PCP põe a nu mentiras e mistificações do Governo

Da política velha nada vem de novo

«Vida velha», com acres­cidas di­fi­cul­dades para quem tra­balha, eis o que o Go­verno tem para ofe­recer aos por­tu­gueses em 2015. A ava­li­ação é do PCP, para quem o anun­ciado «fim das nu­vens ne­gras» pro­pa­lado pelo pri­meiro-mi­nistro não passa de pura pro­pa­ganda com in­tuitos elei­to­ra­listas.

2014 fica mar­cado por novos casos de crime eco­nó­mico, fuga de ca­pi­tais, gestão da­nosa e cor­rupção

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Pela von­tade do Go­verno e se este não for tra­vado, «o novo ano não trará vida nova mas sim mais ex­plo­ração e em­po­bre­ci­mento dos tra­ba­lha­dores, mais de­sem­prego, emi­gração e de­si­gual­dades e mais di­fi­cul­dades no acesso a di­reitos fun­da­men­tais», an­teviu a de­pu­tada co­mu­nista Paula Santos, que não acre­dita na tese da «saída limpa da troika» ou da «re­cu­pe­ração eco­nó­mica».

Isso são «men­tiras e mis­ti­fi­ca­ções» do PSD e do CDS-PP, acusou, su­bli­nhando que a re­a­li­dade o que mostra é que «hoje os tra­ba­lha­dores, os re­for­mados e o povo vivem pior e que a po­lí­tica da troika se mantém, como consta das me­didas ins­critas no Or­ça­mento do Es­tado».

E a com­provar a con­ti­nu­ação dessas di­fi­cul­dades aí está, neste início de ano, o au­mento da carga fiscal sobre os tra­ba­lha­dores e o povo, os des­pe­di­mentos na ad­mi­nis­tração pú­blica, os novos cortes na edu­cação, na saúde e no poder local, a pri­va­ti­zação de em­presas es­tra­té­gicas como a TAP.

Estes foram al­guns dos exem­plos tra­zidos à co­lação por Paula Santos na de­cla­ração po­lí­tica que pro­feriu, dia 7, em nome da sua ban­cada. Mo­mento que foi também de ba­lanço crí­tico sobre a pas­sagem de mais um ano de po­lí­tica de di­reita e seu rasto de de­gra­dação nas di­fe­rentes es­feras da vida so­cial, eco­nó­mica e po­lí­tica.

«Foram tra­zidos a pú­blico novos casos de crime eco­nó­mico, fuga e bran­que­a­mento de ca­pi­tais, gestão da­nosa, fraude, cor­rupção, que são con­sequência di­recta da po­lí­tica de di­reita, como com­provam os vistos gold apa­dri­nhados por Paulo Portas ou o es­cân­dalo do BES/​GES», enu­merou a de­pu­tada do PCP, iden­ti­fi­cando al­guns dos casos mais graves que mar­caram 2014.

Vida pior

Mas foi so­bre­tudo nas di­fi­cul­dades que se avi­zi­nham para os tra­ba­lha­dores e o povo que Paula Santos cen­trou a sua in­ter­venção, sa­li­en­tando, desde logo, os novos cortes nos sa­lá­rios e pen­sões dos tra­ba­lha­dores da ad­mi­nis­tração pú­blica, bem como os 12 mil des­pe­di­mentos que o Go­verno quer con­sumar (700 dos quais da Se­gu­rança So­cial), a juntar aos 80 mil tra­ba­lha­dores que saíram desde 2011.

Con­tínua de­gra­dação das pen­sões e cortes nas pres­ta­ções so­ciais é também o que os por­tu­gueses podem es­perar do Go­verno no ca­pí­tulo da Se­gu­rança So­cial, ad­vertiu a de­pu­tada do PCP, lem­brando que às mais de 600 mil cri­anças a quem foi cor­tado o abono de fa­mília o Exe­cu­tivo de Passos e Portas acres­centou mais 1700 só entre Ou­tubro e No­vembro pas­sados.

Não menos som­brias são as pers­pec­tivas quanto ao de­sem­prego, como mos­tram os dados ofi­ciais mais re­centes que in­dicam um au­mento de 30 mil novos de­sem­pre­gados em com­pa­ração com o pe­ríodo ho­mó­logo, bem como a des­truição de mais 25 300 postos de tra­balho.

Inal­te­rada pros­se­guirá também a po­lí­tica de pri­va­ti­za­ções, com ali­e­nação de pa­tri­mónio pú­blico para sa­tis­fazer os in­te­resses dos grandes grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros. Disso é triste exemplo a de­cisão de pri­va­tizar a TAP, «em­presa pú­blica de um sector es­tra­té­gico da nossa eco­nomia», pro­cesso que Paula Santos não he­sitou em clas­si­ficar como «cri­mi­noso do ponto de vista po­lí­tico e eco­nó­mico».

Ra­zões, pois, que jus­ti­ficam a re­jeição da po­lí­tica de di­reita e a exi­gência de rup­tura e cons­trução de uma po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda. Foi o com­pro­misso da sua ban­cada em pros­se­guir a luta por essa al­ter­na­tiva que a de­pu­tada co­mu­nista deixou se­lado neste início de 2015 no Par­la­mento.

 

 



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