Fusão agrava problemas
No final de Outubro, o deputado Bruno Dias e Miguel Casanova (do executivo da Direcção da Organização Regional de Setúbal) estiveram reunidos com o presidente do Conselho de Administração e com as estruturas representativas dos trabalhadores da Infraestruturas de Portugal, empresa que resultou da fusão da Refer com a Estradas de Portugal. Com estas reuniões, o PCP pretendia avaliar a situação de diversos investimentos urgentes para as populações da Península de Setúbal e do Litoral Alentejano e a evolução da empresa após a fusão.
O presidente da IP relatou, na reunião com a delegação do Partido, o quadro actual relativamente a matérias que há muito merecem a intervenção do PCP, nomeadamente a EN4, o IC1 e a A26-1. No essencial, são problemas que se prolongam há meses e que não só condicionam fortemente o tráfego rodoviário como têm implicações ao nível da sinistralidade, pelo que o PCP defende a sua rápida resolução.
Nas duas reuniões foi abordado o processo de fragilização da capacidade de resposta do ponto de vista técnico, a que não são alheios o desinvestimento no sector, a emigração de técnicos altamente qualificados e o bloqueio à contratação de pessoal em estruturas técnicas fundamentais. Esta realidade, que vem de trás, tenderá a agravar-se com a fusão da Estradas de Portugal com a Refer. Como se realçou na reunião com a Comissão de Trabalhadores e sindicatos, a capacidade técnica não pode dar lugar à dependência externa, à privatização e à precariedade, sob pena de se pôr seriamente em causa a capacidade do País em áreas fundamentais como são aquelas a que a nova empresa responde.