Virar uma página negra da história nacional
A população do distrito de Setúbal conhece a acção ímpar dos comunistas e dos seus aliados no poder local, tendo todas as razões para votar na CDU, defendeu Jerónimo de Sousa no comício de Setúbal realizado no dia 28.
A mensagem da CDU «está a passar», mas há que continuar os contactos
Numa região onde os comunistas e os seus aliados na CDU assumem posições determinantes no Poder Local Democrático, os índices de qualidade de vida dos vários concelhos da Península de Setúbal estão no topo nacional, a gestão é participada e não existem casos de corrupção envolvendo autarcas. A população daquela região, que conhece esta realidade, tem, assim, mais razões para votar na CDU no próximo domingo. Esta foi uma das ideias adiantadas por Jerónimo de Sousa e pelos candidatos e activistas da CDU nas acções de campanha em Alcochete, Pinhal Novo e Setúbal.
Uma outra ideia aí salientada foi a de que o voto na CDU conta a dobrar, pois serve ao mesmo tempo para eleger mais deputados do PCP e do PEV e para que haja menos deputados do PS, PSD e CDS. Como lembrou Jerónimo de Sousa no comício da Avenida Luísa Todi, foram precisamente estes três partidos que tornaram o País «mais dependente» e «menos soberano» ao destruírem e enfraquecerem a produção nacional. Naquela região, importantes sectores industriais foram debilitados ou encerrados, como a construção e reparação naval, a metalomecânica, a química de base ou a siderurgia.Reafirmando que Portugal não é um país pobre e que tem recursos que, a serem aproveitados, podem contribuir para o seu desenvolvimento, Jerónimo de Sousa exemplificou com os minérios existentes no subsolo e com o mar. «A indústria naval, as pescas ou a indústria conserveira têm um potencial que não pode ser lançado borda-fora», insistiu o dirigente do PCP.
Mas há outra riqueza do País, porventura a principal, que a política de direita tem desprezado: os trabalhadores e os seus conhecimentos. Como sublinhou Jerónimo de Sousa, em muitas plataformas petrolíferas espalhadas pelo mundo estão operários qualificados portugueses e cada vez mais jovens com formação superior recorrem à emigração por não encontrarem emprego em Portugal. «Podemos aceitar isto?»
O Secretário-geral do PCP acusou ainda PS, PSD e CDS de esconderem, nos seus discursos de campanha, o conteúdo daquilo que assinaram com a troika estrangeira, optando por trocar «arrufos» com os quais tentam esconder o seu acordo nas questões essenciais. A questão, para esses três partidos, é saber quem «tocará a música decidida pela União Europeia». Insistindo que «é tempo de o povo não se deixar enganar», Jerónimo de Sousa manifestou a sua convicção na possibilidade de «virar esta página negra» da história nacional. «Só um governo patriótico e de esquerda conseguirá restituir a confiança e a esperança ao povo», garantiu.
Apontar caminhos
O primeiro candidato da coligação PCP-PEV pelo distrito de Setúbal, Francisco Lopes, destacara já a «importância decisiva» do voto na CDU pelo caminho alternativo que este aponta. O único, aliás, «capaz de responder aos problemas do País».
Lembrando que o PCP foi a primeira força a propor a renegociação da dívida (fê-lo no dia 5 de Abril e esteve 15 dias sozinho nessa exigência), Francisco Lopes acrescentou a esta outras propostas que compõem esse caminho alternativo: aproveitamento dos recursos nacionais; controlo público dos sectores estratégicos; investimento público; valorização do trabalho e dos trabalhadores; defesa dos serviços públicos; redistribuição da riqueza.
Valorizando a campanha da CDU na região, marcada por milhares de contacto nas empresas e nas localidades, Francisco Lopes afirmou que a mensagem «está a passar». Mas, alertou, se muitos já se decidiram pelo voto na CDU ainda há muitos outros com quem é necessário falar, no tempo que resta, para que também o façam, em nome dos seus próprios interesses. Em cada contacto, realçou, ganham-se consciências – não só para o voto na CDU como para as duras lutas que terão que ser travadas a partir do dia 6.
Heloísa Apolónia, do PEV e candidata da CDU por Setúbal, afirmou que, ao contrário de PS, PSD e CDS, que não falam daquilo que assinaram com a troika – e que constituirá a base da sua prática política depois das eleições –, «nós, na CDU, orgulhamo-nos das nossas propostas». Para a actual deputada, os candidatos e activistas têm nesta campanha uma «enorme responsabilidade que é falar do acordo da troika». Se conhecidas, as medidas aí contidas provocarão uma «profunda indignação», que os activistas da CDU não podem permitir que se transforme em resignação.
Carina Castro, da Juventude CDU, destacou os graves problemas com que se debate a juventude portuguesa, que se agravarão caso entrem em vigor as medidas impostas pela troika estrangeira e aceites pela troika nacional. «Não estamos condenados a viver pior do que os nossos pais», afirmou a candidata, valorizando as lutas travadas pelos jovens nas empresas e nas escolas, muitas das quais resultaram em vitórias. Agora, é preciso «levar a luta até ao voto».
Que a CDU está a crescer comprovou-o Rui Paixão, do Comité Central do PCP, informando da existência de diversas comissões de apoio à CDU na Península de Setúbal, na Autoeuropa, com mais de 400 membros, ou na Câmara Municipal de Setúbal, com 80. Professores são 228 e micro, pequenos e médios empresários mais de 90.
Almoço no Pinhal Novo
Prosseguir a obra ímpar do Poder Local
Mais de 250 apoiantes da CDU do concelho de Palmela participaram no almoço no Pinhal Novo com a presença de Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes e muitos outros candidatos da CDU pelo círculo eleitoral de Setúbal. E foi aí que o Secretário-geral do PCP denunciou dois casos escandalosos que o levaram a questionar: «até onde os poderosos pensam que podem ir?»
Os hipermercados Continente (do grupo Sonae de Belmiro de Azevedo) decidiram fazer uma «feira de queijos» com descontos de 30 por cento, com uma duração de poucos dias. O grupo, apesar dos lucros milionários que amealha todos os anos, decidiu que deviam ser os produtores de queijo, na maioria pequenos produtores, a pagar esta promoção. Estes receberão menos 30 por cento pelos queijos vendidos a este grande grupo económico. O outro episódio passou-se com outra cadeia da Sonae, o Modelo, que resolveu alterar a imagem das suas lojas, descontando 1,5 por cento no pagamento aos fornecedores para suportar esta alteração de visual.
Francisco Lopes e Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, destacaram ainda as consequências negativas das medidas contidas no acordo com a troika na capacidade do Poder Local continuar a resolver os problemas das populações em áreas como o desporto, a cultura, o apoio social ou as obras municipais. O primeiro candidato da Coligação pelo distrito afirmou mesmo que, em Palmela como na região, o Poder Local contraria e minimiza, dentro das suas competências, a desastrosa política seguida pelos sucessivos governos. A continuação desta obra valiosa, sublinhou Francisco Lopes, «está também ligada à opção que for tomada no dia 5 de Junho».
Com força bastante
O dia começou com uma arruada em Alcochete onde a comitiva da CDU, na qual participava o presidente da Câmara Municipal Luís Franco, não deixou ninguém sem uma palavra ou um gesto de estímulo para enfrentar os tempos difíceis em que nos coube viver – e que previsivelmente se agravarão. Muitos foram aqueles que se queixaram dos baixos salários ou reformas com que vivem – ou sobrevivem – ou do desemprego que atinge algum membro da família.
Entrando em lojas e cafés e abordando as pessoas na rua, Jerónimo de Sousa e os candidatos e activistas da CDU ouviram muitas palavras de incentivo e estímulo – mas também de desânimo... No comício realizado junto ao edifício da Câmara Municipal, o Secretário-geral do PCP afirmou que o povo «tem razão para se sentir desalentado, mas encontra na CDU, nesta força imensa, não o cansaço mas a determinação e a confiança» de que Portugal pode ser um País mais justo e desenvolvido. Aos comentadores que encontraram «cansaço» nas hostes da coligação PCP-PEV, Jerónimo de Sousa exortou: «desiludam-se!»