Aviões não-tripulados dos EUA

Licença para matar

Pelo menos quatros crianças morreram num ataque com aviões não-tripulados norte-americanos no Paquistão. Segundo o diário The Nation, citado pela Prensa Latina, o bombardeamento, realizado domingo, 29 de Abril, no Waziristão Norte, não vitimou milicianos islâmicos, como sustentou o Pentágono.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão veio a público qualificar o ataque como «mais uma violação da integridade territorial e da soberania nacional» e lembrou que as operações norte-americanas com aeronaves dirigidas à distância violam todas as convenções internacionais.

Reagindo ao sucedido, a Fundação para os Direitos Fundamentais revelou que, de acordo com os seus cálculos, somente 170 vítimas dos ataques com drones norte-americanos no Paquistão seriam supostos membros de grupos armados. As restantes 2800 pessoas que se estima tenham morrido em resultado destas operações militares promovidas pelos EUA, eram civis, garantiu a organização, citada pela Agência Venezuelana de Notícias.

A conferir com a prática, agora também o discurso dos altos responsáveis norte-americanos defende abertamente o uso de aviões não-tripulados. Numa conferência em Washington, o chefe da área do combate ao terrorismo da Casa Branca, John Brennan, considerou, pela primeira vez, que os bombardeamentos não violam o direito internacional e sublinhou que os objectivos dos EUA são «legítimos, éticos e justos».

A propósito dos objectivos e da legalidade do uso dos drones, o Washington Post informou, no final do mês de Abril, que a CIA e o Comando Conjunto de Operações Especiais pretendem carta branca para atacar terroristas no Iémen.

O diário explica que os serviços secretos e de segurança querem que os bombardeamentos possam ser ordenados sem confirmação da identidade dos alvos e mesmo em caso de risco elevado para os civis, e com base em dados que indiquem, mas não provem, a existência de territórios perigosos e de comportamentos individuais ou colectivos suspeitos.

A confirmar-se a pretensão da CIA e do Comando de Operações Especiais, os EUA acolhem na doutrina militar o que, na verdade, já é prática corrente no Paquistão, Afeganistão e Iémen.

Neste último território, os norte-americanos realizaram pelo menos oito bombardeamentos com drones desde Janeiro.



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