Maioria chumba medidas essenciais à melhoria da vida

A borrifar para o povo

«Os por­tu­gueses pre­cisam de voltar aos mer­cados», foi desta forma, em sín­tese e com uma ponta de ironia, que o de­pu­tado co­mu­nista Bruno Dias jus­ti­ficou a apre­sen­tação pela sua ban­cada de um pro­jecto de re­so­lução com 12 me­didas ime­di­atas para me­lhorar a vida dos tra­ba­lha­dores e do povo.

Em­presas não vendem o que os sa­lá­rios não con­se­guem com­prar

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Em de­bate quarta-feira, 23, o di­ploma acabou chum­bado sexta-feira pas­sada com os votos contra da mai­oria e do PS e os votos fa­vo­rá­veis das res­tantes ban­cadas.

Para o PCP, tra­tava-se de con­trapor ao «re­gresso aos mer­cados da alta fi­nança e da es­pe­cu­lação», por estes dias tão lou­vado pelos par­tidos da mai­oria, as ne­ces­si­dades reais das pes­soas, a «vida con­creta de quem tra­balha, de quem está no de­sem­prego, de quem tra­ba­lhou uma vida e se con­fronta com si­tu­a­ções de au­tên­tico de­ses­pero».

Para estes, como anotou Bruno Dias, o re­gresso aos mer­cado que lhes faz falta é o que «sig­ni­fica com­prar co­mida para ter em casa, com­prar bens de pri­meira ne­ces­si­dade, com­prar roupa e ma­te­rial es­colar para os fi­lhos».

O que pre­cisam – e ur­gen­te­mente –, pros­se­guiu, é ter di­nheiro para re­gressar aos mer­cados das suas re­si­dên­cias e «com­prar o que lhes faz falta». Tal como é ur­gente res­ponder à si­tu­ação cada vez mais dra­má­tica não só das po­pu­la­ções como das em­presas, em par­ti­cular das micro, pe­quenas e mé­dias em­presas, que não con­se­guem vender o que os sa­lá­rios não con­se­guem com­prar.

«En­quanto se es­magar desta ma­neira o poder de compra e a pro­cura in­terna as em­presas vão con­ti­nuar a fe­char as portas», ad­vertiu Bruno Dias, ex­pli­cando que foi exac­ta­mente para obstar a esta si­tu­ação que o PCP for­ma­lizou a apre­sen­tação desta pro­posta com me­didas con­cretas para a vida dos por­tu­gueses, quer no to­cante ao poder de compra quer aos preços e ser­viços es­sen­ciais.

 

Op­ções pelo ca­pital

 

Não deixou en­tre­tanto de ser muito sig­ni­fi­ca­tivo que o PS, por in­ter­médio do de­pu­tado Mi­guel Freitas tenha con­tes­tado o con­teúdo da pro­posta do PCP re­cor­rendo à ca­ri­ca­tura, no­me­a­da­mente à ideia de que nele per­passa o fa­ci­li­tismo – «rei­vin­dicar e pro­meter tudo a todos», disse –, ex­pli­ci­tando no fundo uma po­sição con­trária a qual­quer «au­mento de sa­lá­rios e pen­sões», à pers­pec­tiva de «con­ge­la­mento de preços» ou de «anu­lação de taxas». «Este é o dis­curso de es­querda que a di­reita gosta de ouvir», afirmou o de­pu­tado do PS, dei­xando à vista a na­tu­reza das suas op­ções, o seu sen­tido con­ci­li­ador e até cúm­plice com o es­sen­cial desta po­lí­tica.

E aos que, como o PSD, in­vo­caram que «o di­nheiro não chega para tudo» – disse-o o de­pu­tado la­ranja Nuno Serra, que con­si­derou ainda que o País está no rumo certo e que aceder à pro­posta de re­so­lução do PCP sig­ni­fi­caria «um con­vite a es­quecer tudo o que o Go­verno fez para con­trolar a dí­vida pú­blica» – res­pondeu Bruno Dias que há di­nheiro, sim se­nhor. «Não há di­nheiro para sa­lá­rios e re­formas mas há para dar 1100 mi­lhões ao Banif, para dar 388 mi­lhões ao BPN, para dar 450 mi­lhões ao BPP, para dar 35 mil mi­lhões de pa­ga­mento em juros pelo em­prés­timo usu­rário con­traído com o pacto de agressão, para dar cerca de 7500 mi­lhões de juros anuais com a dí­vida», exem­pli­ficou.

E re­cordou que a «po­lí­tica é feita de op­ções», pelo que as que são as­su­midas pelo PCP nesta ma­téria só po­de­riam ir no sen­tido da apre­sen­tação de «me­didas con­cretas para res­ponder aos pro­blemas con­cretos que estão a afectar cada vez mais por­tu­gueses».


 

Me­didas de ele­mentar jus­tiça

O au­mento do sa­lário mí­nimo na­ci­onal e das pen­sões de re­forma, com es­pe­cial in­ci­dên­cias nas pen­sões mais baixas, é um ob­jec­tivo do qual o PCP não de­siste e, por isso, cons­tava deste pa­cote de 12 me­didas que a mai­oria re­jeitou.

A re­po­sição efec­tiva dos mon­tantes que foram re­ti­rados com os cortes sa­la­riais e o roubo dos sub­sí­dios de fé­rias e de Natal era outra me­dida pre­ten­dida pelo PCP, que pug­nava igual­mente pelo alar­ga­mento e au­mento do sub­sídio de de­sem­prego, o abono de fa­mília e a acção so­cial es­colar.

Não menos im­por­tante era a pro­posta de con­ge­la­mento do preço dos trans­portes e ou­tros ser­viços es­sen­ciais, como a elec­tri­ci­dade, o gás, as te­le­co­mu­ni­ca­ções bá­sicas, o con­ge­la­mento e re­versão dos au­mentos de por­ta­gens já ve­ri­fi­cados, bem como do au­mento das rendas.

 

 

 

 

 

 

 



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