Soluções para as urgências
O PCP voltou a propor no Parlamento o reforço dos cuidados de saúde primários e sua articulação com os hospitais, defendendo que essa é uma das medidas estruturais imprescindíveis para resolver a situação de ruptura nas urgências.
A contratação dos profissionais em falta e sua valorização, a estabilidade das equipas de profissionais afectas aos serviços de urgência, o funcionamento destes serviços com médicos internos e médicos especialistas, assim como a reabertura de camas encerradas nos últimos três anos, constituem outras tantas medidas preconizadas pelo Grupo Parlamentar do PCP.
Submetidas no passado dia 19 a debate, no quadro de um projecto de resolução da sua autoria, estas propostas da bancada comunista com vista à resolução urgente dos problemas que afectam os serviços de urgências viriam a esbarrar no voto contra da maioria governamental, que desta forma voltou a mostrar não querer mexer uma palha perante o agravar de um problema que tem afectado de forma dramática um incontável número de portugueses.
«É lamentável que PSD e CDS-PP não dêem uma única resposta para o caos nas urgências», lamentou a deputada comunista Carla Cruz, depois de ouvir intervenções como a da deputada do CDS-PP Teresa Caeiro, que, em defesa da política do Governo, chegou ao ponto de dizer que o «Serviço Nacional de Saúde está cada vez mais forte e melhor».
A verdade é que não está e isso mesmo comprovou a deputada do PCP, ao fazer um retrato da realidade nos serviços de urgência hospitalares. Uma realidade que não é de hoje, nem é pontual, mas que há muito está instalada, com conhecimento do Governo, que nada fez para a alterar, acusou Carla Cruz.
Exemplificando, falou dos doentes que esperam 8, 10 e 12 horas para serem atendidos, dos doentes internados em cadeirões porque não há camas disponíveis (como no hospital de Portalegre), do doente oncológico que esteve internado seis dias no serviço de urgência do hospital de Beja, de macas de bombeiros que ficam retidas longas horas um pouco por todo o País, de hospitais que alugam macas a corporações de bombeiros, de doentes que após horas de espera acabam por abandonar o hospital sem serem atendidos.
Mas há mais. A este quadro já de si negro acresce a falta de profissionais de saúde (o mais recente caso tornado público é o do Hospital Litoral Alentejano onde os chefes de equipa da urgência apresentaram a demissão há precisamente uma semana), com os serviços de urgência a suprirem esse défice com recurso a empresas de trabalho temporário e a médicos em formação (internos).
Em suma, uma situação de ruptura cujas causas – e este foi o ponto nodal tocado por Carla Cruz – estão nos cortes no financiamento do SMS, na desvalorização social e profissional dos trabalhadores da saúde, no desinvestimento nos cuidados de saúde primários e no encerramento de serviços de proximidade.