Novo massacre da NATO no Afeganistão

Crimes imperialistas vão continuar

Pelo menos 14 civis morreram na sequência de um bombardeamento da NATO na província de Badghis. O ataque ocorreu cinco dias depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter garantido a presença de tropas norte-americanas no território até 2024.

Os militares dos EUA ficam no Afeganistão pelo menos por mais 10 anos

Image 10397

De acordo com informações fornecidas a agências noticiosas por uma fonte oficial, que falou sob reserva de anonimato, o bombardeamento foi efectuado com mísseis e ocorreu numa região ocupada por forças espanholas.

Um porta-voz da Aliança Atlântica, o coronel Jimmy Cummings, veio, entretanto, confirmar o ataque perpetrado em Badghis pelas forças às ordens da NATO, mas cifrou o total de vítimas em três, todos combatentes talibãs, alegou.

Já um responsável do movimento talibã, ouvido pela AFP, sustentou que a operação matou 22 civis, entre os quais várias crianças com idades entre os oito e os 12 anos.

Na segunda-feira, dia 30 de Abril, os militares da ISAF já haviam sido acusados de matar quatro crianças na província de Zabul, supostamente durante a resposta a uma investida desencadeada por um grupo de insurrectos armados.

No dia 1, centenas de pessoas fizeram do funeral dos menores um momento de acusação à NATO, e bloquearam a estrada que liga a capital, Cabul, à cidade de Kandahar, para exigirem a investigação do sucedido e a responsabilização dos envolvidos.

 

Ocupação até 2024

 

Também no Dia Internacional dos Trabalhadores, o presidente Barack Obama efectuou uma visita relâmpago ao Afeganistão. Repetindo o que George W. Bush havia feito, nesse mesmo dia, mas em 2003 e a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln, ao largo do Iraque, também Obama veio ao território ocupado fazer a apologia da guerra criminosa e menorizar o sofrimento infligido pela campanha imperialista ao povo afegão.

Não disse que a missão estava cumprida, como Bush, mas defendeu que «o saldo da guerra tem sido bom para as duas nações», que «já se vê a luz ao fundo do túnel» e que «a derrota da Al-Qaeda está próxima» (Lusa 02.05.2012).

Pior do que Obama, só mesmo o presidente vassalo afegão. Depois de ter assinado com o presidente norte-americano um acordo denominado de Associação Estratégica Duradora – o qual, entre outras coisas, permite a presença de tropas dos EUA no Afeganistão até 2024 para treino dos militares afegãos e combate ao terrorismo (20 mil militares, pelo menos, segundo veiculou a Associated Press, que cita uma fonte anónima), e confere aos ocupantes total imunidade relativamente aos actos cometidos no território –, Karzai defendeu que o pacto promoverá a «estabilidade, prosperidade e desenvolvimento na região».

Sem vergonha nem revolta pela devastação do seu país e pela chacina do seu povo, o presidente títere afegão falou mesmo no «encerramento de um capítulo de dez anos» e na «abertura de outro, em que dois países independentes e soberanos iniciam uma relação de amizade, baseada no respeito e compromisso mútuos (Lusa 02.05.2012).

Já um porta-voz do movimento talibã, Zabiullah Mujahid, qualificou o texto como um atentado à «soberania e independência do país», e, em declarações telefónicas citadas por agências de notícias, sublinhou ainda que o acordo «santifica a permanência dos invasores em detrimento da população afegã e da paz no território».

Nos últimos dias os talibãs confirmaram, igualmente, que está em curso uma nova «ofensiva da primavera», campanha de ataques contra «os invasores estrangeiros, os seus conselheiros, os seus subcontratados e todos os que os ajudam militarmente e com informações» as forças ocupantes da NATO.

De acordo com a France Press, o ataque realizado dia 2 contra um hotel em Cabul já estará incluído na referida campanha, que os talibãs prometem responder ao nível de «crueldade e selvajaria dos invasores», de acordo com a Prensa Latina.

O núcleo central da resistência afegã reiterou também a necessidade de «salvaguardar as vidas e o bem-estar dos civis», mas instou a população a «manter-se afastada das bases e comboios militares da NATO».



Mais artigos de: Internacional

Trabalhadores mais protegidos

A nova legislação laboral aprovada pelo governo venezuelano garante aos trabalhadores direitos que antes não passavam de sonhos. O Partido Comunista de Venezuela considera-a uma conquista que tem de ser levada à prática.

Bolívia nacionaliza empresa do sector eléctrico

Lusa «Este decreto supremo tem como objectivo nacionalizar a favor da Empresa Nacional de Electricidad [pública], em nome do Estado, o total das acções que a empresa Red Eléctrica Internacional [filial da espanhola Red Eléctrica Española] possui...

Relator da ONU «horrorizado»

O norte-americano Richard Falk, relator das Nações Unidas para os direitos humanos nos territórios palestinianos, manifestou-se «horrorizado com as contínuas violações dos direitos humanos nas prisões israelitas». Em comunicado divulgado dia 2, o...

Norte-americanos instigaram derrube de Rafael Correa

Documentos divulgados pelo Wikileaks revelam que os EUA se envolveram com o banqueiro Guillermo Lasso num plano para derrubar o recém eleito presidente do Equador, Rafael Correa. Os acontecimentos confirmados em relatórios da responsabilidade da antiga embaixadora norte-americana no país, Linda...

Mais de 200 milhões de desempregados em 2012

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou, no início da semana passada, que pelo menos 202 milhões de trabalhadores estarão desempregados em 2012, mais seis milhões do que em 2011. A OIT prevê ainda que o fenómeno do desemprego não será...

Licença para matar

Pelo menos quatros crianças morreram num ataque com aviões não-tripulados norte-americanos no Paquistão. Segundo o diário The Nation, citado pela Prensa Latina, o bombardeamento, realizado domingo, 29 de Abril, no Waziristão Norte, não vitimou milicianos islâmicos,...