Construir a alternativa
Sob o lema «Respostas Ecologistas – Juntos conseguimos!», realizou-se nos dias 29 e 30 de Maio, no Fórum Lisboa, a 13.ª Convenção do Partido Ecologista «Os Verdes».
Construir a alternativa às políticas de direita
A construção de uma alternativa que liberte o País do rumo de desastre que tem vindo a ser imposto pelas políticas de direita, indissociável do reforço da Coligação PCP-PEV, esteve no centro dos debates, bem como a dinamização para as jornadas de luta que se avizinham, a começar pela Marcha Nacional «A força do Povo», já no próximo sábado.
Isso mesmo afirmou José Luís Ferreira, da Comissão Executiva Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), ao sublinhar no encerramento da Convenção que «é necessário construir a alternativa às políticas de direita que têm vindo a destruir o País e a empobrecer os portugueses», o que passa pelo reforço da CDU, plataforma eleitoral onde convergem o PCP, o PEV, a Intervenção Democrática (ID) e muitos independentes.
«O reforço da CDU nas próximas legislativas é a única forma possível para concretizar as transformações necessárias com vista à construção de um futuro de paz, mais justo, livre e ambientalmente equilibrado, em sintonia com os valores de Abril», assegurou o dirigente, prometendo o empenhamento dos ecologistas na campanha eleitoral.
«Nós não vamos esperar por Outubro. O trabalho começa já, hoje, na mobilização para a Marcha Nacional “A força do povo” – Todos à rua por um Portugal com futuro, promovida pela CDU, e que será certamente uma poderosa jornada de luta e afirmação da força da vontade e vontade do povo português para quebrar este ciclo de políticas de direita», acrescentou.
Propostas alternativas
Como solução para o País, «Os Verdes» reclamam a renegociação da dívida, «a única forma de criar as condições para o seu pagamento». «A dívida, tal como está estruturada, não é sustentável, e os nove mil milhões de euros que estamos a pagar por ano em juros fazem falta para devolver salários e pensões, mas também para canalizar recursos para pôr a economia a andar, para pôr o País a produzir», sublinhou José Luís Ferreira, propondo «que as responsabilidades com o serviço da dívida estejam limitadas e indexadas aos indicadores de crescimento económico» e defendendo a necessidade de «recuperar a soberania orçamental».
É ainda necessário, continuou, que «nos libertemos do Tratado Orçamental, para recolocar as pessoas e os problemas do País em primeiro lugar» e «uma aposta efectiva na produção, de forma a criar postos de trabalho, dinamizar a economia e recuperar a soberania alimentar».
Para «Os Verdes», as alternativas ao empobrecimento passam também por «devolver à política fiscal a sua natureza redistributiva», assim como «a garantia do controlo pelo Estado de sectores fundamentais da economia».
O PEV propõe igualmente «uma verdadeira política de ambiente que não seja submetida aos interesses económicos, que seja transversal às áreas de intervenção governamental e onde haja de facto uma real participação das populações nas decisões ambientais».
Estratégia para o futuro
No sábado, apresentada por Heloísa Apolónia, foi ainda discutida a Moção de Acção Política, que define a estratégia de «Os Verdes» para o futuro próximo, que passa pela dinamização, ainda mais intensa, das estruturas de intervenção do PEV, designadamente dos colectivos regionais, «que nos convocam para uma sempre crescente ligação directa e aproximada às realidades locais», e da Ecolojovem, «que estabelece uma ligação à vivência específica concreta dos jovens e empreende uma relação com o movimento juvenil».
No documento anuncia-se ainda o lançamento de «diversas jornadas e campanhas temáticas em todo o País», uma forma privilegiada de promover ligações com as populações e com o movimento associativo, e aponta-se a necessidade «de envolvimento directo dos activistas do PEV nos sindicatos, nas associações e em movimentos diversos, nomeadamente nos movimentos de defesa dos serviços públicos, empenhando-se nas lutas unitárias contra as políticas de aniquilação dos direitos constitucionais».
Na sexta-feira, Manuela Cunha, na intervenção de abertura, fez o balanço da intervenção política do PEV nos últimos três anos.
Uma delegação do PCP, constituída por Pedro Guerreiro, do Secretariado do Comité Central do PCP, Vladimiro Vale, da Comissão Política do PCP, Luís Fernandes e Ana Lourido, do Comité Central do PCP, assistiu aos trabalhos da Convenção.
Tempos de grande exigência
Com uma renovação na ordem dos 26 por cento, foram eleitos, no sábado, os novos órgãos nacionais do PEV.
«Temos uma nova direcção nacional, composta por membros com experiências profissionais, políticas e sociais diversas, e, sobretudo, determinados a contribuir para uma direcção mais forte, com vista a dar resposta às exigências que aí vêm, e permitir aprofundar a reflexão sobre a realidade ambiental, económica e social do País, delinear orientações estratégicas, definir caminhos de acção e procurar soluções para melhorar a qualidade de vida das populações e garantir os direitos dos cidadãos, mas também soluções que permitam um mundo de paz, socialmente justo e ambientalmente equilibrado», valorizou José Luís Ferreira, antevendo, no entanto, «tempos de grande exigência, de trabalho e dedicação, tendo por base os novos documentos de orientação política» aprovados, e que servirão de suporte a acção do PEV até à próxima Convenção.