Dirigentes e delegados sindicais concentraram-se no dia 5, sexta-feira, junto à fábrica da Procalçado, em Pedroso (Vila Nova de Gaia), para exigirem que a Associação Portuguesa dos Industriais de Borracha (APIB) ponha termo ao bloqueio da negociação salarial, imposto pelas organizações patronais subscritoras do contrato colectivo das indústrias químicas.
A iniciativa do SITE Norte (sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN) foi ali realizada, porque a Procalçado ocupa o cargo de vogal da direcção da APIB. Ao administrador foi entregue uma resolução, reclamando uma intervenção na associação patronal para a normalização da negociação, que permita avançar na valorização dos salários.
No documento, que os 130 representantes tinham aprovado pouco antes, numa reunião realizada no Porto, considera-se que a actualização salarial é urgente, para os trabalhadores melhor enfrentarem a profunda degradação das condições de vida, ocorrida nos últimos anos. Recusando «mais desculpas com a crise», afirma-se que as empresas podem pagar mais, como mostram as contas do último ano de apenas cinco filiais de multinacionais, que obtiveram 235 milhões de euros de lucros.
Acções como esta vão continuar a ter lugar, nos próximos meses, junto de outras empresas, quer das indústrias químicas, quer de outros sectores. Luís Pinto, dirigente do sindicato, adiantou à agência Lusa que um próximo destinatário deverá ser, em breve, a Continental Mabor, que preside à direcção da APIB.
À Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), a Fiequimetal propôs que, em 2016, nenhum trabalhador tenha um aumento salarial inferior a 40 euros, salvaguardando que tal deve abranger também os casos em que o salário praticado já supera o mínimo que lhe corresponde na tabela.
Num comunicado que os sindicatos estão a distribuir desde o início deste mês nas empresas do sector, justifica-se a proposta sindical com os efeitos do aumento dos preços de bens e serviços essenciais e da carga fiscal, bem como das demais medidas de austeridade, na redução do rendimento dos trabalhadores.
As estruturas da CGTP-IN afirmam que existem condições para actualizar os salários dos trabalhadores com base na proposta sindical, sem comprometer a situação financeira das empresas. Recordam, a propósito, que a produção farmacêutica aumentou 3,6 por cento, rondando os 1486 milhões de euros, e que a dívida hospitalar à indústria farmacêutica diminuiu 206,3 milhões de euros.
Na Rodoviária de Lisboa, na Transportes Sul do Tejo e na EVA Transportes, o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (Strup, da Fectrans/CGTP-IN) está a desenvolver um amplo debate, a propósito do processo de negociação colectiva, procurando melhorar salário e assegurar direitos conquistados e reconhecidos, tanto nos acordos de empresa (ainda provenientes das lutas contra o desmantelamento e privatização da Rodoviária Nacional), como no recente contrato colectivo, que o sindicato assinou com a Antrop.
Desde o início do ano, trabalhadores da refinaria de Matosinhos da Petrogal vestem coletes vermelhos, com a inscrição «piquete de greve», antes das seis da manhã de sexta-feira e só os despem às catorze horas do dia seguinte.
A Fesete/CGTP-IN recusa a caducidade do contrato colectivo de trabalho e apela aos trabalhadores para que defendam, com a sua luta, os direitos que a associação patronal ATP quer liquidar.
A fusão da Refer com a Estradas de Portugal, para formar a IP (Infra-estruturas de Portugal) nada de positivo trouxe à actividade das empresas, mas ainda é possível rectificar os erros do governo PSD/CDS.
Na sua análise, vários sindicatos referem insuficiências no Orçamento do Estado (OE) para 2016 e apontam vários pontos que devem ser levados em conta.