Discriminação nos CTT
O SNTCT defende a aplicação dos aumentos salariais a todos os trabalhadores dos correios, apesar de os considerar decorrentes da capitulação de outras organizações sindicais.
Os aumentos salariais são insuficientes
Em comunicado divulgado anteontem, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações manifesta-se contra a discriminação salarial ilegal e reitera a posição assumida anteriormente em matéria de revisão salarial: têm que ser para todos os aumentos, ainda que insuficientes e sem garantirem reposição do poder de compra, em contraste com os milhões de euros de lucros divididos pelos accionistas e administradores dos CTT.
O sindicato da Fectrans/CGTP-IN esclarece que tomou já diversas iniciativas junto das instâncias competentes com o objectivo de travar a diferenciação remuneratória – aplicada aos sócios daquela organização de classe, a pretexto da não subscrição do acordo salarial da administração dos CTT – e, alertando que os trabalhadores dos Correios estão a ser pressionados para aderir individualmente ao subscrito pelos sindicatos menos representativos na empresa, apela à unidade e resistência.
Em anterior nota distribuída aos trabalhadores dos CTT, o SNTCT advertia para a proliferação de comunicados emitidos por outros sindicatos, nos quais estes não só atacam aquela organização de classe como veiculam as posições da empresa.
O sindicato clarificou, ainda, que «os CTT apresentaram aumentos zero e só alteraram a sua posição quando o SNTCT começou a efectuar plenários e a discutir com os trabalhadores formas de luta», socorrendo-se, depois, dos sindicatos dispostos a capitularem para estabelecerem os referidos aumentos de miséria.
«Poderiam ter sido conseguidas melhores condições para os trabalhadores. Isso só não aconteceu porque as 10 organizações [que assinaram com o patronato] não tiveram nem coragem nem firmeza», acusa o SNTCT.
Luta
Na próxima segunda e terça-feira, 18 e 19 de Abril, os trabalhadores dos centros de distribuição postal de Matosinhos cumprem uma paralisação parcial, em protesto contra a sobrecarga de serviço, «inexequível dentro do período normal de trabalho», e consequente não remuneração do trabalho a mais efectuado.
Na origem do problema está a não substituição de oito trabalhadores que se sabe que não regressarão ao serviço a curto prazo. Em comunicado enviado à Lusa, a administração dos CTT garante que vai reforçar temporariamente aquele centro de distribuição, porém o SNTCT lembra que a carência de recursos humanos não é exclusiva de Matosinhos, tanto mais que lutas semelhantes ocorreram em Guimarães, Braga e Vila Nova de Famalicão.