Com os mesmos não se muda
Jerónimo de Sousa participou, na segunda-feira, 28, numa grande arruada em Gondomar e num encontro com intelectuais e artistas, no Porto.
O PCP tem propostas alternativas para a cultura
O local escolhido para a realização do encontro do Secretário-geral do PCP com intelectuais, artistas, quadros técnicos e científicos do Porto, a sede da Cooperativa Árvore, não podia ter sido melhor. As instalações, uma casa senhorial do século XVII com uma soberba vista sobre o Rio Douro, são simplesmente fabulosas. A história e percurso da instituição invejáveis.
Criada em 1963 por artistas e intelectuais para promover a produção, divulgação e comercialização de obras artísticas e editoriais, a Cooperativa Árvore assumiu-se ao longo das décadas como um espaço de liberdade, democracia e pluralidade. Jerónimo de Sousa, na sua intervenção, destacou o seu papel na luta contra o fascismo e o obscurantismo; Honório Novo, que dirigiu a sessão, lembrou o ataque perpetrado pelas forças da contra-revolução às suas antigas instalações, em Janeiro de 1976. Hoje, a Árvore é uma referência da cultura contando com 1400 sócios e 20 trabalhadores.
Acompanhado pelos candidatos Jorge Machado, Diana Ferreira, Ana Virgínia, Jaime Toga e Alfredo Maia e por vários dirigentes das forças que compõem a CDU, Jerónimo de Sousa conversou com muitos dos presentes: vários eram antigos companheiros de jornada do PCP, com quem partilharam muitas causas e combates, outros prestavam pela primeira vez o apoio público à CDU. Siza Vieira, Manuel Loff, Ruben Amaral e Arnaldo Mendonça, ausentes por razões profissionais ou pessoais, enviaram saudações.
Propostas de ruptura
Depois de Pedro Estorninho, director artístico do Teatroensaio, ter declamado magistralmente «O Operário em Construção», de Vinícius de Moraes, e «Mataram a Tuna», de Manuel da Fonseca, foi a vez de Jerónimo de Sousa traçar um panorama negro da política cultural e científica em Portugal e garantir que, também nestes sectores, há soluções e políticas alternativas. Não é com os mesmos que o afundaram que o País poderá sair da situação em que se encontra, acrescentou.
Entre as propostas do PCP sobressai a estruturação de um «verdadeiro serviço público de cultura, ao qual no imediato o Estado deve destinar um por cento do Orçamento do Estado». No final da Legislatura, esse investimento deve corresponder a um por cento do PIB.
O reforço dos organismos públicos responsáveis pela definição e concretização das políticas culturais, a implementação de um Programa Nacional de Emergência do Património Cultural, a promoção da língua portuguesa, a salvaguarda do carácter unitário do Ensino Superior Público e o reforço do investimento, a supressão do pagamento de propinas, a valorização das carreiras docentes e a criação efectiva da carreira de investigador (com a revogação do Estatuto do Bolseiro) e a reestruturação da Fundação para a Ciência e Tecnologia são outras das propostas.
Em Gondomar como em casa
Há locais em que, pela sua tradição, se espera que a CDU realize vibrantes acções de rua e receba por parte da população um acolhimento particularmente caloroso. Gondomar não seria, para muitos, um desses locais. Mas o que é certo é que a arruada da passada segunda-feira nas ruas do centro desta cidade do distrito do Porto não podia ter corrido melhor à coligação PCP-PEV, quer pelas largas dezenas de activistas presentes quer pelo apoio expresso por comerciantes e população.
Acompanhado por vários candidatos e por Daniel Vieira, presidente da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, Jerónimo de Sousa conversou com muita gente, de quem ouviu palavras de indignação e revolta contra a política de direita e os seus protagonistas, e a quem devolveu outras, de estímulo e confiança na possibilidade real de mudar o curso do País. No comício realizado junto a uma zona comercial e a um terminal de transporte público, o Secretário-geral do PCP apelou à conquista de mais votos e mais deputados para que os trabalhadores e o povo tenham «mais voz» na Assembleia da República». O voto de cada um, reafirmou, deve partir da avaliação das suas vidas e da sua evolução recente.
Jorge Machado e António Valpaços (eleito da CDU na Assembleia Municipal de Gondomar) lembraram as responsabilidades de PS, PSD e CDS na degradação dos serviços públicos do concelho e a posição firme e coerente das forças que integram a CDU.