Das longas esperas à sardinha em lata...
Falar da falta de investimento nas empresas públicas de transportes, da degradação dos serviços, dos tempos de espera, de horários desajustados às necessidades dos utentes, dos atrasos, da supressão de carreiras, é falar de problemas concretos e dos transtornos que afectam a vida das pessoas, do desgaste – quantas vezes verdadeiro calvário – a que estão sujeitos milhares e milhares de utentes dos transportes públicos no seu movimento pendular quotidiano entre casa e trabalho, sobretudo nas áreas metropolitanas.
Foi o retrato fiel dessa realidade que também esteve presente nesta interpelação pela voz dos deputados comunistas, como o caso dos «comboios obsoletos» na linha de Cascais e em todo o serviço regional do caminho-de-ferro, ou as «viagens como sardinha em lata» no Metropolitano, assinalados por Bruno Dias. Ou ainda a situação identificada por Ana Mesquita daqueles utentes que «chegam aos terminais fluviais de Cacilhas, do Seixal, do Barreiro, ou outros, e não raro vêem as ligações suprimidas», ou que «chegam ao Metro e, em plena hora de ponta, esperam mais de 12 minutos» pela composição.
Quis por isso a deputada comunista saber do ministro o porquê de tal situação, pergunta que ficou sem resposta, como em branco ficou a explicação para o facto de a Soflusa ter em Janeiro duas embarcações no estaleiro há mais de dois meses, ou para a Transtejo ter nove embarcações operacionais e dez paralisadas.
Abordada por Ana Mesquita foi, por outro lado, a demora do Governo em autorizar contratações para o reforço do quadro de trabalhadores do Metropolitano, e pela opção em recorrer a uma empresa externa para a área da manutenção. Decisões que o ministro do Ambiente justificou com a «necessidade de recuperar as 29 composições que estão paradas no Metro de Lisboa», adiantando, quanto ao recrutamento de 10 trabalhadores para a manutenção, que o processo «estará concluído em poucos dias».
Já sobre a Linha Circular do Metro de Lisboa – classificada por Ana Mesquita de «má opção técnica e financeira», que adia uma vez mais a prioridade que devia ser a expansão para a área Ocidental e para Loures – João Matos Fernandes invocou os «estudos realizados», dizendo que «justificam todas as opções tomadas para a expansão quer para o Metro do Porto quer de Lisboa».