Confiar em quem se conhece
No sábado de manhã, horas antes do grande comício de Almada, Jerónimo de Sousa e vários candidatos da CDU pelo círculo eleitoral de Setúbal contactaram com a população do centro de Alcochete.
O povo de Alcochete conhece bem a CDU e o seu projecto
Ao som de bombos e gaitas de foles e do poema de Bertolt Brecht, o «Elogio da Dialética» (declamado ao megafone por três activistas da coligação PCP-PEV), a comitiva percorreu as ruas do centro histórico da vila ribeirinha, entrando em lojas e cafés, espreitando por portas e janelas e interpelando quem por ali passava.
A presença, entre os activistas da CDU, do presidente da Câmara Municipal de Alcochete, Luís Franco, revelou-se preciosa, pois o autarca conhece o nome e a situação pessoal e profissional da maioria dos alcochetanos que ali se encontravam na agradável manhã de sábado, o que ajudou a encetar muitas conversas: de comerciantes e moradores, os candidatos e activistas da CDU, e especialmente Jerónimo de Sousa, ouviram queixas da vida que é cada vez mais difícil e sem perspectivas e desabafos revoltados com as injustiças que presenciam e que muitos sentem na pele.
Ouvindo estes relatos, os candidatos e activistas da coligação PCP-PEV deixavam palavras de conforto e de confiança na real possibilidade de alterar o rumo do País dando mais força à CDU no próximo domingo, recebendo em muitos casos explícitas manifestações de apoio. Quem conhece a coligação que une comunistas, ecologistas e democratas independentes – e o povo de Alcochete conhece-a bem! – sabe que os compromissos são respeitados e que o poder político, a qualquer nível, é exercido para servir os trabalhadores e as populações. Como não confiar o voto a tal força?
Combater injustiças
Berço de reis (D. Manuel I nasceu ali) e de gerações de trabalhadores ligados ao rio, em particular salineiros – a quem é dedicado um monumento no centro da vila, com a inscrição «Do sal, a revolta e a esperança» –, Alcochete vê-se hoje confrontado com a contradição, notada por Francisco Lopes no comício no Largo de São João, existente entre as potencialidades da região (naturais, humanas e ao nível da política autárquica) e uma política nacional que «as limita e despreza». Sobre o poder local, o primeiro candidato da CDU denunciou o corte, nos últimos cinco anos, de 100 milhões de euros para as autarquias do distrito, decidido e implementado pelos governos do PS e do PSD-CDS.
Lembrando que o distrito apresenta «marcas profundas da política de direita», patentes no aumento do desemprego, da precariedade, das injustiças sociais e da pobreza, o candidato chamou a atenção para a situação dramática dos que, privados dos meios mínimos de subsistência, são empurrados para a apanha da ameijoa no estuário do Tejo, muitos dos quais sofrem aí graves acidentes. As potencialidades do estuário, lembrou Francisco Lopes, são muitas e devem ser aproveitadas, mas salvaguardando a segurança e a dignidade das condições de trabalho.
Os candidatos dos partidos do Governo, que recentemente se fizeram filmar a apanhar framboesas numa exploração agrícola que paga salários de miséria a trabalhadores imigrantes, deviam era experimentar apanhar ameijoa no Tejo, acrescentou.
Construir o resultado
Jerónimo de Sousa, que falou depois de Francisco Lopes, valorizou o entusiasmo, o carinho e a simpatia com que, uma vez mais, a CDU foi recebida em Alcochete, partindo daí para constatar que a coligação PCP-PEV «está em condições de afirmar que a sua votação vai subir e que o número de deputados vai aumentar». É que a CDU, lembrou o Secretário-geral do PCP, esteve sempre ao lado dos trabalhadores e das populações quando os seus direitos e condições de vida estiveram ameaçados, houvesse ou não eleições à porta. Quantos poderão dizer o mesmo?
Após acusar o PS, o PSD e o CDS de confiarem mais na União Europeia do que no povo português e na sua força, Jerónimo de Sousa reafirmou que a CDU confia em primeiro lugar «no povo, que tem futuro», e que conta com a coligação PCP-PEV para abrir os caminhos de um futuro de progresso, justiça social e soberania. O crescimento da CDU é real, garantiu o dirigente comunista, realçando que ele resulta em primeiro lugar dos milhares de activistas que, em muitas centenas de iniciativas e contactos, «conquistam voto a voto e constroem o resultado da CDU». É que, como dizia o poeta alemão a que nos referimos no início da peça, «nada é impossível de mudar».
Sala cheia recebe Jerónimo de Sousa em Oeiras
«Esta CDU exige mais votos»
O Secretário-geral do PCP encerrou a jornada de sábado, 26, em Oeiras, reclamando para a cultura o papel que merece na vida nacional. A iniciativa realizada pelas estruturas concelhias de Oeiras e Cascais encheu o Auditório Eunice Muñoz e começou com poesia dita por Fernando Tavares Marques e Carmen Santos e com canções de intervenção pelo músico Gordillo.
Os momentos culturais introduziram o tema destacado por Jerónimo de Sousa no discurso de encerramento – a cultura, sector que, realçou, tem lugar destacado na democracia de Abril. Amputadas as condições para a criação e fruição cultural, é a própria democracia que fica mais pobre, defendeu o dirigente comunista e cabeça-de-lista do PCP-PEV por Lisboa, que detalhou algumas das orientações da CDU para esta área: a assumpção de políticas públicas que travem o domínio dos privados e a mercantilização; a dotação de um por cento para a cultura no próximo Orçamento do Estado e o objectivo de alcançar um por cento do PIB no final da legislatura; o combate à precariedade que obriga muitos profissionais a trabalharem como amadores e uma política fiscal que proteja e dinamize o sector.
Num discurso galvanizador, o Secretário-geral do PCP acusou depois a coligação PSD/CDS de ter executado com gosto o pacto de agressão e relatou que tem encontrado muitos desiludidos com o PSD que manifestam intenção de votar PCP-PEV, concluindo, porém, com apelos a que não se descanse sobre o bom ambiente e simpatia porque «esta CDU exige muito mais votos».
Palavras de estímulo ao redobrar de esforços no último período de campanha que foram, igualmente, proferidas pelos oradores que antecederam o Secretário-geral do PCP. Duarte Alves, candidato pelo círculo eleitoral de Lisboa, lembrou, em nome da Juventude CDU, que os jovens têm, no domingo, dia 4, a oportunidade de derrotar os responsáveis pela degradação da escola pública e a elitização da educação, pela generalização dos baixos salários e da precariedade. Joana Silva, candidata e membro do Partido Ecologista «os Verdes», enfatizou a necessidade de «continuar a levar a nossa voz a todos os que não se resignam e aspiram a outro modelo de desenvolvimento».
Rita Rato, por seu lado, empolgou os presentes ao recordar que é das mais de 600 acções de contacto e esclarecimento já realizadas no distrito de Lisboa e da permanente presença da CDU na luta dos trabalhadores e das populações, desse «pulsar da vida», que nos vem a força. Uma força capaz de afirmar os valores de Abril e da soberania garantindo a derrota tanto da política de direita como da coligação «Portugal à Fome», como lhe chamou o militar de Abril Mário Simões Teles, que apresentou o comício.