Fectrans insiste nas empresas
A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, perante «um quadro político diferente», decidiu «recolocar na ordem do dia» as principais reivindicações dos trabalhadores das empresas públicas.
O País e os trabalhadores não estão melhor hoje do que há quatro anos
Das eleições de 4 de Outubro, a Fectrans/CGTP-IN destacou dois aspectos que marcam a diferença na situação política do País: por um lado, a coligação PSD/CDS «só por si não pode continuar a política de austeridade e de destruição do sector público»; por outro lado, dos votos expressos «resultou uma maioria que se comprometeu com muitas das reivindicações dos trabalhadores».
A partir desta caracterização, o Secretariado da Fectrans concluiu – como revelou no final da sua reunião de dia 13 – que «o caminho é retomar as reivindicações em cada empresa e continuar a luta».
As decisões do órgão dirigente da federação apontam para o reforço da luta reivindicativa nos sectores.
Nas empresas públicas, o objectivo é «realizar, na última semana de Outubro e na primeira de Novembro, acções com a estrutura em cada uma das empresas, de modo a recolocar na ordem do dia» exigências que marcaram a acção sindical nos anos de Governo de Passos Coelho, Paulo Portas e Sérgio Monteiro, designadamente:
- parar os processos de privatização em curso,
- revogar o decreto-lei 133/2013 e as normas do Orçamento do Estado que congelaram e diminuíram salários e pensões, suspenderam os complementos de reforma, retiraram direitos e suspenderam a contratação colectiva.
«Em cada empresa, iremos apresentar esta proposta às diversas organizações de trabalhadores, de modo a concretizar estas acções num amplo quadro de unidade na acção e em torno da palavra de ordem “Público é de todos, privado é só de alguns”», adianta-se na nota.
Ferroviários
Na linha do que foi decidido na Fectrans, todas as organizações representativas dos trabalhadores do sector ferroviário estão a ser convidadas para participarem num plenário, a 3 de Novembro, frente à Assembleia da República.
A iniciativa foi anunciada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, esta segunda-feira, dia 19, num comunicado em que se aponta como objectivo deste plenário de representantes «continuar as reivindicações que sustentaram a nossa luta nos últimos quatro anos».
O sindicato ferroviário da Fectrans/CGTP-IN entende que «não passa de uma falácia e de pura propaganda» vir defender que o País esteja melhor depois dos sacrifícios impostos. Hoje «o País, o povo e os ferroviários não estão melhores do que há quatro anos, bem pelo contrário, o endividamento nacional aumentou e os trabalhadores e suas famílias estão mais pobres», pelo que «as necessárias mudanças de políticas têm de ser uma realidade».
No Parlamento, «logo que os deputados tomem posse», serão pedidas audiências, «porque queremos que, de uma vez por todas, cesse o congelamento e corte nos salários, seja reposta de imediato a contratação colectiva vigente nas empresas, a regularização das diuturnidades e evoluções indiciárias e que acabe a política de austeridade que empobrece trabalhadores e reformados».
O SNTSF vai insistir para que volte a ser reconhecido o direito centenário ao transporte dos ferroviários (no activo, reformados e familiares), retirado por via dos orçamentos do Estado desde 2012. Insistirá na AR e também junto do presidente da CP, Manuel Queiró, exigindo-lhe que assuma aquilo a que se comprometeu com as organizações de trabalhadores em 2013, 2014 e 2015.
O sindicato vai debater nas empresas as próximas propostas de revisão dos acordos de empresa, reclamando uma actualização salarial de quatro por cento, com garantia de um mínimo de 40 euros mensais, valores tanto mais justos quanto desde 2009 não ocorrem aumentos de salários e desde 2011 foram impostos cortes.