Crimes imperialistas vão continuar
Pelo menos 14 civis morreram na sequência de um bombardeamento da NATO na província de Badghis. O ataque ocorreu cinco dias depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter garantido a presença de tropas norte-americanas no território até 2024.
Os militares dos EUA ficam no Afeganistão pelo menos por mais 10 anos
De acordo com informações fornecidas a agências noticiosas por uma fonte oficial, que falou sob reserva de anonimato, o bombardeamento foi efectuado com mísseis e ocorreu numa região ocupada por forças espanholas.
Um porta-voz da Aliança Atlântica, o coronel Jimmy Cummings, veio, entretanto, confirmar o ataque perpetrado em Badghis pelas forças às ordens da NATO, mas cifrou o total de vítimas em três, todos combatentes talibãs, alegou.
Já um responsável do movimento talibã, ouvido pela AFP, sustentou que a operação matou 22 civis, entre os quais várias crianças com idades entre os oito e os 12 anos.
Na segunda-feira, dia 30 de Abril, os militares da ISAF já haviam sido acusados de matar quatro crianças na província de Zabul, supostamente durante a resposta a uma investida desencadeada por um grupo de insurrectos armados.
No dia 1, centenas de pessoas fizeram do funeral dos menores um momento de acusação à NATO, e bloquearam a estrada que liga a capital, Cabul, à cidade de Kandahar, para exigirem a investigação do sucedido e a responsabilização dos envolvidos.
Ocupação até 2024
Também no Dia Internacional dos Trabalhadores, o presidente Barack Obama efectuou uma visita relâmpago ao Afeganistão. Repetindo o que George W. Bush havia feito, nesse mesmo dia, mas em 2003 e a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln, ao largo do Iraque, também Obama veio ao território ocupado fazer a apologia da guerra criminosa e menorizar o sofrimento infligido pela campanha imperialista ao povo afegão.
Não disse que a missão estava cumprida, como Bush, mas defendeu que «o saldo da guerra tem sido bom para as duas nações», que «já se vê a luz ao fundo do túnel» e que «a derrota da Al-Qaeda está próxima» (Lusa 02.05.2012).
Pior do que Obama, só mesmo o presidente vassalo afegão. Depois de ter assinado com o presidente norte-americano um acordo denominado de Associação Estratégica Duradora – o qual, entre outras coisas, permite a presença de tropas dos EUA no Afeganistão até 2024 para treino dos militares afegãos e combate ao terrorismo (20 mil militares, pelo menos, segundo veiculou a Associated Press, que cita uma fonte anónima), e confere aos ocupantes total imunidade relativamente aos actos cometidos no território –, Karzai defendeu que o pacto promoverá a «estabilidade, prosperidade e desenvolvimento na região».
Sem vergonha nem revolta pela devastação do seu país e pela chacina do seu povo, o presidente títere afegão falou mesmo no «encerramento de um capítulo de dez anos» e na «abertura de outro, em que dois países independentes e soberanos iniciam uma relação de amizade, baseada no respeito e compromisso mútuos (Lusa 02.05.2012).
Já um porta-voz do movimento talibã, Zabiullah Mujahid, qualificou o texto como um atentado à «soberania e independência do país», e, em declarações telefónicas citadas por agências de notícias, sublinhou ainda que o acordo «santifica a permanência dos invasores em detrimento da população afegã e da paz no território».
Nos últimos dias os talibãs confirmaram, igualmente, que está em curso uma nova «ofensiva da primavera», campanha de ataques contra «os invasores estrangeiros, os seus conselheiros, os seus subcontratados e todos os que os ajudam militarmente e com informações» as forças ocupantes da NATO.
De acordo com a France Press, o ataque realizado dia 2 contra um hotel em Cabul já estará incluído na referida campanha, que os talibãs prometem responder ao nível de «crueldade e selvajaria dos invasores», de acordo com a Prensa Latina.
O núcleo central da resistência afegã reiterou também a necessidade de «salvaguardar as vidas e o bem-estar dos civis», mas instou a população a «manter-se afastada das bases e comboios militares da NATO».