Évora quer mais e melhor saúde
O Teatro Garcia de Resende recebeu, domingo, em Évora, «o maior comício desta campanha no distrito», confirmou o cabeça de lista, João Oliveira, garantindo que o voto na Coligação PCP-PEV «valerá para todas as lutas», depois de dia 5.
«Os privados não são nenhuma organização filantrópica»
Depois da animação musical, com Samuel Quedas, os apoiantes escutaram atenta e entusiasticamente as intervenções políticas, principalmente subordinadas aos problemas da saúde.
Jerónimo de Sousa avisou que PS, PSD e CDS, em consonância com a troika estrangeira, estão a «aproveitar a maré da crise para aumentar a exploração laboral e liquidar direitos que nada têm a ver com a chamada recuperação financeira ou a diminuição do défice público».
É «o capitalismo a revelar a sua verdadeira natureza, nunca se conformando com as parcelas de domínio perdido e onde qualquer direito social nunca é perpétuo, enquanto for este sistema a dominar», explicou.
Lembrando o esforço que PS, PSD e CDS têm feito para tentarem diferenciar-se, acusou-os de «dizerem “pantominices”, como se diz no Alentejo». «Não querem que o povo conheça o conteúdo, os objectivos e o destino dos milhões emprestados».
De José Sócrates, revelou a sua «dupla personalidade», por acusar o PSD e o CDS de pretenderem privatizar serviços de saúde, quando, «nos últimos seis anos, encerrou dezenas de serviços de proximidade, e não fecharam mais graças à luta das populações, como em Vendas Novas».
Ao criticar os «compromissos assumidos entre a ADSE e vários hospitais, «como os da Luz e dos Lusíadas», bem como os «arruinantes negócios» das parcerias público-privadas, sublinhou que, como «os privados que investem no sector não são nenhuma organização filantrópica, têm o objectivo do lucro e, como na saúde têm sempre clientes, aí estão eles a querer abocanhar».
Reivindicando um SNS universal, geral e gratuito, o Secretário-Geral do PCP alertou para o aumento das taxas moderadoras, os cortes nas comparticipações de medicamentos e no transporte de doentes e de idosos, medidas preconizadas pelo trio PS, PSD e CDS e constantes no acordo firmado com a troika estrangeira.
Enraizados no povo
Após a intervenção do mandatário distrital, o médico cardiologista, António Jara, João Oliveira referiu que a CDU não tem «luxuosos aparatos de propaganda, nem contratámos figurantes de fora para preencher lugares deixados vazios pelos alentejanos, mas já conseguimos fazer deste o maior comício até agora realizado na campanha eleitoral, neste distrito», frisou, numa referência a uma recente acção de campanha do PS, na Praça do Giraldo.
«Esta é a prova de que somos uma força política verdadeiramente enraizada neste povo», considerou, arrancando fortes aplausos.
Responsabilizando o PS, o PSD e o CDS pela desertificação da região e o abandono da produção, o candidato acusou o Governo PS por «desmantelar o Estado social», nos últimos seis anos, estrangulando financeiramente a Universidade de Évora, e adiando ou impedindo a construção de lares e de centros de dia, «empurrando para o isolamento e a pobreza muitos dos nossos idosos».
Igualmente condenado foi o adiamento das verbas para a construção do novo hospital. A este respeito, a CDU exige que o financiamento seja público ou comunitário, para evitar mais uma parceria público-privada, explicou.
O candidato recordou as propostas da Coligação PCP-PEV, de combate à precariedade, de apoio aos micro, pequenos e médios empresários, de aproveitamento agro-industrial do Alqueva, de investimento público nos equipamentos sociais e serviços de saúde, e de revogação dos cortes no transporte de doentes. Também condenou o encerramento de mais 36 escolas primária, reclamando a sua reabertura.
Encenações e ameaças
Sobre o «marketing eleitoral» do PS, João Oliveira acusou o secretário de Estado, Carlos Zorrinho, por ter inaugurado, «há uns meses, um call-center que se encontra em funcionamento há cinco anos».
Ainda mais grave foi o recente comportamento, no distrito, de «um presidente de Câmara, eleito pelo PS, que chamou individualmente mais de uma centena de trabalhadores precários para lhes dizer que agora teriam que ir para casa sem trabalho porque o prazo do seu contrato terminou, mas que se o PS ganhasse as eleições, seriam de novo chamados».