Os casos «exemplares» da Grécia e da Irlanda
A Grécia contraiu um empréstimo de 110 mil milhões de euros em Maio de 2010 e a Irlanda de 85 mil milhões de euros em Novembro do mesmo ano. Nos dois casos a banca foi a grande beneficiada. Na Irlanda arrecadou 35 mil milhões de euros e na Grécia – que em 2009 já tinha definido um programa de assistência à banca de 28 milhões – aprovou, com a intervenção externa, uma verba adicional de 17 mil milhões de euros.
Nos programas impostos a estes países pontificam medidas como o violento aumento da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e sobre o consumo (aumento do IVA); introdução de novos impostos sobre combustíveis; brutal corte nos salários, no salário mínimo e nas prestações sociais como pensões, apoios à família e subsídio de desemprego; despedimentos na função pública (só na Irlanda 25 mil funcionários públicos); facilitação e embaratecimento dos despedimentos no sector privado (na Grécia o governo duplicou o limite legal para despedimentos mensais); pacotes milionários de privatizações e ataques aos direitos laborais, nomeadamente por via do ataque à contratação colectiva.
Resultado: aumento exponencial da pobreza, aumento da emigração e disparo das taxas de desemprego para 14,6% na Irlanda (Abril de 2011) e para 14,8 na Grécia (Dezembro de 2010). Só em 2010, faliram na Grécia milhares de micro, pequenas e médias empresas.
As economias destes países continuam mergulhadas na recessão económica e aprofundam a sua dependência. Em 2010, a Grécia perdeu 4,8% do seu PIB e a sua dívida pública disparou de 110,7% do PIB em 2008, para 142,8% do PIB em 2010. Os últimos dados disponíveis apontam para uma dívida pública na ordem dos 150%.
A Irlanda registou no final do ano passado um crescimento negativo de 0,1% (depois de em 2009 ter perdido 7,6% do seu PIB) e a sua dívida pública disparou de 44,4% do PIB em 2008 para 96,2% do PIB em 2010. As previsões para 2011 confirmam os piores cenários de contracção económica havendo previsões1 que apontam quedas do PIB de -1,3 para a Irlanda e -4,0% para a Grécia.
1 The Economist – 21 Abril 2010
Fonte: Eurostat, Autoridade Estatística Helénica e AMECO