Liberalização dos transportes

Mau para todos

A Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações foi uma das 16 organizações sindicais que se juntou ao protesto, realizado dia 28 em Bruxelas, contra o «Livro Branco dos Transportes» da Comissão Europeia.

Sindicatos de toda a Europa contestam livro branco

Image 10114

Os sindicatos de transportes de toda a Europa protestam contra as políticas da União Europeia que promovem a privatização e atentam contra as condições de trabalho e os direitos dos trabalhadores.

Em 28 de Março de 2011, a Comissão Europeia publicou o seu Livro Branco dos Transportes, exigindo a «abertura aos mercados» em todas as áreas dos transportes. Em 14 de Novembro, o Parlamento Europeu aprovou de cruz uma «reformulação» do seu primeiro pacote de liberalização ferroviária, impondo o modelo europeu de privatização ferroviária – fragmentação, separação, concorrência –, criando um «espaço ferroviário único europeu» para o capital monopolista financeiro, visando pôr em causa os acordos colectivos e direitos nacionais dos trabalhadores ferroviários.

A drástica degradação das condições de emprego marítimo e nos serviços de ferry aprofunda-se devido à liberalização da cabotagem (navegação entre portos de um mesmo país), à «liberdade de estabelecimento» e aos continuados efeitos das «bandeiras de conveniência».

A Comissão Europeia pretende ainda a privatização forçada das redes de transportes urbanos, o abandono do «transporte social» a favor de serviços operados de acordo com os interesses do capital monopolista empresarial, onde o lucro é o único critério.

A privatização dos transportes e outros activos nacionais são de resto uma exigência central da troika FMI/UE/BCE para impor a austeridade e um programa maciço de privatizações à Grécia e Portugal, transferindo os activos para os maiores bancos europeus.

A acção na capital belga, que havia sido decidida numa reunião em Lisboa, em 28 de Novembro, para além da FECTRANS, contou com representantes do Reino Unido (RMT, UNITE, ASLEF), da Espanha (SFF/CGT), do Chipre (SEGDAMELIN), da França (Solidaires e FSC) da Itália (USB; OSAdiB), da Turquia (Sindicato Portuários e estivadores, BTS), da Hungria (Sindicato Ferroviário), do País Basco (LAB), da Irlanda (TEEU, SIPTU), da Bélgica (CGSP, Acod) e da Organização Internacional (UIS/Transportes, da Federação Sindical Mundial).



Mais artigos de: Europa

Um êxito histórico

A greve geral de dia 29 em Espanha foi uma das mais participadas de sempre, com uma adesão média de 77 por cento, que se elevou a 97 por cento na indústria, transportes e construção, fixando-se em 57 por cento na Administração Pública.

Itália pára a 13

É já na sexta-feira da próxima semana que os trabalhadores de todos os sectores de actividade em Itália estão convocados para uma paralisação geral de oito horas, contra as reformas anti-sociais e antilaborais apresentadas pelo governo de Mário Monti. A data da...

Comissão confessa-se

O deputado João Ferreira questionou recentemente o executivo comunitário sobre a evolução da esperança média de vida, tendo em conta um estudo do governo federal alemão (ver Avante! de 15.12.2011), que revelou que este indicador varia em função dos...

Polónia admite prisões da CIA

«A Polónia nunca mais voltará a ser um país em que os políticos, mesmo agindo de mão dada com a maior potência mundial, podem fazer coisas secretamente», declarou, dia 29, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, prometendo esclarecer a existência de...

«Gentes da Beira» em Bruxelas

Com o apoio dos deputados do PCP, esteve patente até ao final da passada semana no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a exposição fotográfica «Gentes da Beira» de António Supico. A inauguração do evento teve a participação de cerca de 200 pessoas,...

Tenham vergonha!

Qual é a diferença actual entre o Governo PSD-CDS/PP de Passos Coelho/Portas e o PS de António José Seguro? Pode parecer surpreendente para alguns leitores mas a resposta é muito simples: «um ano». Sim, repito, «um ano» –...