Barreira viva na Petrogal
Desde o início do ano, trabalhadores da refinaria de Matosinhos da Petrogal vestem coletes vermelhos, com a inscrição «piquete de greve», antes das seis da manhã de sexta-feira e só os despem às catorze horas do dia seguinte.
Tal como o antecessor, o Governo PS tomou partido pela empresa
Fazendo barreira viva e decidida às contrariedades, todas as semanas, durante essas trinta e duas horas, aqueles trabalhadores lutam contra a retirada de direitos laborais que consideram injusta e absurda. Em causa estão um prémio, férias, dias de descanso, o subsídio de infantário e para filhos com deficiência, os direitos conquistados dos trabalhadores dos turnos, entre muitos outros. Soma-se tudo num ataque generalizado à contratação colectiva e às conquistas nela fixadas.
Da parte da administração da empresa, tudo vale para estrangular o direito à greve dos trabalhadores: desde o estabelecimento de um «piquete anti-greve», que só durou o primeiro dia, sendo derrotado pela firme e determinada acção dos trabalhadores, até às incessantes pressões das chefias.
Isto ocorre numa altura em que, repetindo a posição anterior do PSD/CDS, o Governo do PS tomou partido, vergonhosa e ilegalmente, pelos interesses da empresa. Os ministros da Economia e do Trabalho emitiram no final de Dezembro um despacho conjunto, a definir «serviços mínimos», que atenta gravemente contra o direito à greve.
Confiança
e solidariedade
Com adesões médias a rondar os 80 por cento, impossibilitando por completo os abastecimentos dos carros-tanque e as cargas e descargas dos petroleiros durante o período de greve, os trabalhadores têm sabido dar uma resposta em grande a todos os ataques, transpirando um absolutamente perceptível sentimento de confiança, de respeito e de determinação. Isto tem sido visível, por exemplo, no modo como os trabalhadores cumprimentam os seus camaradas de trabalho com funções no piquete de greve, quando das mudanças de turno, trocando sorrisos e palavras cúmplices, enquanto consultam o quadro afixado nos vidros da portaria da refinaria, com as percentagens da adesão nos diversos sectores, destacadas a vermelho.
Também nos contactos com os trabalhadores das empresas sub-contratadas pela Petrogal se nota uma compreensão e solidariedade com a luta em curso. Têm, aliás, saído da boca destes relatos de enorme precariedade e de desrespeito para com quem trabalha. Os dirigentes do SITE Norte, que marcam presença assídua nos piquetes, detectaram salários em atraso, contratos a termo que duram há mais de uma década e condições de trabalho bem abaixo daquilo que se exigiria.
A solidariedade ultrapassa os muros da refinaria.
Foi com muito agrado que os trabalhadores em greve receberam uma saudação da Comissão de Trabalhadores da Efacec, exortando-os a que se mantenham firmes na luta.
No passado sábado, no final do último turno em greve, os trabalhadores da Petrogal receberam também uma delegação do PCP, encabeçada por Jerónimo de Sousa e pelos deputados à Assembleia da República eleitos pelo distrito do Porto. O Secretário-geral do PCP, recebido calorosamente pelos trabalhadores, sublinhou que é imprescindível serem estes a lutarem pelos seus direitos, reafirmou que o PCP estará sempre ao seu lado e encorajou-os a manterem a confiança e a determinação que têm demonstrado.