Soluções para uma vida melhor

No Encontro Nacional do PCP «Não ao declínio nacional. Soluções para o País» foram proferidas diversas intervenções relativas a temáticas tão diversificadas como a situação nacional e internacional, as linhas fundamentais da política patriótica e de esquerda que o PCP propõe e o caminho para a concretizar. Nas próximas páginas damos conta do conteúdo essencial dessas intervenções.

 

«O PCP tem soluções para o País e elas são realizáveis», afirmou Agostinho Lopes naquela que foi uma das primeiras intervenções do Encontro Nacional. Para este membro do Comité Central, o programa eleitoral do PCP – que está em construção e que será expressão das lutas dos trabalhadores e do povo – implica uma «ruptura com as políticas e orientações da União Económica e Monetária, do Tratado Orçamental, da Governação Económica da União Europeia» e com a política de classe de acumulação monopolista.

Respondendo aos que argumentam com os «elevados custos do enfrentamento e, mesmo confrontamentos, com a União Europeia», o dirigente comunista sublinhou que «não há políticas de ruptura sem custos, que serão tanto menores quanto mais preparados estivermos para os enfrentar, num País com um governo patriótico e de esquerda, suportado por um forte apoio popular». E a factura dos eventuais custos, acrescentou, «não poderá deixar de ser passada a quem conduziu o País ao desastre, a quem encerrou o País na União Europeia, onde alguns estados-membros são tratados como colónias».

Antes de Agostinho Lopes ter adiantado os aspectos centrais do programa eleitoral do PCP, assente no seu Programa, na Constituição da República e nos eixos fundamentais da política patriótica e de esquerda, já a deputada Paula Santos tinha destacado as consequências para os trabalhadores, o povo e o País da política de direita que vem sendo realizada há 38 anos, e agravada com o actual Governo PSD/CDS: roubo de salários e pensões; aumento do desemprego, da pobreza e da emigração; retirada de direitos aos trabalhadores; cortes nas prestações sociais; ataque aos serviços públicos e ao poder local democrático; privatizações de empresas estratégicas.

A deputada comunista denunciou ainda a concentração da riqueza «nos bolsos de uns poucos, à custa da pobreza de milhares de portugueses», concluindo o que há muito o PCP vem dizendo: os PEC e o pacto de agressão nunca tiveram como objectivo resolver qualquer problema, mas sim beneficiar os grupos económicos e financeiros e reconfigurar o Estado aos seus interesses.

Ouvir, esclarecer e mobilizar

Carlos Gonçalves, da Comissão Política, garantiu que o PCP se vai apresentar às eleições legislativas como o partido «dos trabalhadores, da unidade e da convergência democrática, da verdade e do respeito pela palavra dada, da honestidade e seriedade que se diferencia dos “todos iguais”». Mas também, acrescentou, como o Partido que «nunca faltará a uma política patriótica e de esquerda e que dá garantias de que os votos que lhe forem confiados não serão alienados para prosseguir a política de direita».

Quanto à campanha eleitoral, o dirigente do Partido realçou que ela assentará na «grande mobilização e confiança, de acção e esclarecimento directo, frontal, porque falamos verdade e essa é uma força inestimável». Apoiada nas lutas e aspirações populares, a campanha deverá não só esclarecer as causas da actual situação do País como «afirmar, com confiança, que está nas mãos dos trabalhadores e do povo, com a sua acção, a sua luta e o seu voto, tornar possível uma nova política e um novo rumo para Portugal». Essencial é, também, desfazer de uma vez por todas as confusões sobre a forma de votar na Coligação Democrática Unitária, PCP-PEV.

«Não temos os meios e instrumentos de outros, não temos o apoio do capital que decide no universo mediático», sublinhou Carlos Gonçalves, contrapondo com aquele que é o património ímpar dos comunistas e dos seus aliados: «a força de quem fala verdade, a força das nossas convicções e da intervenção organizada.»

Diogo D'Ávila, da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP, afirmou que a campanha eleitoral será «baseada no contacto directo com os trabalhadores e as populações, não apenas na entrega do folheto, mas sobretudo na necessidade que temos de ouvir o que cada um tem para nos dizer, ouvir os seus problemas, ouvir os seus anseios e contributos para a resolução desses mesmos problemas». A campanha, acrescentou, deverá estar presente «nas empresas, nos campos, nas ruas, nos mercados, nos bairros, nas colectividades, nos cafés e em todos os espaços onde seja possível ouvir, esclarecer e mobilizar».




Mais artigos de: Em Foco

Com o PCP e a CDU<br> a alternativa é possível

Determinação. Esta seria a palavra certa se fosse possível reduzir a apenas uma palavra a jornada do dia 28 de Fevereiro que juntou no pavilhão Paz e Amizade em Loures, os mais de 2000 participantes no Encontro Nacional do PCP. Confiança num projecto político, insubstituível e indispensável, para uma alternativa política patriótica e de esquerda, cuja força reside nos trabalhadores e no povo português. «Sim, há solução para os problemas do País e uma política alternativa que coloque como objectivos os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo», afirma-se na resolução aprovada por unanimidade.
Ficaram a ecoar na sala, como expressão de determinação e confiança, as palavras de Jerónimo de Sousa: «Esta força que transporta um caudal imenso de esperança de que sim, é possível uma vida melhor, que é possível uma mudança a sério de que o País precisa e construir com o PCP e a CDU um outro rumo e um outro caminho de justiça, soberania e de progresso aqui neste chão onde nascemos, vivemos e lutamos como povo que somos, com o povo que temos! Com confiança!».

 

Unidade, organização e luta

«Face à subjugação a que os trabalhadores, o povo e o País estão a ser sujeitos, a alternativa que propomos é um processo de libertação. Libertação do domínio do capital monopolista sobre a vida nacional, o...

Gerações de Abril por Abril

«Emprego transformado em privilégio e educação e saúde em negócio; segurança social apelidada de coisa longe do nosso alcance; direitos como coisa dos mais velhos; e o País, o nosso País, vendido a retalho e transformado em...

Direitos e valores a defender

Uma política que esmaga direitos e condições de vida de quem trabalha para garantir a acumulação de lucros, a concentração e a centralização de capital não seria a mesma coisa «sem um sistema de Justiça...

O caminho para a alternativa

A concretização da alternativa patriótica e de esquerda exige, entre outras condições, o reforço da influência social, política e eleitoral do PCP, o vigoroso desenvolvimento da luta de massas que conflua para a criação de...

Ao povo o que é do povo

«Quarenta anos depois das transformações revolucionárias de Abril, a sociedade portuguesa tem hoje uma estrutura económico-social determinada pela ditadura dos grupos económicos monopolistas associados ao capital transnacional», afirmou Jorge...

Dinheiro há...

A Paulo Sá, deputado do PCP à Assembleia da República, coube abordar a necessidade de uma política fiscal «mais justa e adequada às necessidades de desenvolvimento económico e social». Esta alternativa, sustentou, terá de rejeitar...

Cortar com as amarras

Para João Ferreira, membro do Comité Central e deputado do PCP ao Parlamento Europeu, «libertar o País do peso dos constrangimentos que decorrem desta integração [na CEE/UE] é condição de uma política alternativa,...

Não ao declínio nacional. Soluções para o País

1. Trinta e oito anos de política de direita e vinte e oito anos de integração capitalista na União Europeia conduziram o País para a actual situação de declínio económico, de retrocesso social, de perversão do regime democrático e de...