Serpa vai crescer nos próximos quatro anos

Trabalhar para criar mais emprego

Serpa situa-se no Baixo Alentejo, no distrito de Beja, na margem esquerda do Rio Guadiana, ocupando uma área de 1106,5 km2, distribuída ainda por sete freguesias: Brinches, Pias, S. Salvador, Santa Maria, Vale de Vargo, Vila Nova de S. Bento e Vila Verde de Ficalho.

Dentro das muralhas, no centro histórico, encontrámos uma cidade linda, onde o presente se confunde com o passado, olhando, bem de perto, para o futuro. Até lá chegar o cenário é bem diferente, mas não menos encantador, com extensas planícies, a perder de vista.

Chegando à Praça da República, o «coração» da cidade, fomos encontrar Tomé Pires, 36 anos, engenheiro técnico civil, actual presidente da Câmara de Serpa, que, em 2012, substituiu João Rocha. Em conversa com o Avante!, o também primeiro candidato da CDU àquela autarquia falou-nos do projecto político que, desde 1976, transformou os destinos daquele concelho, colocando-o num patamar elevado de qualidade de vida.

Infelizmente não podemos fugir à tendência nacional

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Hoje, afirma Tomé Pires, «Serpa é um concelho rico em património edificado, com vários monumentos, para além do centro histórico, que vai um pouco além das muralhas». «Também temos um grande património imaterial, onde se destaca o Cante Alentejano, que não é só de Serpa, mas tem no concelho uma forte implementação, decorrente do apoio da autarquia», valoriza.

Também a agricultura tem, neste concelho, um grande potencial, que «tem vindo, nos últimos tempos, a aumentar exponencialmente, tendo em conta o avanço das obras do sistema do regadio do Alqueva, que, infelizmente, ainda não estão completas, mas que se vão aproximando desse investimento público». «Vemos mais condições e potencial agrícola», prevê o presidente e candidato à Câmara de Serpa, informando que «o paradigma da agricultura está a mudar, do sequeiro para o regadio».

Tomé Pires dá ainda conta de que, ao longo dos anos, os executivos CDU sempre tiveram especial atenção à questão do urbanismo e do ordenamento, o que está «à vista de todos».

«Em qualquer uma das freguesias, e muito particular na sede do concelho, nota-se uma evolução urbana, bem estruturada e feita de uma forma harmoniosa», salienta, referindo, por outro lado, um aspecto menos positivo, que não é da responsabilidade da autarquia, mas sim do Poder Central, que passa pela situação social e económica local. «Infelizmente não podemos fugir à tendência nacional, sendo que o principal problema de todos os concelhos é a da falta de emprego, que depois está ligada às questões sociais», acrescenta.

Ainda assim, a Câmara de Serpa tem estado a «trabalhar em sentido contrário» ao dos sucessivos governos, que têm destruído o nosso País. Daí a aposta na divulgação do património e da cultura, de modo a chamar mais pessoas para o concelho de Serpa, que depois, de outra forma, também podem ajudar a desenvolver outras áreas, como o queijo, o vinho, o azeite, o comércio, com a venda dos produtos locais.

«Muitas dessas actividades são centralizadas no centro histórico», esclarece, referindo-se, por exemplo, ao Encontro de Culturas, que este ano teve a sua 10.ª edição, à Feira Histórica, à Gala Ibérica e à Feira do Queijo. «Desde sempre, com a gestão CDU, traçámos um caminho, que temos vindo a percorrer. Este trabalho tem sido exemplar, e isso faz a diferença em relação a outros concelhos», frisa Tomé Pires.

  

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Desemprego, saúde e acessibilidades

Reivindicar o que é das pessoas

 

Em Serpa o principal problema é a falta de emprego. Decorrente desta situação, «vão-se agravando todas as outras situações». «Faço atendimento de 15 em 15 dias, e tenho sempre cerca de 15 pessoas a pedir trabalho, quando nós estamos obrigados a reduzir o quadro de pessoal em dois por cento», confessa Tomé Pires.

Depois há questões mais gerais, que tocam, praticamente, todas as pessoas, como é o caso da Saúde. Para além do preço dos medicamentos, das taxas moderadoras, da falta de transportes, entre outros problemas que são transversais em todo o País, o Hospital de Serpa, ao longo dos últimos anos, tem vindo a perder valências e neste momento é pouco mais do que um serviço de urgência, o que faz com que muitas pessoas vão directamente para o Hospital de Beja.

«As pessoas com menos condições, que estão desempregadas, ficam com uma dificuldade acrescida, porque não têm condições para se deslocar», lamenta o também candidato à presidência da autarquia.

 

Falta de acessibilidades

 

Paralelamente, sendo esta mais uma responsabilidade do Poder Central, existe a questão das acessibilidades. «Nós temos um IP8 que já teve cinco primeiras pedras, mas nunca passou do papel. Teve a primeira versão, a que fazia sentido, que vinha até Vila Verde de Ficalho, que faz fronteira com Espanha. Depois foi encurtada até Baleizão, depois até Beja, depois até ao Aeroporto de Beja e, finalmente, até Santa Margarida», enumera, frisando que aquela infraestrutura, a não ser feita, «está a prejudicar, em muito, a fixação de empresas no concelho», o que poderia «atenuar o problema da falta de emprego».

Sendo que estas são responsabilidades do Poder Central vão, certamente, constar nas reivindicações da CDU. «Se dividirmos o programa eleitoral em duas partes, como tem sido sempre, uma será preenchida com os nossos projectos, onde temos tido uma grande taxa de execução, e a outra com as nossas reivindicações. Temos a preocupação de, enquanto concelho, podermos ajudar ao desenvolvimento da região», sublinha Tomé Pires.

 

Redução de verbas

 

A Câmara de Serpa, assim como todo o Poder Local democrático, tem vindo também a ser atacada, pelos sucessivos governos, com a redução incompreensível de verbas. Só no último mandato retiraram à autarquia cerca de quatro milhões e 700 mil euros. «Para uma Câmara que tem um Orçamento de 24 milhões, esse valor representa uma perda muito grande de investimento», diz Tomé Pires, informando, por exemplo, que os quase cinco milhões de euros davam «para pagar a dívida a fornecedores» e «ainda sobrava algum» dinheiro. «Do que estava previsto no programa eleitoral acabámos por concretizar quase tudo, apesar de alguns projectos terem que ser remodelados», esclarece o candidato, acrescentando: «Temos que adaptar os projectos às condições que temos. Deixar de fazer não deixamos.»


 

Criar um concelho mais competitivo

 

Para o futuro, o grande objectivo da CDU passa pela construção de um concelho competitivo, empreendedor, com capacidade de atrair pessoas e investimento, criando emprego. «A prioridade número um é tentar captar empresas para o concelho, proporcionando, de igual forma, melhores condições para as que já estão cá sediadas», salienta Tomé Pires.

Neste sentido, a Câmara está a ampliar a Zona Industrial de Serpa, assim como as duas zonas de actividades económicas de Vila Nova de S. Bento e de Pias, que estão já lotadas. «Tendo em conta o potencial agrícola, que está a aumentar de dia para dia, estamos a prever que no próximo mandato se possam fixar aqui algumas empresas de maior dimensão do que as que já existem, ligadas à transformação dos produtos agrícolas – as empresas agro-industriais», explica o autarca, especificando que «uma dessas ampliações, com uma área de cerca de 18 hectares, está a ser pensada quase em exclusivo para essas novas empresas», que já compraram os terrenos, perspectivando-se que daqui a quatro anos se possam gerar muitos postos de trabalho.

Aliás, acrescenta, «uma dessas empresas está já a instalar-se. Entre a produção, que é o trabalhar a terra, e depois a transformação, na parte da fábrica, prevê-se a criação de emprego para 80 a 100 pessoas.»

Depois de criados mais postos de trabalho, o objectivo passa por inverter o decréscimo de população, que é uma realidade que atinge todo o Alentejo. Segundo os últimos Censos, de 2001 a 2011, o concelho de Serpa perdeu cerca de mil habitantes, passando de 16 500 para 15 500 habitantes. «Primeiro queremos fixar os que cá estão, e depois trazer outras pessoas para viver no concelho de Serpa», sublinha Tomé Pires.

 

Aprofundar parcerias

 

Mas a CDU tem ainda outros projectos, que passam por aprofundar parcerias nas questões sociais. «Temos um concelho dotado de todo o tipo de infra-estruturas, e nesta área, sempre com o apoio da Câmara de Serpa, as IPSS têm um papel importante. Só em 2013 foram inauguradas duas creches, uma em Vila Nova de Ficalho e uma em Serpa, e vai ser inaugurada, muito em breve, uma Unidade de Cuidados Continuados», informa.

Com o objectivo de dar resposta aos problemas das pessoas, a autarquia desenvolve ainda vários projectos na área social. Um deles passa por dar condições mínimas de habitabilidade às casas das pessoas. Só nos últimos dois anos foram feitas cerca de 25 intervenções. Aos mais jovens, a Câmara Municipal vai ainda continuar a vender terrenos a um preço muito reduzido.

«Outra das situações que pretendemos, ainda na área social, de modo a articular melhor todos os intervenientes, passa pela criação de um Centro Social do Concelho de Serpa, onde vamos sediar todos os serviços de apoio social, assim como os nossos projectos, como a Universidade Sénior, e dar melhores condições às associações e às IPSS», complementa.

Na área cultural, entre muitos outros projectos, a aposta passa por rentabilizar a Casa do Cante e a Musiberia, cujas obras já estão concluídas, e a nível desportivo continuar a manter o apoio ao movimento associativo, que tem uma forte dinâmica no concelho. «Para o próximo mandato, outro grande projecto que não depende da acção da Câmara, será a aprovação da candidatura do Cante Alentejano a Património Cultural da Humanidade», lembra Tomé Pires.




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Trabalhar com as pessoas

 

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As políticas seguidas pelos sucessivos governos há muito que estão a provocar o agravamento da desertificação do interior, a ruína da economia e o aumento do desemprego, que atinge particularmente a juventude. No Alentejo, há muitos anos que se sente estes problemas de forma agravada.

No entanto, há quem trabalhe e lute para minimizar e inverter os impactos desta política devastadora, investindo nas pessoas, valorizando o espaço público, atraindo empresas, para criar mais postos de trabalho. Áreas de intervenção que não estão desligadas de outras, como o ordenamento e gestão do território, as políticas de acção social, saúde, habitação, educação, desporto e cultura.

Fomos conhecer melhor esta realidade, reflectida nos concelhos de Moura, Serpa e Santiago do Cacém, assim como em outros onde a gestão das autarquias é de maioria CDU. Ao Avante!, Santiago Macias, Tomé Pires e Álvaro Beijinha, cabeças de lista às suas respectivas autarquias, falaram-nos do ataque de que as autarquias têm sido alvo, com a redução de freguesias, a alteração da Lei das Finanças Locais, a destruição de emprego público, o roubo do direito à saúde, à mobilidade e à educação. Tudo imposições da troika estrangeira, com a assinatura da nacional (PS, PSD e CDS). Aos seus munícipes, deixaram ainda uma certeza: vão continuar a defender os direitos e interesses da população.

O nosso jornal falou ainda com João Rocha, primeiro da lista da CDU à Câmara de Beja, que promete «afirmar» o concelho na região e no País.

Daí a importância destas eleições. Mais CDU significará mais capacidade de resolução dos problemas locais e mais força aos que lutam por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que abra caminho a uma vida digna e a um futuro com segurança.


«Sempre mais, sempre para melhor»

Em Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha é o cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal. A sua candidatura é o culminar do trabalho que tem vindo a exercer ao longo dos últimos oito anos enquanto vereador, e que lhe permitiu adquirir a experiência e o conhecimento profundo do Poder Local, do concelho e da região. «Assumi, com grande sentido de responsabilidade, o desafio que me foi lançado, tendo em conta o legado que a CDU tem tido neste concelho. Vamos continuar a merecer a confiança do povo, que, infelizmente, fruto das políticas nacionais, vive com grandes dificuldades», disse, ao Avante!, o candidato, salientando: «Temos capacidade para fazer o melhor para a população de Santiago do Cacém».

CDU é fundamental em Moura

«Espero que o concelho ganhe, sobretudo, em capacidade atractiva e que tenha mais população, o que já será uma grande vitória», afirmou, em conversa com o Avante!, Santiago Macias, militante do PCP, actual vereador e cabeça de lista à Câmara Municipal de Moura. O candidato, com 49 anos, é investigador da Universidade de Coimbra e membro da direcção do Campo Arqueológico de Mértola, projecto ao qual está ligado desde 1993. É, desde 2003, responsável pelas escavações arqueológicas no Castelo de Moura.

Na apresentação da sua candidatura, assim como de José Pós-de-Mina, actual presidente da autarquia, à Assembleia Municipal, a CDU considerou que «estão criadas condições para o prosseguimento e a melhoria da obra realizada no concelho de Moura».

Afirmar Beja

João Rocha, cabeça de lista à Câmara Municipal de Beja, afirmou ao Avante! que a CDU quer ganhar as eleições autárquicas de 29 de Setembro para «afirmar Beja» na região e no País. Este é um projecto, sublinhou o candidato, para desenvolver com as pessoas e para as pessoas, trabalhando com todos, independente do seu quadrante político.

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