Trabalhadores defendem transportes públicos

Parem a degradação

Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa e do Grupo Transtejo dizem «basta» à degradação do serviço público de transportes, uma situação que apenas beneficia os grupos económicos e financeiros.

«Continuamos a defender os utentes»

Em comunicado, distribuído anteontem, 16, aos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa EPE e aos grupos parlamentares da Assembleia da República (AR) – documento que será entregue na segunda-feira, 22, aos ministros do Trabalho, do Ambiente e das Infraestruturas, que se vão reunir com a CGTP-IN – o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP/CGTP-IN) rejeita a «degradação de serviço público».
«Continuamos a defender os utentes, a empresa pública, um serviço de qualidade, mas com a certeza de que nada disto se consegue sem o principal: a reposição urgente de efectivos em número adequado e investimento na manutenção», refere o sindicato, sublinhando que nos últimos quatro anos de governação PSD/CDS o Metropolitano de Lisboa foi «preparado para ser privatizado».
«Empurraram-se mais de 300 trabalhadores para “rescisões amigáveis” e para o desemprego, descapitalizaram a empresa, encerraram 18 postos de vendas, diminuíram o número de carruagens na linha verde, aumentaram o tempo de intervalo entre comboios, diminuíram a velocidade de circulação de 60 para 45 km/h, degradaram a manutenção e a limpeza de comboios e estações», descreve o STRUP, acrescentando: «passou-se de uma exploração comercial onde raramente se registavam atrasos, interrupções ou supressões, para o seu aposto, com incidentes de exploração todos os dias».
No comunicado, o sindicato alerta ainda para o facto de o «trabalho em subsolo» potenciar «o aumento de doenças crónicas nos trabalhadores», sendo que a Medicina do Trabalho, «seguramente a mando da direcção da empresa, tem feito um trabalho lastimável, contrariando o que no passado acontecia».
Para agravar a situação, continua o STRUP, «continua-se a assinar contratos ilegais de trabalho» no Metropolitano, na Carris, na Soflusa e na Transtejo, «desrespeitando o que já foi aprovado na AR, proporcionando a alguns avultados aumentos salariais, seguramente com a intenção de dificultar num futuro próximo o cumprimento da Lei».
 

Transtejo

Também a Comissão de Trabalhadores (CT) da Transtejo denuncia a existência de «acções e procedimentos» contrários ao Diploma – aprovado pela AR, no dia 9 de Junho, que entrará em vigor no dia 1 de Janeiro de 2017 – que revoga a fusão operacional do Metropolitano de Lisboa, da Carris, da Transtejo e da Soflusa, estabelecendo a total autonomia jurídica destas empresas.
«Continuam a decorrer acções que visam efectivar a fusão operacional, técnica e financeira com as outras empresas (Carris e Metropolitano), preparando e celebrando contractos conjuntos, desenvolvendo aplicações informáticas para utilização futura conjunta, impondo a deslocalização de trabalhadores para edifícios de outras empresas», lê-se numa carta aberta, enviada no dia 11 ao Governo e aos órgãos de soberania.
A CT dá ainda conta de «problemas graves com a frota», informando que os dois mais recentes catamarans que efectuam o transporte de viaturas «estão encostados», devido a «problemas técnicos». A substituição destas unidades é agora feita por um navio com cerca de 60 anos, que, por não existir mercado de sobresselentes, obriga a ter de se recorrer ao fabrico das peças, o que aumenta o seu tempo de espera nas reparações.
Os trabalhadores da Transtejo falam ainda de «falta de inspecções e vistorias» e de «secções na empresa que não têm ordem para efectuar o seu trabalho, como é o caso do departamento de compras», mas também de a empresa «estar proibida de contratar pessoal marítimo», quando existe «falta de mão-de-obra».

 



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