Defender o mundo rural
No sábado, Jerónimo de Sousa esteve em Vila Real a participar num almoço inserido na acção nacional do PCP «A Força do Povo por um Portugal com Futuro – uma Política Patriótica e de Esquerda». Como é evidente, as questões relacionadas com a agricultura estiveram em destaque na intervenção do Secretário-geral do Partido, que voltou a criticar o Governo por ter feito aprovar uma lei que transforma os baldios (consagrados na Constituição da República) num «simples património autónomo, entregando ulteriormente a gestão seja às juntas de freguesia, seja às câmaras, seja às comunidades intermunicipais, seja directamente a privados».
Com esta alteração legislativa, denunciou Jerónimo de Sousa, o Governo pretende descaracterizar os baldios enquanto bens comunitários, «para posteriormente os atacar, os alienar e os extinguir, fomentando, acima de tudo, o negócio das celuloses promovendo a produção excessiva de matéria-prima a baixo custo». O dirigente comunista sublinhou, na ocasião, a luta dos compartes dos baldios contra a concretização deste roubo.
Lembrando a «profunda crise» em que a região demarcada do Douro continua mergulhada, o Secretário-geral do Partido sublinhou a «baixa dos rendimentos dos pequenos e médios viticultores», com uma quebra a rondar os 60 por cento nos últimos anos. A explicar tão expressivo empobrecimento estão questões como os elevados custos de produção, o corte no benefício, as imposições fiscais e as alterações introduzidas pelo actual Governo nas regras dos apoios prestados aos agricultores, o baixo preço – e, em alguns casos, mesmo o não pagamento – pago aos produtores por parte de algumas adegas e empresas. Jerónimo de Sousa constatou que «apesar de aqui se produzirem os melhores e mais caros vinhos do mundo, esta é a região mais pobre do País e uma das mais pobres da Europa».
O dirigente do PCP não deixou, porém, de valorizar o esforço dos viticultores que, «construíram e constroem diariamente, com sangue, suor e lágrimas, aquela que é a Região Demarcada mais antiga do mundo» e que afirmam que a luta irá continuar no Douro até que os governantes «aceitem a razão de quem granjeia e cuida de todos estes socalcos».
Jerónimo de Sousa referiu-se ainda a outro grave problema com que a região se confronta, o encerramento dos serviços públicos, que agrava dramaticamente as condições de vida de uma região já de si tão empobrecida.