Assalto às pessoas e ao País
As receitas que estão a ser aplicadas na Grécia e em Portugal são «programas de salvação do capital» à custa do afundamento e da bancarrota dos estados e da exploração dos trabalhadores».
Esta é «a marca, o denominador comum aos pactos de agressão, ao português, ao grego e, inclusivamente, ao irlandês», considerou o deputado comunista João Oliveira, ao interpelar o deputado do BE João Semedo que levara a plenário em declaração política o tema do mais recente acordo assinado com a Grécia.
Tendo presente esse acordo que o deputado bloquista classificou de «imposição brutal», o parlamentar do PCP referiu que as políticas de austeridade acabam por contrastar com as «políticas de benesse e favorecimento à banca, ao sector financeiro, aos grandes grupos económicos, seja por via dos 12 mil milhões para operações de recapitalização seja por via dos negócios milionários».
Isto ao mesmo tempo que se rouba salários e pensões, que se degrada as condições de vida e de trabalho, atacando o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, as prestações sociais, assinalou João Oliveira.
Por si sublinhado foi ainda o facto de tudo isto ocorrer num contexto marcado por políticas de «verdadeiro assalto aos recursos públicos, aumento da dívida externa, aumento do desemprego, desvalorização dos salários e pensões, de afundamento da economia nacional, do País».
E por isso é tão decisiva a derrota do pacto de agressão, abrindo caminho a uma alternativa, a qual, como sublinhou o deputado comunista, passará inevitavelmente pela «renegociação da dívida», tendo em vista a recuperação da economia nacional e a resolução de problemas estruturais como o da «dependência externa e do endividamento do País».
Não obstante a relevância do tema – o futuro do País e as responsabilidades pela situação em que vivemos – PS, PSD e CDS-PP voltaram neste debate a remeter-se a um envergonhado e sintomático silêncio.
Conluio
O exercício de propaganda do Governo segundo o qual o País está no «bom caminho», de acordo com a avaliação da troika, foi também desmontado na passada semana pelo deputado comunista Miguel Tiago, na sequência de uma declaração política proferida pelo deputado do PSD Luís Meneses.
«Quem é que pode julgar que está tudo bem quando o País está na situação em que está e os portugueses estão como estão?», inquiriu.
Desarticulada foi também essa outra linha de propaganda do Governo e da sua maioria que assenta na ideia de que toda a situação que o País atravessa é da responsabilidade do PS.
Miguel Tiago chamou a atenção do deputado laranja para o facto de estar a esquecer-se dos contributos dados em várias ocasiões pelo seu partido, e também pelo CDS-PP, tanto à governação como na AR, à política do PS.
Exemplificando, entre outros casos, lembrou a aprovação dos orçamentos do Estado, dos vários PEC e a assinatura do pacto de agressão.