Oposição à política do Governo
Depois de ter marcado presença na acção de protesto que se realizou, no dia 27, em frente ao Hospital Distrital de Santarém, a Comissão de Utentes do Concelho de Almeirim (CUCA), em comunicado, manifestou o seu «total desacordo» e «repúdio» pela política seguida por este Governo, que continua a lesar os interesses dos cidadãos «lançando-os muitas vezes para as mãos dos privados, que têm objectivos meramente económicos».
No documento, a CUCA dá conta de alguns problemas que afectam o concelho, entre eles a passagem de três clínicos à reforma até ao final de 2014, quando «já existem cerca de seis mil utentes sem médico de família atribuído». Com a saída destes profissionais o número ascenderá aos 10 600.
Os utentes informam também que em Março de 2014 a directora do ACES Lezíria, a que Almeirim pertence, salientou a necessidade de 26 novos clínicos para resolver as carências médicas existentes. No entanto foram atribuídas apenas oito vagas ao ACES Lezíria, o que é manifestamente insuficiente.
Por último, a CUCA alertou para o facto de a reorganização hospitalar, regida através das portarias 82/2014 e 123A-2014, abrir a porta a grandes mexidas à organização existente no distrito de Santarém, uma vez que vão ser retiradas especialidades e encerrados serviços.
«Serão os utentes, sobretudo os mais carenciados e idosos, os principais prejudicados com esta política de cortes cegos num bem essencial que é a Saúde», refere a Comissão, dando como exemplo os idosos de Marianos, que «terão de percorrer uma distância de 18 quilómetros até à sede do concelho (onde têm médico) e 26 quilómetros até Santarém (onde têm o hospital distrital), em transportes públicos com horários constrangidos e a preços exorbitantes para as magras reformas que auferem, correndo o sério risco de não terem consulta».