Mais CDU para romper a submissão e lutar por rumos novos para a Europa

Tanto pela sua influência central na vida do País como pelo facto de as eleições para o Parlamento Europeu serem as primeiras do ciclo eleitoral deste ano, as questões da União Europeia e do euro – e suas implicações – tiveram forte presença no Encontro Nacional do passado sábado. Em várias intervenções denunciou-se a natureza capitalista do processo de integração europeia, destacou-se a acção ímpar dos deputados comunistas e afirmou-se a necessidade e possibilidade de trilhar outros rumos de cooperação entre países e povos do continente.

De tudo isto falou o primeiro candidato da CDU ao Parlamento Europeu (PE), João Ferreira, adiantando razões que justificam uma reforçada votação na coligação nas eleições de 26 de Maio. Para o actual deputado ao PE, dar mais força à CDU contribui para «libertar o País», «derrubar muros que outros querem inamovíveis» e «recusar a dependência e a subordinação a que o euro nos condena». Ao mesmo tempo que dá combate a um projecto de integração «esgotado, sem soluções para os problemas que criou», que «alimenta os nacionalismos, a extrema-direita e o fascismo».

Uma CDU mais forte contribuiria, igualmente, para reforçar a luta por uma outra Europa, ao abrir «caminhos alternativos de cooperação solidária na Europa, assentes na paz, no progresso e na justiça social». Seria ainda importante para «reforçar a solidariedade internacionalista», assente em princípios, e a «articulação fraterna com a luta dos trabalhadores e dos povos de outros países».

Exploração e divergência

João Pimenta Lopes, também deputado do PCP no Parlamento Europeu, denunciou a natureza de classe da União Europeia, que ataca direitos e salários e promove a entrega de empresas e serviços públicos rentáveis ao grande capital transnacional: «privilegiam-se as margens de lucro à custa dos povos que empobrecem. Quase um quarto da população da UE, mais de 118 milhões de pessoas, permanecem em risco de pobreza e exclusão social.»

Considerando ilusória a ideia de que uma «Europa social é compatível com a UE», o deputado comunista assume que, ao contrário, «é cada vez mais evidente que a construção de uma Europa dos trabalhadores e dos povos, de progresso e justiça social, de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos só poderá ser materializada com a derrota da União Europeia».

Miguel Viegas, igualmente deputado no PE, destacou o saldo da integração do País numa UE cada vez mais federalista, neoliberal e militarista e com uma marcada divisão do trabalho no seu seio, em favor das grandes potências: «Portugal foi sofrendo um longo e penoso processo de desindustrialização. Nos últimos 30 anos, a actividade industrial perdeu peso. As indústrias de base praticamente desapareceram. Perdemos mais de 300 mil postos de trabalhos em sectores chaves da nossa economia com destaque para o sector têxtil.»

Assim, concluiu, em vez da prometida convergência, Portugal afastou-se dos países mais poderosos da UE. «A proporção dos salários, que era de 65% do PIB em 2000, é agora de 55%. Isto quer dizer que cada trabalhador perdeu 3000 euros anuais.»

Referindo-se especificamente aos serviços públicos, o deputado do PCP na Assembleia da República, Jorge Machado, considerou-os uma área em que são particularmente visíveis os objectivos e intenções da UE de «colocar os estados e os seus recursos ao serviço dos grupos económicos. A privatização dos CTT, da ANA, da REN, da GALP e da EDP são disto expressão, sublinhou.

O parlamentar comunista alertou para o que poderá estar ainda em marcha: «Não satisfeitos, querem avançar ainda mais na área dos transportes públicos, na educação, na saúde e na já antiga ambição de privatizar a Segurança Social.»




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