Protesto saiu à rua
Em defesa da Casa do Douro e em protesto contra a alteração dos seus estatutos para associação de direito privado e de inscrição obrigatória, mais de uma centena de viticultores manifestaram-se, quinta-feira, em Peso da Régua.
«Não ao roubo do nosso património»
LUSA
Em carros, tractores ou a pé, os viticultores partiram da Estação de Comboios de Peso da Régua em direcção à sede da Casa do Douro, organização representativa da lavoura duriense criada em 1932. Pelo caminho gritaram palavras de ordem como «Não ao roubo do nosso património» e «A Casa do Douro é nossa», enquanto empunhavam cartazes que diziam «Não ao roubo do nosso património» e «O Governo e as exportadoras estão a matar a casa do Douro».
A alteração legislativa dos estatutos da instituição, proposta pelo Governo, foi discutida no dia 27 de Junho na Assembleia da República, tendo baixado à Comissão de Agricultura. O plano governamental para resolver o problema da dívida de 160 milhões de euros da Casa do Douro inclui a extinção do actual estatuto de associação pública e de inscrição obrigatória para todos os viticultores, bem como um acordo de dação em cumprimento, em que o Estado aceita ressarcir-se através da entrega de vinho por parte da organização. Este acordo foi já rejeitado pela Direcção da Casa do Douro.
«Com esta proposta, o Governo prepara-se para extinguir a Casa do Douro», afirmou, em declarações à Lusa, Berta Santos, dirigente da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (Avidouro), estrutura que promoveu o protesto. «Não é sério aquilo que o Governo está a fazer», que é «juntar o saneamento financeiro da Casa do Douro e a alteração estatutária. Uma coisa não obriga a outra, mas está a chantagear a organização dizendo que só se faz o saneamento se houver alteração aos estatutos», salientou a dirigente da Avidouro, que teme um agravamento da situação da lavoura duriense, cujos rendimentos decresceram nos últimos anos, para além do abandono da vitivinicultura.