», uma suposta «vocação ambientalista», em tudo discordante das posições e votações assumidas pelos seus deputados no Parlamento Europeu. Exemplificando, ironizou com as preocupações destes três partidos acerca dos problemas ambientais e climáticos, recordando o apoio que dão, na prática, à «agricultura super-intensiva» – que requer «grandes quantidades de água, abusa nos químicos e em nada contribui para a nossa soberania alimentar» – e os entraves que colocam à agricultura familiar e biológica, que promovem a alimentação saudável, preservam a biodiversidade e contribuem para a economia local e nacional.
Antes, Vítor Proença destacou os investimentos necessários para a região, pelos quais só a CDU e as forças que a compõem se têm batido de forma permanente e combativa.
Só o reforço da CDU garante
que não se andará para trás
Perante centenas de apoiantes, num almoço em Benavente, Jerónimo de Sousa acusou o PS de se aliar a PSD e CDS nas questões estruturantes, o que ficou uma vez mais evidente na questão da recuperação do tempo de serviço dos professores e demais carreiras especiais da Administração Pública. Os argumentos utilizados – os «critérios da União Europeia» e as «disponibilidades orçamentais» – levaram o Secretário-geral do Partido a lembrar que quando se tratou de injectar milhares de milhões no Novo Banco não houve «nenhuma preocupação por parte da União Europeia, do Governo do PS, da direita, de que isso iria atrasar as contas públicas».
Na intervenção que o precedeu, a segunda candidata da lista da CDU, Sandra Pereira, realçou o facto de a coligação PCP-PEV ser a que defende verdadeiramente o fim da submissão do País às imposições da UE e do euro. Mais força, votos e deputados da CDU constitui, assim, um «factor determinante para avançar na defesa, reposição e conquista de direitos», para que não se ande para trás.
Augusto Figueiredo, que também integra a lista ao PE, realçou as consequências no distrito das políticas da UE, aceites e praticadas por PS, PSD e CDS. Ao nível do despovoamento, os concelhos com piores indicadores da Europa estão ali, denunciou: Mação, Sardoal e Ferreira do Zêzere.
A extinção de freguesias, o encerramento de 500 estabelecimentos escolares, a substituição de vinha e oliveira por eucaliptos foram, entre muitas outras, medidas implementadas às ordens da UE ou para cumprir as suas imposições.
Quanto aos deputados eleitos pela CDU, sublinhou, assumiram as suas responsabilidades. Foram eles, e não outros, que se opuseram à privatização da EMEF e da CP Carga, que exigiram investimento na ferrovia, que defenderam os trabalhadores do distrito em luta pelos seus postos de trabalho e direitos, que se bateram pelas indemnizações às vítimas do incêndio de Mação.