Um País a afirmar Abril
A Festa é sempre de Abril, mas na edição deste ano, marcada pelo 40.º aniversário da Revolução dos Cravos, a evocação da luta antifascista, do 25 de Abril, dos seus valores e conquistas, da sua consolidação no presente e futuro do País, contra os ataques que lhes foram e são desferidos, assumiu um destaque ainda maior. Também nas organizações regionais. O espaço de Braga, o primeiro para quem entrava pela porta da Medideira, destacava precisamente, junto à torre, o «40.º aniversário do 25 de Abril» e, no palco, o lema «Os valores de Abril no futuro de Portugal». Seguindo pelo espaço de refeições adiante, à direita ficava o restaurante, onde não faltavam as habituais doses de caldo verde e bacalhau à Braga; do lado esquerdo, um painel realçava várias acções do Partido no distrito durante o ano e um outro, que abrangia quase todo o comprimento da parede, recordava a luta dos trabalhadores na região desde o final de 2013. Viradas para o exterior – cujas paredes surgiam adornadas por motivos regionais inspirados nos bordados de Guimarães –, as bancas do artesanato e da doçaria estavam em permanente agitação.
O Algarve, todo em tons de verde e vermelho, ficava logo abaixo. No interior do espaço, entre a Marisqueira e as já tradicionais bancas da doçaria e do artesanato, era um corrupio de gente, que, se seguisse em direcção ao bar, teria oportunidade de ver painéis em que se recordava a necessidade de «libertar o Algarve e o País dos interesses do grande capital» e o papel insubstituível do PCP na região. Junto à entrada, outros três painéis falavam-nos das portas que Abril abriu no Algarve, dos Índios da Meia Praia e de «décadas de política de direita contra Abril e o povo da região». Ali perto, no desenho de uma sardinha que parecia levar na boca um bouquet de cravos era clara alusão ao sector das pescas e ao tema principal da Festa.
Em Coimbra assumia grande relevo o centésimo aniversário do nascimento de Joaquim Namorado, cujos versos se podia ler por todo o espaço. Os muitos visitantes que iam à procura do porco no espeto ou da chanfana tinham ainda oportunidade de os ler, devidamente enquadrados nos poemas, nos papéis que cobriam os tabuleiros. A decoração impressionava, repleta de murais com claras influências «Abel Manta», alusiva aos 40 anos do 25 de Abril, a certo grafismo da época e à defesa de importantes sectores de produção no distrito, como a construção naval ou a vinha.
«Contra a destruição da região, em defesa da coesão territorial», era o que se lia à chegada a Bragança, onde, mais uma vez, as longas filas e as mesas cheias de gente eram prova do apelo irresistível da posta mirandesa e da vitela no pote. Numa das paredes que delimitavam a entrada para o espaço encontrava-se um excerto de uma letra de Adriano Correia de Oliveira («Um homem nunca devia / Mandar noutro homem / Todos juntos é que vamos / Mandar na terra); na outra, onde uma «cavacal figura» dizia «Não faço, nem façarei», havia um apelo à defesa dos serviços públicos e ao combate ao despovoamento, bem como um balanço da política de direita na região.
O Porto impressionava novamente pelos grandes e belos murais – cheios de força, com assumidas influências «Ramona Parra» e trabalhados a uma escala que lhes permitia serem descodificados de perto e de longe. Disseminados pelas paredes interiores e exteriores, os motivos aludiam à Revolução de Abril e à defesa dos seus valores, bem como à liberdade em todas as suas formas de expressão, havendo nítidas referências aos direitos à educação, à saúde e ao trabalho. Seguindo pela correnteza de restaurantes e bares do distrito, onde os rojões, as francesinhas, as tripas e os limonetes faziam crescer água na boca, ia-se dar a um painel que alertava para as consequências de três anos de pacto de agressão para a região, se referia a 11.ª AOR do Porto, marcada para 6 de Dezembro, e se destacava as propostas do Partido no quadro da luta pelos valores de Abril no futuro de Portugal.
Ao olhar para Aveiro, ainda do Porto, vislumbrava-se logo o movimento da banca da doçaria, virada para o Palco 25 de Abril. Na parede oposta, que delimitava a entrada para o espaço, o cravo em grafismo estilizado e a inscrição «25 de Abril sempre!» recordavam o tema principal da Festa. Antes de se chegar ao restaurante, onde o leitão da Bairrada fazia as delícias dos visitantes, podia ver-se, no corredor central, a exposição «40 Anos da Revolução de Abril. 35 Anos do Serviço Nacional de Saúde».
De Aveiro a Leiria ia-se direito à exposição «80 Anos. 1934-2014. 18 de Janeiro. Jornada Heróica. Marinha Grande» – com abundante informação textual e fotográfica, para «lembrar que o fascismo existiu». A exposição assumia destaque também no interior do espaço, junto às mesas dos comensais e à sempre concorrida banca de artesanato. Entre o Bar das Caldas e o Bar Kakus, junto à entrada da Avenida Primeiro de Maio, dois painéis faziam referência às várias lutas no distrito e à 9.ª AOR de Leiria, realizada em Junho. Na parede exterior virada para Viseu, impunham-se grandes cravos vermelhos, acompanhados pelas inscrições «Abril vencerá» e «Defender Abril com a força do Povo».
Um pouco mais acima, na avenida, um cartaz dava a conhecer as qualidades da vitela arouquesa, cuja carne se servia no conhecido Restaurante «O Malhadinhas», em Viseu. À entrada, no topo de uma banca com produtos regionais variados (doces e salgados), lia-se «PCP Viseu para continuar Abril», junto a um cravo estilizado que figurava as pétalas como bandeirinhas – motivo que se repetia por todo o espaço, associado à evocação dos «40 Anos do 25 de Abril» ou à exigência de uma «política patriótica e de esquerda».
A Madeira ficava logo ao lado e, mais uma vez, a espetada, o bolo do caco e a poncha voltaram a fazer as delícias de muitos que iam fazer o pré-pagamento à casa típica de Santana. Seguindo as indicações dadas por setas que pareciam de trilhos de levadas ou de caminhos serranos, ia-se dar, por exemplo à exposição intitulada «25 de Abril e o PCP na Madeira». Um mural dava realce à figura de Inês Afonseca, militante e dirigente do PCP e referência marcante do movimento camponês em defesa dos direitos dos caseiros.
Subindo para Vila Real, destacava-se de imediato um belíssimo mural, em tons de cinza, alusivo ao Douro, junto ao qual se lia uma reivindicação bem actual: «A Casa do Douro é da lavoura duriense! Não ao roubo daquele que é o nosso património!». Nas imediações do restaurante, com uma vista soberba sobre a Festa, era possível ver diversas imagens relativas à acção do Partido em terras transmontanas e recordava-se que o «PCP defende emprego + saúde + educação + justiça».
No espaço dos Açores, contíguo ao de Vila Real, a decoração surgia marcada, em tons de azul, por temas florais e marinhos da região, mas também por cravos vermelhos e por uma arma de onde saíam pombas, também vermelhas, a assinalar o tema principal da Festa. Tentados por iguarias como o polvo à açoriana ou a morcela com ananás, os visitantes, enquanto faziam fila para o pré-pagamento, podiam tomar conhecimento das propostas do Partido para o arquipélago e ver 18 imagens de acções do PCP e lutas dos trabalhadores ali desenvolvidas.
O espaço de Viana do Castelo, que se via pouco depois de se entrar pela porta da Quinta da Princesa, aparecia repleto de motivos associados à vinha e à vindima, e essa noção saía reforçada por um grande mural, na parede exterior, encimado pela consigna «Defender a produção nacional e a vitivinicultura familiar». Nessa mesma parede, onde os comensais faziam fila para o arroz de sarrabulho e as pataniscas com arroz de feijão – acompanhados, à mesa, por música regional –, um conjunto de painéis falava de temas como a defesa da vitivinicultura familiar, da AOR de Viana e iniciativas da DORVIC e das propostas do Partido para o Alto Minho.
Descendo pela Alameda da Liberdade, chegava-se a Setúbal. Disseminados pelas paredes exteriores e interiores, sobre fundo azul ou vermelho, impunha-se os lemas em defesa dos valores de Abril, dos direitos atacados e roubados pela política de direita, e dos anseios das populações do distrito. Nas entradas da Alameda e da Praça da Paz, plasmava-se os temas que presidiam à concepção de um espaço onde, mais uma vez, o cheirinho ao choco frito era uma tentação: a defesa das nacionalizações e os 40 anos do 25 de Abril (havia uma reprodução do setubalense Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações e era possível assistir à exposição «Revolução de Abril – Com o Povo, por um Portugal com Futuro»).
Encarando o Alentejo «a meio», de frente para as muito concorridas bancas de artesanato, lia-se, sobre elas, «40.º Aniversário da Revolução do 25 de Abril. Os valores de Abril no futuro de Portugal». Nos extremos do espaço, a exposição «25 de Abril / 25 Olhares», com reproduções de fotos, murais, xilogravuras, pinturas, também se encarregava de nos lembrar o tema central da Festa. Lá dentro, no centro de um espaço com as mesas cheias de gente, um grande cubo tinha duas faces pintadas com a bandeira comunista; numa outra surgia uma representação pictórica de Álvaro Cunhal e noutra ainda o apelo «Adere ao PCP». Junto à entrada da Praça da Paz, para além de três painéis alusivos à Revolução de Abril e às suas consequências para a região, assumia grande destaque o conjunto escultórico em que uma ceifeira, com a sua foice, e um operário, com o seu martelo, eram elementos centrais. Sob o conjunto havia versos de Francisco Miguel – «Só quando a terra for nossa, meu amor, teremos pátria» – e de Ary dos Santos – «Agora que Abril floriu / a esperança na nossa terra / as portas que Abril abriu / nunca mais ninguém as cerra».
Viradas para Setúbal, as traseiras do sempre animado Café Concerto, em Lisboa, exibiam um mural impressionante, repleto de movimento, determinação e no qual sobressaía o vermelho das bandeiras comunistas. Junto à entrada que dava para a Praça da Paz, uma série de indicações permitia enquadrar e compreender esse mural num conjunto mais vasto, que transformava o espaço desta organização regional numa enorme exposição a céu aberto. O visitante, quer encarasse as paredes de fora, quer andasse pelo «labirinto» da Pastelaria, do Sai Sempre, da Tasca dos Petiscos ou da Feira da Ladra, podia ver 15 lindíssimos painéis, nos quais se abordava quatro fases distintas da Revolução de Abril: a resistência antifascista, a Revolução e os seus valores, a luta dos trabalhadores e do povo face à contra-revolução, e a projecção dos valores de Abril no futuro de Portugal.
Logo abaixo, em Santarém, numa parede virada para a zona, sempre repleta, das comidas da Tasquinha do Ribatejo, uma extensa exposição fotográfica aludia ao 25 Abril e a 40 anos de luta no distrito. No lado oposto, sobre fundo negro e vermelho, era evidente o apelo ao reforço do Partido nas frases «Junta-te a nós» e «Adere ao PCP!!!».
Também junto ao Palco 25 de Abril, Castelo Branco e Guarda apresentava uma banca com ampla variedade de produtos regionais. Percorrendo o espaço, encontrava-se referências pictóricas e inscrições ao tema principal da Festa e também se exigia «direitos laborais, serviços públicos, cultura e progresso».