O caminho para a alternativa
A concretização da alternativa patriótica e de esquerda exige, entre outras condições, o reforço da influência social, política e eleitoral do PCP, o vigoroso desenvolvimento da luta de massas que conflua para a criação de uma vasta frente social e a convergência de forças e sectores interessados na construção de tal política.
Referindo-se à primeira destas dimensões, Margarida Botelho, da Comissão Política, lembrou que «só um Partido forte, coeso, determinado, convicto do seu ideal e do projecto que propõe ao povo português pode intensificar a resposta à multiplicidade de desafios que se nos apresentam». Tal só é possível com «mais militância e mais organização», acrescentou.
Para esta dirigente do Partido, a luta, a campanha eleitoral e o reforço do Partido «não são direcções de trabalho que se prejudiquem umas às outras». Pelo contrário, afirmou, o reforço da organização é «indispensável para enfrentar a situação social e política dos próximos meses» e é uma batalha para «ganhar agora». A luta e a campanha eleitoral, pelo número de pessoas que envolvem e pela discussão política que promovem, abrem elas próprias possibilidades de reforço do Partido, «em particular no que diz respeito ao recrutamento».
A campanha de recrutamento, a acção de contactos com os membros do Partido e a campanha de fundos são, segundo Margarida Botelho, «chaves para a maior parte das dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia». No que diz respeito ao recrutamento, entraram já para o Partido 1700 novos militantes. A meta é de 2000 até final de Abril.
Luta é determinante
Coube a Jaime Toga, igualmente da Comissão Política, valorizar a «resistência e a luta dos trabalhadores e do povo», que foi crescendo e reforçando «laços de unidade, forjando determinação e combatividade, recusando resignações e afirmando coragem e dignidade». O dirigente comunista sublinhou que esta mesma luta, travada numa correlação de forças profundamente desfavorável, «permitiu alcançar vitórias» como aumentos salariais, a reposição de horários de trabalho, a recusa da imposição de bancos de horas ou a passagem a efectivos de trabalhadores com vínculos precários.
Factor de resistência, a luta de massas é também, acrescentou Jaime Toga, um instrumento «decisivo e determinante para enfrentar, conter e derrotar a ofensiva em curso» e para «defender e repor direitos, promover avanços reivindicativos, derrotar este Governo e a sua política, assegurar a ruptura com a política de direita e criar condições para a concretização de uma alternativa patriótica e de esquerda». As manifestações do próximo sábado, 7, serão um momento importante desta luta, que prosseguirá «em cada empresa, em cada local de trabalho, em cada rua ou bairro que sofre com a política de direita».
Agregar vontades
Armindo Miranda, por sua vez, recordou o «património ímpar» do PCP de empenhamento pela convergência e unidade de todos os democratas e patriotas, por transformações progressistas no nosso País». Hoje, garantiu o membro da Comissão Política, o PCP «não deixará de assumir as suas responsabilidades na dinamização, procura de espaços e caminhos que agreguem vontades, libertem e potenciem energias de todos aqueles homens, mulheres e jovens» empenhados na concretização de uma verdadeira alternativa.
A convergência e unidade com os democratas e patriotas, com os trabalhadores e o povo em geral, acrescentou Armindo Miranda, devem merecer das organizações e militantes do Partido uma «redobrada atenção» e a disponibilidade para «conversar, ouvir, informar, aprender e, sobretudo, convencer da justeza do nosso projecto, das nossas propostas e da nossa luta». A organização e os militantes do Partido são a «força poderosa» capaz de construir esta unidade.