Ataque aos direitos dos refugiados e migrantes

Inapelável condenação

O PCP apresentou no Parlamento um voto de condenação das políticas que em vários países desrespeitam direitos dos refugiados e dos migrantes, nomeadamente as «adoptadas pela administração Trump».

Votado sexta-feira, 3, o texto da bancada comunista foi rejeitado com os votos contra do PSD e CDS-PP, a abstenção do PS e os votos favoráveis das restantes bancadas. PS, PSD, CDS-PP e BE apresentaram também votos sobre o tema, sendo aprovados apenas os três primeiros.

Na sua parte deliberativa o texto apresentado pelo PCP pugna por «políticas para os refugiados e migrantes que respeitem os seus direitos consagrados no Direito Internacional», apelando simultaneamente «ao fim da ingerência e agressão nas relações internacionais e ao respeito pela soberania e independência dos estados, do direito dos povos à auto-determinação e ao desenvolvimento».

No voto defende-se por último o «desenvolvimento de relações internacionais assentes na paz, no progresso social, na cooperação, no respeito pelo direito ao desenvolvimento económico e social soberano dos estados».

Nos considerandos do seu voto os deputados do PCP salientam que, no quadro dessas políticas que agridem os direitos dos refugiados e migrantes, «assume particular gravidade» a adopção pela administração norte-americana de medidas que «aprofundando aspectos da política para a imigração e asilo que em parte já vinha a ser implementada – de que é exemplo a continuação da construção do "muro", iniciado pela administração Clinton, na fronteira com o México –, restringem ainda mais as regras de acolhimento e discriminam com base na nacionalidade».

Lembrado é também, por outro lado, que a UE tem vindo a incrementar medidas como o «desumano acordo com a Turquia, a chamada política de retorno, o selectivo "cartão azul" ou a construção de centros de retenção», no quadro do que o PCP define como «inaceitável política comum».

Depois de chamar a atenção para a dramática situação de milhões de deslocados e refugiados motivada em primeiro lugar pelas guerras que resultam da agressão e ingerência dos EUA, NATO, UE e seus aliados, o texto sublinha por fim que os refugiados e migrantes «não são nem uma ameaça nem os responsáveis pela crise económica e social».




Mais artigos de: Assembleia da República

Uma ruptura que urge assumir

O PCP voltou a chamar a atenção para o carácter prejudicial da precariedade laboral sobre a qualidade do ensino, defendendo que a postos de trabalho permanente devem corresponder vínculos efectivos na educação e ciência.

Em prol da economia e de Portugal

O PCP responsabiliza o PSD e o CDS-PP por «qualquer prejuízo que venha a ocorrer» para o Estado do processo BES/Novo Banco, mas adverte que se o PS optar pela privatização não se livra de ficar com o seu nome manchado por este processo.

O exercício da liberdade sindical

A proposta de lei do Governo que altera o exercício da liberdade sindical e os direitos de negociação colectiva e de participação do pessoal da PSP com funções policiais baixou sem votação, por 60 dias, à comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Novo estatuto disciplinar da PSP

O novo estatuto disciplinar da Polícia de Segurança Pública foi aprovado, dia 3, com os votos favoráveis de todas as bancadas à excepção do PSD, que se absteve. Com este diploma, que introduz alterações num texto que não é mexido há...

Chumbada reposição de 25 dias de férias

Foram rejeitados no Parlamento, dia 27, os seis projectos de lei apresentados por PCP, BE e PAN que visavam repor os 25 dias de férias e a majoração das mesmas em função da idade na função pública. A favor de todos os diplomas votaram os...

Deficiência e sinistralidade laboral

O PCP promoveu no passado dia 27 na Assembleia da República uma Audição Parlamentar sobre a deficiência, emprego, sinistralidade laboral e protecção social. Foi uma abordagem, no fundo, nestas áreas concretas, à questão dos «direitos na lei e na...