Professores e candidatos
«Parece pretender pôr em causa o direito dos professores a participar nos processos eleitorais», comentou o Sindicato dos Professores do Norte, contestando o artigo «Professores trocam alunos por campanha autárquica», que fez manchete na edição de domingo do Jornal de Notícias.
Para a Comissão Executiva do SPN, filiado na Fenprof e na CGTP-IN, o teor da notícia é «surpreendente», pois refere-se aos professores «como se não fossem cidadãos com os mesmos direitos que todos os outros que, enquanto candidatos, recorrem aos mecanismos que a lei prevê para o desenvolvimento das respectivas campanhas».
«A mensagem subliminar a esta notícia – a de que os professores preferem a disputa eleitoral ao trabalho com os alunos –, para além de reaccionária, pelo que representa de desvalorização dos processos eleitorais em democracia, é profundamente injusta para uma classe profissional que, tantas e tantas vezes, põe os interesses dos alunos à frente dos seus», afirma-se numa nota divulgada anteontem pelo sindicato.
O SPN considera ser «abusiva a ilação de que há alunos que correm o riso de ficar sem professor até ao final do primeiro período, já que o acto eleitoral se realiza a 29 de Setembro e, no caso de haver professores que venham a ser eleitos, competirá ao MEC proceder à sua substituição o mais rapidamente possível». «Lamentavelmente, dado o elevado número de professores no desemprego, tal não deverá constituir qualquer problema», antevê o sindicato, classificando como «no mínimo, lamentável» este tipo de jornalismo.