Unidade e convergência
Prosseguindo com os encontros com forças políticas e sociais, o PCP recebeu nos últimos dias a Associação Intervenção Democrática e a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
O PCP quer alargar a convergência com vista à alternativa
O PCP recebeu, na segunda-feira, 19, a Associação Intervenção Democrática, que juntamente com o Partido Ecologista «Os Verdes» integra a Coligação Democrática Unitária. Em ano de eleições legislativas e regionais, na Madeira, o encontro visou a troca de opiniões e análises sobre a situação política nacional e a sua evolução e a avaliação da CDU e do seu projecto, afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas.
Remetendo quaisquer decisões relativas à formalização da CDU para os órgãos dirigentes de ambas as forças, o Secretário-geral do Partido valorizou o projecto da coligação e o espaço de unidade e participação que representa. Jerónimo de Sousa sublinhou que «conta com a participação da ID nestas batalhas eleitorais que aí vêm».
No final do encontro com a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, realizada no dia 15, o Secretário-geral do PCP chamou a atenção para uma grave «distorção» existente no Serviço Nacional de Saúde: o facto de, actualmente, 70 por cento dos actos médicos serem prestados nos hospitais e os restantes 30 por cento dos cuidados de saúde primários. Trata-se, para Jerónimo de Sousa, de uma inversão do que deveria suceder. As responsabilidades vão todas para a política, seguida por sucessivos governos, de desmantelamento de serviços de saúde e de abandono do interior, «com toda a sobrecarga que resulta em termos hospitalares».
Jerónimo de Sousa criticou ainda o subfinanciamento do Serviço Nacional de Saúde, em especial dos hospitais, e os problemas que dele resultam para a qualidade do serviço prestado, sobretudo ao nível da redução drástica do número de médicos e de enfermeiros. O dirigente comunista valorizou ainda a convergência entre o PCP e a APAH no que respeita à necessidade de reforçar os cuidados de saúde primários.
Da parte da associação, Marta Temido considerou que os problemas verificados nas urgências de diversos hospitais não são apenas episódicos, garantindo existir da parte dos administradores vontade de perceber as suas causas de forma a que possam ser resolvidos. Das razões que podem contribuir para explicar estas situações, a responsável da APAH adianta as que se relacionam com os recursos humanos e o financiamento dos hospitais e sublinha a necessidade do reforço dos cuidados de saúde primários. Esta última questão é, para Marta Temido, a grande convergência existente entre a associação e o PCP.