Fiasco em Setúbal
A «sessão de esclarecimento» que o Governo foi fazer ao distrito de Setúbal, sobre o seu programa de «rescisões amigáveis», segundo a estrutura distrital da CGTP-IN, «resultou num total e completo fiasco».
No dia 9, a União dos Sindicatos de Setúbal relatou que «cerca de 35 trabalhadores da Administração Publica do distrito estiveram presentes na sessão, dizendo alguns deles à entrada que “a mim não me enganam”».
Na nota que enviou à comunicação social, a USS/CGTP-IN assinalou que na sessão não foi dito que «o plano de rescisões tem como objectivo proceder ao despedimento colectivo encapotado de milhares de trabalhadores, acenando com uma indemnização, sem contar toda a verdade».
São destacados três pontos:
- a rescisão não dá lugar a subsídio de desemprego, ficando os trabalhadores sem qualquer rendimento;
- a rescisão é inferior à do sector privado (que não tem limites, na negociação) e, a partir do pagamento de 1,25 salários por mês, está sujeita a impostos;
- os trabalhadores ficam, durante vários anos, impedidos de reingressar na Administração Pública.
«Na actual conjuntura económica, em que, com 52 anos, se considera as pessoas velhas demais para trabalhar e novas demais para a reforma, com um Governo que tudo faz para despedir e nada para criar emprego, o cenário mais provável é que os trabalhadores que rescindam fiquem condenados ao desemprego de longa duração, com duros efeitos sobre as sua pensões», avisa a USS.