Despedimentos e exploração

A essência do capitalismo

O PCP está a alertar os trabalhadores da PSA-Peugeot/Citröen de Mangualde para a necessidade de resistir ao aumento da exploração.

A PSA recebeu milhões de euros para não despedir

Num comunicado da sua célula na empresa, o PCP acusa a administração de pretender, não apenas despedir 80 trabalhadores, como também reduzir em cinco por cento os salários, cortar nos prémios de assiduidade e produtividade e utilizar de forma «indiscriminada e sem limites» a chamada bolsa de horas, com o consequente não pagamento do trabalho extraordinário pelos valores legais. O objectivo é claro, garante o PCP: baixar consideravelmente os custos de produção e, consequentemente, aumentar os lucros.

Para a célula, as medidas anunciadas pela administração são a «aplicação sem rodeios da lógica intrínseca do capitalismo, de fazer do aumento da exploração dos trabalhadores a condição para o aumento dos lucros». O Partido acusa ainda, pela situação que se vive na empresa, as «políticas antilaborais, de desvalorização dos salários, de desregulação dos horários, do roubo de direitos, executadas contra os trabalhadores e a favor das multinacionais e dos grandes grupos económicos», responsabilizando sucessivos governos do PS e do PSD/CDS.

Para o PCP é evidente que a administração insiste no discurso da crise e repete a falácia da competitividade para «consumar o objectivo do lucro desenfreado». É isto que querem dizer os assessores da administração nas reuniões que têm mantido com os trabalhadores quando afirmam que «é imprescindível aumentar os lucros para em 2018 termos cá o K9» – o que, para a célula do Partido, é uma «absoluta mentira». Para além de terem aumentado os seus próprios salários, os administradores da PSA sabem perfeitamente – pois está nas contas da empresa – que os custos de produção em Mangualde são mais baixos do que em Espanha ou em França, por força da enorme diferença salarial existente.

No comunicado, o Partido lembra ainda os 28 milhões de euros de fundos públicos recebidos pela fábrica de Mangualde da PSA, a que se somaram várias centenas de milhares de apoios comunitários, que pressupunham a manutenção dos postos de trabalho e dos rendimentos dos trabalhadores.

«Garantias» e garantias

Na TAP, a célula do Partido repudia as ameaças feitas pelo Governo aquando da apresentação do Caderno de Encargos para a privatização da transportadora aérea. Para o PCP, essas ameaças não são apenas «prepotentes e ilegais», como revelam «estupidez e arrogância».

De facto, sublinha a célula, a «garantia» dada pelo Governo de que durante dois anos não haverá despedimentos para os filiados nos sindicatos que aceitam a privatização não resultou em nenhuma correria de trabalhadores e dirigentes sindicais a suplicar o «privilégio de aceitar a privatização», antes representou o reconhecimento explícito de que haverá despedimentos e tentativas de liquidar a contratação colectiva caso a privatização avance.

Para o PCP, os trabalhadores sabem bem o que significam as «garantias» dos governos da política de direita. As verdadeiras garantias obtiveram-nas entre 1998 e 2012, quando impediram por mais do que uma vez a privatização da TAP. 




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