Homenagem a Catarina Eufémia

O País precisa de uma nova Reforma Agrária

A concretização de uma Reforma Agrária e a inversão do rumo de declínio nacional, como vertentes da ruptura com a política de direita, foram elementos destacados pelo Secretário-geral do PCP, este domingo, em Baleizão, no comício de homenagem a Catarina Eufémia, assassinada há 61 anos.

A melhor homenagem a Catarina é prosseguir a luta

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Cerca de 600 pessoas participaram na deposição de flores junto à campa da militante comunista, antes de desfilarem pelas ruas da aldeia, onde um mural alusivo a Catarina reproduzia o que fora realizado no Espaço Mulher na última edição da Festa do Avante!. Já no largo com o nome de Catarina Eufémia, os participantes na homenagem assistiram à actuação do Grupo Coral de Baleizão e do Grupo Coral Feminino Terra de Catarina.

As intervenções estiveram a cargo de João Ramos e Jerónimo de Sousa, que lembraram que o exemplo de Catarina Eufémia traz à memória a longa e heróica luta dos trabalhadores agrícolas alentejanos e permanece como uma referência para os trabalhadores portugueses.

À beira de uma nova contenda eleitoral, o deputado eleito por Beja recordou que, entre PS e PSD, não existem diferenças essenciais e que tanto uns como outros estão ao serviço do capital e dos grandes interesses. Sublinhando a importância de mobilizar e esclarecer, João Ramos afirmou que a CDU irá lembrar as responsabilidades que PS e PSD têm nos vários problemas com que a região se confronta: a espera de 30 anos pelo IP8, a falta de ligação ferroviária a Lisboa e a destruição do Serviço Nacional de Saúde.

Numa altura em que se assinala os 40 anos da Reforma Agrária, o Secretário-geral do PCP sublinhou que «essa luta era também pelo direito a trabalhar a terra», pela democratização do acesso à terra, que, com a Revolução de Abril, se viria a tornar realidade. As medidas implementadas durante essa realização colectiva, empreendida sob o lema «A terra a quem a trabalha», permitiram que as condições laborais e de vida dos trabalhadores conhecessem melhorias substanciais, e deram um «contributo determinante para a defesa e a consolidação da democracia conquistada em Abril». Mesmo enfrentando todos os ataques e sabotagens das forças reaccionárias, este foi um dos raros períodos no último meio século em que o Alentejo «não conheceu o flagelo do desemprego, não perdeu população e viu muitos dos seus filhos regressarem à terra», destacou o Secretário-geral.

A ofensiva contra a Reforma Agrária acabou por restaurar o latifúndio e trazer, de novo, ao Alentejo «as terras abandonadas, a desertificação e o desemprego, enquanto umas poucas centenas de agrários recebem milhões de euros sem que lhes seja exigida produção», disse Jerónimo de Sousa, antes de sublinhar a necessidade de se concretizar, hoje, uma Reforma Agrária: para liquidar «a propriedade latifundiária e o absentismo», potenciar as «dezenas de milhares de hectares cercados com arame farpado», apostar na produção nacional e na valorização dos nossos recursos.

Alternativa exige reforço da CDU

O ataque às conquistas de Abril, em quase quatro décadas de governos e de política de direita, acabou por conduzir o País «a um passado de exploração e injustiça». A grave crise económica e social com que Portugal hoje se confronta foi agudizada, no entender de Jerónimo de Sousa, «pela decisão de PSD, CDS e PS de vincular o País ao pacto de agressão com a troika estrangeira e ao seu programa de exploração e empobrecimento nacional, que o actual Governo do PSD/CDS aplicou com zelo e entusiasmo desmedido».

O resultado da política dos partidos da troika – «política de ruína e de submissão nacional» – é um «rasto de destruição e de dramas por todo o País, que atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história», destacou, alertando seguidamente os presentes para o facto de, agora, com as eleições à porta, PSD-CDS e PS tudo fazerem para iludir os portugueses, «desdizendo hoje o que afirmaram ontem, negando agora o que antes davam como certo e seguro». O certo é que, enfatizou Jerónimo de Sousa, olhando para o que uns e outros propõem, difícil se torna encontrar diferenças: «os mesmos compromissos com a União Europeia, a mesma submissão aos constrangimentos externos, a mesma posição sobre o amarramento a uma dívida insustentável», acrescentando que a troika nacional irá continuar a confiscar os salários e as pensões, a aprofundar a retirada de direitos aos trabalhadores, e a atacar os serviços públicos e as funções sociais do Estado – na Saúde, na Educação e na Segurança Social.

«É tempo de dizer chega» – proclamou –, de «pôr um ponto final no rumo de declínio nacional que só trouxe exploração, empobrecimento e dependência», e, neste sentido, apelou ao reforço da votação e da representação do PCP e da CDU, que apresentam propostas e soluções para o País, defendem os seus interesses e os direitos. Considerando as próximas eleições legislativas como momento da maior importância para a ruptura com a política de direita, Jerónimo de Sousa sublinhou a necessidade de dar expressão a uma política patriótica e de esquerda que esteja ao serviço do País e do povo. Mesmo no final da evocação a Catarina, o Secretário-geral do PCP afirmou que a melhor homenagem que lhe pode ser prestada «é continuar o combate pelos objectivos pelos quais ela deu a sua vida»: «não desistiremos da luta e do papel que nos cabe na defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País!».




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