Levar a luta mais longe com mais força à CDU

AVEIRO A luta das mulheres pelo exercício dos seus direitos e pela participação em igualdade tem de ser levada até ao voto. Esta foi uma das ideias desenvolvidas, sexta-feira, durante um jantar em Albergaria-a-Velha, integrado nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, com mais mais de 200 pessoas, promovido pela Direcção da Organização Regional de Aveiro (DORAV) do PCP, com João Ferreira e Jerónimo de Sousa.

A luta que cresce terá um ponto alto nas comemorações do 1.º de Maio

No Salão dos Bombeiros foi oferecido a cada participante um marcador com a reprodução de um dos «desenhos da prisão» de Álvaro Cunhal, acompanhado por uma outra afirmação: «Exercer os direitos. Participar em igualdade». No verso o poema «Mulher», de Ary dos Santos. Seguiu-se um momento de enorme beleza. Alice Caetano leu «O fim dos labirintos», de sua autoria. «Mas as mulheres continuaram, cada vez mais confiantes. Cada vez mais lindas! Porque os labirintos também se derrubam», clamou.

A professora e escritora, membro do executivo da DORAV, chamou para junto de si Manuela Silva, dirigente do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Salete Brito, do Sindicato dos Têxteis de Aveiro, Ana Valente, Investigadora e dirigente da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, Isabel Lemos, dirigente da Inter-Reformados/CGTP-IN, Cláudia Pereira, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços, Ana Isaura, do Secretariado da DORAV, Mafalda Guerreiro, do Comité Central do PCP, exemplos da intervenção das mulheres do Partido nas várias vertentes de intervenção: política, social e unitária.

Apresentados foram também Miguel Martins, da Comissão Executiva do Partido Ecologista «Os Verdes», João Ferreira, deputado e 1.º candidato da CDU às eleições para o Parlamento Europeu (PE), Octávio Augusto, Alexandre Araújo e Jerónimo de Sousa, respectivamente, da Comissão Política, do Secretariado e Secretário-geral do PCP.
Terminado o repasto – confeccionado e servido pelos camaradas – subiu ao palco o jovem Miguel Araújo, que interpretou «Cantar de emigração», de Adriano Correia de Oliveira, «Canta camarada canta» e «Maria Faia», de Zeca Afonso.
Para o comício foram também chamados Isabel Freitas, da Comissão Concelhia de Albergaria-a-Velha, Ana Isaura, Carla Cabique, Catarina Almeida e Óscar Oliveira, do secretariado da DORAV.

Realidade desigual
No palco – onde se lia «Avançar é preciso! Direitos, desenvolvimento, soberania» – a primeira a intervir foi Mafalda Guerreiro. Relatou casos que envolvem as mulheres do distrito. «Isabel (nome fictício) veio de Barcelona. Era trabalhadora efectiva, com horário completo, numa multinacional de lojas de roupa. Como estava a ser vítima de violência doméstica, decidiu alterar a sua residência e, consequentemente, o seu local de trabalho. Solicitou ser transferida para Aveiro, pois tem cá família. A empresa aceitou mas não lhe atribuiu o horário completo – apesar de haver necessidade de pessoal na loja onde trabalha e consequentemente recorrem a trabalhadores ao mês. O que ficou a auferir de salário não lhe permite fazer face às despesas mensais. Continua a reivindicar o horário completo, mas viu-se obrigada a arranjar outro posto de trabalho para complementar o seu rendimento», descreveu a dirigente comunista.

Continuar a lutar
«A igualdade que está nas páginas da nossa Constituição não existe na vida de todas as mulheres do País», afirmou João Ferreira, lembrando que mais de um século depois das lutas das mulheres trabalhadoras, contra a exploração e a guerra, por direitos sociais e políticos, por melhores salários e horários de trabalho, «temos uma situação em que para trabalho igual ainda não há salário igual». Daí a necessidade de «continuar a lutar pela igualdade», um «eixo essencial do projecto que defendemos para uma outra sociedade e que queremos construir», acrescentou.

A situação naUnião Europeia (UE) não é diferente. Baseando-se em dados recentes, o deputado deu a conhecer que dos mais de 100 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social nos países que a integram 60 milhões são mulheres. «As mulheres são mais atingidas pelo desemprego e precariedade laboral» e têm «uma maior incidência de trabalho a tempo parcial», ou seja, «trabalham mais por menos salário». Na UE, continuou, «os salários entre homens e mulheres têm uma diferença média superior a 16 por cento. Nas pensões pode chegar aos 40 por cento.»

Pegando em exemplos de reposição e conquista de direitos nos últimos três anos, por intervenção do PCP e acção e luta reivindicativa dos trabalhadores e das populações, não por qualquer benesse do Governo PS, João Ferreira salientou que a «solução» para os problemas do País «não passa» nem «por andar para trás» (PSD/CDS), nem por «ficarmos parados» (PS), mas sim por «avançar» pelo direito «a uma vida melhor, por um Portugal com futuro, numa Europa dos trabalhadores e dos povos». «Para avançar o caminho mais certo e seguro é dar mais força à CDU, já nas próximas eleições para o PE», apelou.

Avançar a sério
Jerónimo de Sousa também abordou as eleições que se vão realizar em 2019. «Avançar é preciso nos direitos das mulheres em Portugal e na Europa com mais CDU para abrir caminho à concretização da política ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País e da concretização da igualdade das mulheres na lei e na vida. Está nas mãos dos trabalhadores e do povo português abrir esse caminho e concretizar o Portugal a que temos direito para a vida dos trabalhadores e do povo avançar a sério!», destacou.

Força e coragem na luta das mulheres

O exemplo de Cristina Tavares (despedida ilegalmente pela empresa corticeira Fernando Couto – ver página 18), como de tantas outras trabalhadoras que «se erguem contra a exploração, a intimidação, a perseguição por parte das entidades patronais», foi destacado na intervenção do Secretário-geral do PCP.

«São mulheres como Cristina Tavares, que se erguem e resistem com a força que lhes advém da razão, da consciência de que têm dignidade e direitos a defender e que afrontam quem os põe em causa, mesmo sabendo que são o elo mais fraco na relação de poder com a entidade patronal, que dão força ao nosso combate», valorizou.

Para além do apoio da CGTP-IN e da solidariedade do MDM, o PCP tem estado desde a primeira hora com a trabalhadora Cristina Tavares, exigindo que a sua integração tenha lugar sem demoras, numa acção que entrelaçou a acção dos comunistas de Aveiro, com a intervenção na Assembleia da República e no PE.

Apelando à participação na Manifestação Nacional de Mulheres (ver páginas 8 e 9), Jerónimo de Sousa alertou para a «ofensiva política e ideológica» que passa, também, pela «tentativa de forjar uma “identidade feminina” desprovida de consciência social, de classe e política, e das verdadeiras causas e responsáveis pela situação de exploração, desigualdade e violência» que «penaliza as mulheres de uma forma específica», mas, igualmente, pela «tentativa de instrumentalizar a sua luta organizada e em particular a luta das trabalhadoras pelo cumprimento dos direitos e contra a exploração».

Alargamento da unidade
«Em Portugal contamos com um importante património da luta organizada das mulheres levada a cabo pelas expressões mais coerentes e combativas – a organização das trabalhadoras nos sindicatos e na CGTP-IN, e a acção do MDM, entre outras organizações sociais que são aliadas da luta das mulheres, ancoradas nos valores, conquistas e direitos de Abril», valorizou.

«É essa força que o capital teme e que incomoda os que querem prosseguir com a política de direita promotora da exploração e da discriminação da mulher», destacou o Secretário-geral do PCP.

 



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